Prefeito se vinga da oposição com a publicação do “listão” de opositores
A política de Biritiba Mirim, cidade vizinha de Mogi, já teve dias mais intensos, em que as disputas entre grupos da própria cidade davam um tom especial aos fatos lá ocorridos, muitos deles capazes de figurar em antologias folclóricas. Testemunha ocular e até partícipe de muitas dessas histórias, o ex-vereador daquela cidade, Elias Tomé da […]
20/02/2022 08h45, Atualizado há 54 meses
A política de Biritiba Mirim, cidade vizinha de Mogi, já teve dias mais intensos, em que as disputas entre grupos da própria cidade davam um tom especial aos fatos lá ocorridos, muitos deles capazes de figurar em antologias folclóricas.
Testemunha ocular e até partícipe de muitas dessas histórias, o ex-vereador daquela cidade, Elias Tomé da Silva Pires, hoje morador em Mogi das Cruzes, relembra, graças à sua privilegiada memória, histórias que até hoje ainda são lembradas por antigos políticos biritibanos, quando se encontram para reviver o passado não muito distante. Afinal, a cidade que se emancipou política e administrativamente de Mogi das Cruzes em 21 de março de 1953, tem somente 59 anos de vida própria, com vereadores e prefeitos eleitos por seus próprios eleitores.
Nos anos de 1969 a 1972, a cidade era governada por Joaquim Ribeiro Coelho, o conhecido Joaquim Padeiro, que logo em seu primeiro ano de mandato, já enfrentava uma forte oposição de um grupo de vereadores que insistiam em não aprovar seus projetos. Dos nove integrantes da Câmara Municipal, àquela época, somente quatro deles eram pró-governo. Os demais jogavam duro, pesado mesmo, criando todo tipo de empecilho às ideias do prefeito.
Liderava a oposição o vereador Antonio Carlos Salgado de Abreu, que questionava tudo o que era de interesse do prefeito, dificultando a tramitação dos projetos, tanto na apreciação inicial, como no momento de bater o martelo, na hora da aprovação.
Certo dia, ao passar diante do prédio da Prefeitura, o líder oposicionista viu afixada, na porta principal, uma enorme placa, com os seguintes dizeres: “Esses vereadores – Abreu, Zé Milton, Freitas, Otávio e Elias – atrapalham o progresso de Biritiba”. Eram exatamente os cinco opositores do prefeito.
Abreu não conversou. Convocou imediatamente os demais citados e também o cabo Cristóvão, da Polícia Militar, para uma foto bem diante da indigitada placa.
Era o primeiro passo para garantir a prova do que seria fatalmente questionado na próxima sessão da Câmara Municipal.
O fotógrafo contratado não se fez de rogado e gastou filme à vontade, registrando os vereadores e a tal placa, nos mais diferentes ângulos e poses.
A notícia não demorou a virar o assunto do dia na pequena cidade, onde todos se conheciam. Nos bares, armazéns e padarias (menos a do prefeito, é claro), o assunto não era outro. Com o registro das fotos, Joaquim Padeiro corria risco de impeachment por ferir o decoro do cargo, expondo os vereadores deliberadamente, na porta da Prefeitura.
Os cinco vereadores esperavam, ansiosos, as fotos que o retratista prometeu entregar no dia seguinte ao vereador Abreu.
O que não aconteceu e jamais iria acontecer. Segundo o fotógrafo, o filme teria velado e nenhuma das fotos pôde ser aproveitada.
“Certamente por determinação do prefeito”, lembra hoje, sempre bem-humorado, o ex-vereador Elias Tomé da Silva Pires, um dos citados no “listão” do prefeito Joaquim Padeiro.