Presidente da Alesp pede desculpas a religiosos
Logo após haver recebido das mãos do bispo de Mogi, dom Pedro Luiz Stringhini, o documento da CNBB com críticas e pedido de providências pelos ataques feitos à instituição, à Igrejas e seus representantes pelo deputado bolsonarista Frederico D’Ávila (PSL), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo se posicionou, logo na abertura da sessão […]
19/10/2021 12h57, Atualizado há 58 meses
Logo após haver recebido das mãos do bispo de Mogi, dom Pedro Luiz Stringhini, o documento da CNBB com críticas e pedido de providências pelos ataques feitos à instituição, à Igrejas e seus representantes pelo deputado bolsonarista Frederico D’Ávila (PSL), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo se posicionou, logo na abertura da sessão de segunda-feira.
O deputado Carlão Pignatari (PSDB) apresentou, em nome da Alesp, um pedido expresso de desculpas ao papa Francisco, ao arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, à CNBB e aos demais ofendidos pelas palavras de D’Ávila que, segundo o presidente, “não representam a opinião da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo”.
Em seu pronunciamento, o presidente Pignatari repudiou “todo e qualquer uso da palavra que vá além da crítica e que se constitua em ataques, extrapolando os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar, concedida aos representantes públicos eleitos”.
Para o presidente, “todo excesso no uso da liberdade de expressão acaba por agredir este mesmo direito, pilar fundamental da democracia, que é consagrada como bem maior da sociedade brasileira”.
Em seu discurso, o político lembrou que o dom da palavra é um direito inalienável. Mas que encontra limites no respeito pessoal e da própria lei. Não comporta, portanto, a irresponsabilidade e o crime.
“Da tribuna – prosseguiu ele – fala o povo, que por cultura da sociedade brasileira, comunga da união e do amor ao próximo, independentemente do seu credo. A tribuna é ponto de convergência, permitindo opiniões contrárias, mas jamais a pregação do ódio”.
Por fim, em nome do parlamento paulista, o presidente apresentou “um pedido expresso de desculpas ao Papa Francisco e a dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, a quem empregamos nossa mais incondicional solidariedade. A palavra não é arma para destruição. Ela é um dom. É construção. Todo deputado estadual tem o dever de representar o povo, ouvir as pessoas e fazer valer seu compromisso com São Paulo”.
Porém, ressaltou o presidente, vir à tribuna, lugar mais importante desta assembleia, para proferir ofensas é algo que não pode ser aceito. “Em nome do parlamento paulista, é nosso dever o reestabelecimento do respeito, antes de tudo, à democracia” disse, se desculpando também perante “a todos que se sentiram ofendidos pelas palavras que não representam a opinião da Assembleia Legislativa de São Paulo. Acredito que o parlamentar também reconheça seu excesso e o espaço permanece livre para eventual retratação”.
E concluiu afirmando que “o nosso compromisso é com a verdade, com o cidadão, com o respeito e com a coerência. E como presidente desta Casa, faço um apelo para que os extremos entendam, de uma vez por todas, que a divergência legitima a democracia. Mas, não justifica a barbárie.’’