PL pavimenta o caminho para receber o presidente Bolsonaro
Quando retornar de sua viagem ao Oriente Médio, nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro encontrará um PL já pacificado internamente e pronto para receber sua filiação, em data a ser remarcada. A princípio prevista para a próxima segunda-feira (22), a solenidade de ingresso de Bolsonaro no PL acabou desmarcada depois de alguns desencontros entre o […]
19/11/2021 08h21, Atualizado há 57 meses
Quando retornar de sua viagem ao Oriente Médio, nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro encontrará um PL já pacificado internamente e pronto para receber sua filiação, em data a ser remarcada.
A princípio prevista para a próxima segunda-feira (22), a solenidade de ingresso de Bolsonaro no PL acabou desmarcada depois de alguns desencontros entre o presidente e o “manda-chuva” da agremiação, Valdemar Costa Neto, que, por muito pouco, não provocaram uma implosão nas negociações travadas até então.
Ao avaliar melhor a situação do PL, Bolsonaro encontrou um partido dividido, onde, segundo o levantamento do jornal O Globo mostrou que a legenda integrava a base de pelo menos 15 governadores de diferentes estados, dos quais, metade deveria reforçar o palanque de adversários de Bolsonaro, em 2022.
Tal constatação levou o presidente do PL a uma reunião com os dirigentes estaduais da sigla, na tarde da última quarta-feira, onde prevaleceu o poder de mando e a eficiência das negociações encabeçadas por Costa Neto.
Todos os dirigentes partidários assinaram um documento dando “carta branca” para que o presidente negociasse em seus respectivos nomes, os rumos que o partido deverá seguir em cada uma das unidades da Federação.
“O partido está dando ao presidente Valdemar carta branca para acertar com o presidente Bolsonaro todas as arestas e possibilidades que tenha em qualquer canto do Brasil. Uma reunião muito positiva. O PL saiu unido” — disse o senador Jorginho Mello (PL), presidente do diretório do partido em Santa Catarina.
O senador bolsonarista acrescentou ainda que todos os estados puderam falar, que as “dificuldades” serão equacionadas pelo presidente e que “não terá coligação” com partidos que não estejam alinhados ao presidente.
Resta saber como ficará a situação em São Paulo, onde o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, foi o mais votado nas últimas eleições e cotado para ser candidato a governador. Só que o PL já havia fechado acordo com Rodrigo Garcia (PSDB), aliado de primeira hora do governador e presidenciável, João Doria Júnior (PSDB).
Para Valdemar Costa Neto não descumprir o apalavrado com Garcia, há uma saída mágica que vem sendo discutida informalmente entre os políticos nos últimos dias: uma possível derrota de Doria nas prévias do próximo domingo para seu principal adversário, o governador do Rio Grande do Sul,, Eduardo Leite, desobrigaria Garcia de um apoio explícito ao vencedor, podendo haver uma acomodação em relação ao esquema bolsonarista.
Esta é um risco a ser corrido, mas se Doria vencer as prévias, Costa Neto terá de encontrar uma solução mágica para não ter de voltar atrás no acordo (algo que não costuma fazer parte de seu modo de agir na política) e, ao mesmo tempo, satisfazer Bolsonaro em relação ao principal e mais importante colégio eleitoral brasileiro.
As expectativa maior, no entanto, será em relação à reação de Bolsonaro a tudo que aconteceu por aqui durante sua presença no Oriente Médio. Tudo leva a crer que ele dirá o esperado “sim” a Costa Neto. E aí, os ajustes terão de ser iniciados para valer. Mas em se tratando de Bolsonaro, é sempre bom esperar primeiro o seu “sim” e a assinatura na ficha de filiação antes de qualquer outra medida a ser tomada.