Pererecas invadem prédio da Câmara e o gabinete do prefeito
“Ticão”, vereador por Suzano, tornou-se um espinho no sapato do prefeito Firmino José da Costa, político tradicional, de centenas de compadres e afilhados na cidade. Certo dia, na sessão, um grupo de moradores foi reclamar do abandono do bairro onde moravam e levaram, como prova, inúmeros vidros lotados com pequenas pererecas, capturadas por eles fora […]
20/08/2021 13h50, Atualizado há 60 meses
“Ticão”, vereador por Suzano, tornou-se um espinho no sapato do prefeito Firmino José da Costa, político tradicional, de centenas de compadres e afilhados na cidade.
Certo dia, na sessão, um grupo de moradores foi reclamar do abandono do bairro onde moravam e levaram, como prova, inúmeros vidros lotados com pequenas pererecas, capturadas por eles fora e dentro de suas casas.
“Ticão”, imediatamente assumiu a defesa do grupo e, num discurso inflamado, segurando um daqueles vidros em cada mão, deu um jeito para que se abrissem e as pererecas caíssem e se espalhassem pelo plenário afora.
O bichinhos logo buscaram as janelas, subindo pelas paredes externas, em direção da parte superior do prédio, onde ficava o gabinete do prefeito.
No dia seguinte, ao chegar para trabalhar, Firmino ainda teve de conviver com as incômodas visitantes, até a chegada do pessoal da limpeza e, depois, da dedetização.
A noite do “baile fantasma”
Naquela época ainda não havia internet. E como Suzano também não tinha emissora de rádio, “Ticão” tratou de espalhar, no boca a boca, que iria fazer uma grave denúncia contra o prefeito Firmino na sessão daquela noite.
A expectativa tomou conta do plenário, quando o vereador subiu à tribuna com um pacote nas mãos e passou a denunciar um “baile fantasma” que teria ocorrido na cidade.
A história: a Prefeitura teria pago por um baile que, na verdade, nunca ocorrera.
E reforçando a expressão “baile fantasma”, “Ticão” anunciou que iria apresentar provas do que havia denunciado.
E, abaixando-se atrás da tribuna, vestiu um lençol sobre a cabeça e se apresentou ao público como o “fantasma do baile”.
As galerias, lotadas, vieram abaixo.
“Ticão” acabava de aprontar mais uma para Firmino.
Solução para a maior enchente
Durante a enchente de 1963, as águas cobriram toda a estrada que ia para o Rio Abaixo, deixando os moradores do bairro praticamente ilhados.
Um vereador que morava no Sesc formou uma comissão e foi falar com Firmino.
“Prefeito, a coisa está feia, não passa carro, ônibus, carroça, nada. Você tem de fazer alguma coisa!”
“Todos os barcos que conseguimos arranjar estão transportando as pessoas”, respondeu o prefeito. “Mas não têm sido suficientes”, retrucou o vereador.
“Precisamos ter paciência. Vamos esperar a água baixar e…”
E o vereador: “Mas e se não baixar, Firmino?”
E Firmino, candidamente: “Aí, então, vamos ligar para a Marinha e pedir um submarino emprestado…”