Prefeito descobre que “notáveis” de Mogi eram melhores que os de fora
Antonio Carlos Machado Teixeira era um promotor público de pouca ou nenhuma experiência na política partidária, quando recebeu o convite do antigo PMDB de Jacob Lopes e Rubens Magalhães para ser candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, nas eleições de 1982. Ele aceitou e, com um discurso de renovação, pegou carona no “furacão Montoro”, […]
13/02/2022 10h34, Atualizado há 54 meses
Antonio Carlos Machado Teixeira era um promotor público de pouca ou nenhuma experiência na política partidária, quando recebeu o convite do antigo PMDB de Jacob Lopes e Rubens Magalhães para ser candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, nas eleições de 1982.
Ele aceitou e, com um discurso de renovação, pegou carona no “furacão Montoro”, o candidato a governador que encarnava a oposição ao regime ditatorial da época, e acabou eleito.
Homem de leis e de letras, pessoa culta e de gostos refinados, Machado apostou que era hora de uma “limpeza” em regra nos quadros da Prefeitura, onde persistiam muitos profissionais de carreira, assim como uma grande quantidade de aliados de seu maior desafeto, o prefeito que deixava o cargo, Waldemar Costa Filho.
E ele começou a mudança pelo seu primeiro escalão, trazendo um grupo de “notáveis”, ligados a importantes universidades paulistas, para assumir os postos-chave da administração.
Inovou até no assessor de imprensa que, na primeira oportunidade, tentou colocar em ação algo semelhante às entrevistas dos grandes chefes de Estado norte-americanos ou europeus, onde cada repórter só tinha direito a uma pergunta, sem questionamentos posteriores.
É claro que não deu certo, como também não funcionavam as primeiras ações de tecnocratas cheios de si e de planos mirabolantes, mas que não sabiam sequer a localização da estação ferroviária, muito menos onde ficava o Largo do Carmo.
E, assim, o tempo foi passando e o governo patinava, sem conseguir, nem de longe, alcançar o ritmo do antecessor, ao qual a cidade estava acostumada.
Mesmo sem experiência administrativa, Machado, uma pessoa inteligente, sentia isso na pele, até que o pior aconteceu: uma denúncia de corrupção que abalou a cidade, cassou o mandato de Jacob Lopes e obrigou o prefeito a negociar diretamente com a Câmara Municipal para não acabar perdendo o seu próprio mandato.
A essa altura, havia entrado em cena, na defesa do prefeito, o experiente vereador Ivan Siqueira, que tornou-se uma espécie de conselheiro de Machado para as questões políticas e administrativas.
O prefeito sentiu que precisava ter a seu lado pessoas que conhecessem a máquina administrativa da Prefeitura e que pudessem ajudá-lo a recuperar o tempo perdido. Um dos primeiros a retornar foi o veterano advogado Argêu Batalha, que conhecia cada processo da Prefeitura como ninguém. Outros acabaram vindo e, aos poucos, o grupo de “notáveis” se desfez. Os que vieram – muitos deles retornando a seus antigos postos – se juntaram aos mogianos ligados ao prefeito e conseguiram realizar as obras que salvaram o mandato de Machado. A Perimetral foi iniciada, o centro ganhou ruas asfaltadas, praças remodeladas e muitas outras ações positivas. Machado terminou o governo com cacife para ser deputado, se assim desejasse.
Na prática, ficou evidente que os “notáveis” da cidade funcionavam muito mais e melhor que os forasteiros. Uma lição que ficaria para a posteridade.