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Pesquisa avalia os efeitos das mudanças no clima para agricultura do Alto Tietê

As alterações radicais do clima, durante os últimos anos, no Alto Tietê e seus efeitos na produção agrícola da região foram analisados detalhadamente em uma pesquisa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a City Foundation.  Ao longo de 13 meses, a avaliação feita junto a produtores rurais […]

Por O Diário
08/11/2022 07h06, Atualizado há 45 meses

As alterações radicais do clima, durante os últimos anos, no Alto Tietê e seus efeitos na produção agrícola da região foram analisados detalhadamente em uma pesquisa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a City Foundation. 

Ao longo de 13 meses, a avaliação feita junto a produtores rurais dos dez municípios da região próxima de Mogi das Cruzes apontou como consequência das mudanças climáticas a alteração na produção e fornecimento de produtos agrícolas para toda a Grande São Paulo.

Responsáveis pelo abastecimento da Capital com hortaliças, as pequenas propriedades, que produzem 16% das hortícolas em todo o Estado de São Paulo, estão sendo vítimas da frequência cada vez maior de eventos extremos, desde os anos de 1980. 

Agricultores reclamam do aumento nos períodos de estiagem prolongada, assim como a ocorrência de chuvas intensas.

A avaliação detectou ainda um aumento considerado “consistente” das temperaturas máximas e mínimas na área abrangida pela pesquisa. Junto com a tendência da variação positiva para todos os municípios, a temperatura máxima média vem crescendo gradativamente em direção à parte mais Leste, num dos extremos da bacia do rio Tietê. A pesquisa mostrou, por exemplo, que em Salesópolis, onde nasce o rio, a temperatura máxima média sofreu um aumento de mais ou menos 2,2°C (graus centígrados), nos últimos 33 anos.

Enquanto isso, a mínima seguiu um padrão parecido. Diminuíram-se a frequência de dias frios e o percentual de dias abaixo de 10°C. Para esta última variável, a queda foi de 7,3% para o agregado da bacia.

 A conclusão dos pesquisadores é que os dias estão se tornando menos frios, enquanto as temperaturas extremas estão aumentando em magnitude.

Nos últimos 33 anos, na bacia do Alto Tietê registrou-se um aumento médio de aproximadamente 12% no número de registros diários que ultrapassaram os 30°C.

Os pesquisadores avaliaram outros aspectos que mostram a vulnerabilidade do setor agrícola diante dos eventos climáticos extremos. 

Um deles é o fato de a produção da região estar concentrada em poucas culturas, geralmente mais vulneráveis a tais situações, como alface e diferentes tipos de cheiro verde. Outro problema é a falta de previsibilidade para se produzir.

Já se foi o tempo em que se podia prever a época certa para se plantar e colher, evitando-se, com mais frequência, as doenças sazonais. 

Atualmente, por exemplo, em plena primavera e próximo do início do verão, os agricultores estão enfrentando doenças de inverno na alface, por conta das baixas temperaturas extemporâneas.

A pesquisa envolveu também um trabalho de campo com dez grupos de agricultores de diferentes localidades, com resultados que começam a ser implementados. Entre eles, o plantio direto e o cultivo em consórcio.

Mas o mais importante é que a presença dos técnicos na região está servindo para mostrar aos agricultores, nem sempre dispostos a correr risco com inovações, que alguns conceitos e paradigmas, obrigatoriamente, terão de ser quebrados por conta das condições climáticas extremas. 

O conceito de sustentabilidade também está sendo ensinado pelos técnicos da FGV aos produtores da região, que passam a conhecer técnicas mais adequadas para enfrentar os efeitos das mudanças.

Sinais de que os assuntos a serem discutidos durante a COP-27, a Conferência do Clima, que está acontecendo no Egito, também interessarão, sobremaneira, aos produtores rurais de Mogi e região.

 

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