Valdemar avança nos planos de lançar Michelle Bolsonaro para presidente
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pode estar prestes a conseguir mais uma importante vitória política: o lançamento de Michelle Bolsonaro, a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidata a presidente da República pelo seu partido. A ideia lançada quando Bolsonaro ainda estava recluso nos Estados Unidos, sob ameaça de inelegibilidade, que ainda […]
22/04/2023 10h48, Atualizado há 38 meses
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pode estar prestes a conseguir mais uma importante vitória política: o lançamento de Michelle Bolsonaro, a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidata a presidente da República pelo seu partido.
A ideia lançada quando Bolsonaro ainda estava recluso nos Estados Unidos, sob ameaça de inelegibilidade, que ainda persiste, a princípio, provocou reação negativa da parte do ex-presidente e de seus filhos. A família não concordava com a inesperada ascensão política de Michelle, que poderia fazer sombra e ameaçar a hegemonia política dos três filhos – Flávio, Carlos e Eduardo – junto ao pai.
O olho clínico de Valdemar na busca de novidades para o partido, mais uma vez se confirmou e Michelle surpreendeu a todos com a desenvoltura demonstrada nas primeiras ações concretas e nos vídeos em defesa de uma maior participação da mulher na vida política do País. Rapidamente, Valdemar tratou de garantir a ela um bom salário e o cargo de presidente do PL Mulher em nível nacional, além de presidente de honra do partido.
Seu plano era fazer com ela e o marido, já de volta ao País, percorram o País buscando novas adesões ao PL que, com isso, poderá se fortalecer cada vez mais.
Diante da reação negativa dos integrantes do lado masculino da família Bolsonaro, Valdemar recolheu os flaps e, estrategicamente, parou de tratar a questão da eventual candidatura de Michelle publicamente. Mas, nos bastidores, continuou atuando, enquanto na área da Justiça vão ficando cada vez mais evidentes as possibilidades de Jair Bolsonaro vir a tornar-se inelegível no próximo pleito, por conta da enxurrada de denúncias graves que pesam sobre ele e que ainda estão por ser julgadas.
Sabe-se lá o que aconteceu nos bastidores do PL, da política brasiliense ou até da família, mas o certo é que neste final de semana, o ex-presidente passou a assumir, para pessoas mais próximas dele, que Michelle poderá concorrer a um cargo legislativo em 2026. O cargo mais provável seria o de senadora, pelo Distrito Federal, segundo revelou o blog da jornalista Bela Megale.
De candidata ao Senado para candidata à Presidência da República pode ser apens uma questão de tempo. E das circunstâncias, cada dia menos favoráveis ao ex-presidente e marido de Michelle.
Dessa forma, Valdemar Costa Neto parece estar conseguindo minar a resistência do chefe do clã bolsonarista.
O resto pode ser apenas uma questão de tempo.
Tiririca
A enorme aceitação ao discurso de Michelle, durante a convenção do PL, no Maracanãzinho, só veio comprovar o que o presidente do PL já havia previsto: a viabilidade da ex-primeira-dama na política.
E olha que essa não foi a primeira vez que Valdemar acertou.
Seu faro para “descobrir” gente boa de votos já é conhecido.
Afinal, foi dele a ideia de transformar o palhaço Tiririca em candidato a deputado federal e, com isso, beneficiar o PL com a estrondosa votação obtida pelo artista.
Damasio
E foi usando um número semelhante ao do palhaço bom de voto que Valdemar conseguiu ampliar a votação do mogiano e candidato a deputado estadual, Marcos Damasio.
Enganos na hora da digitação dos números, com os mesmos algarismos, na hora da digitação para deputados estadual e federal, acabaram por garantir ao mogiano, uma expressiva quantidade de votos, até em cidades onde ele nunca havia colocado os pés.
Essa estratégia, vale dizer, não havia sido programada, mas continuou a ser usada nas eleições seguintes. Até mesmo no pleito passado, quando o número de candidatura com algarismos repetidos, usado anteriormente por Tiririca, foi repassado para Eduardo Bolsonaro.
Com prestígio lá em cima entre os bolsonaristas, Eduardo se elegeu com sobras e, novamente, beneficiou Damasio, que continuou concorrendo com um número semelhante.
Mas as jogadas eleitorais de Valdemar não pararam por aí.
Katia Sastre
Bastou que a imprensa explorasse o fato de uma policial militar de Suzano, Katia Sastre, haver alvejado e matado um assaltante que tentava praticar um roubo diante da escola de sua filha, para que o olho clínico do liberal funcionasse. E, logo após o fato, Sastre foi chamada à sede do PL, em Brasília, e saiu de lá candidata a deputada federal.
Elegeu-se com votação suficiente para levar pelo menos mais um para a Câmara, graças à votação da legenda.
André do Prado
Foi Valdemar quem transformou o ex-prefeito de Guararema, André do Prado, num articulador regional do PL e lhe deu a tarefa de reorganizar o partido em todo o interior do Estado de São Paulo. O jovem político assimilou o caminho que lhe havia sido aberto e logo se tornou deputado estadual.
Cresceu pela sua imensa força de vontade e capacidade de articulação. E acabou se tornando um grande campeão de votos na eleição passada.
Presidente da Alesp
Novamente, o olho clínico de Valdemar funcionou e no primeiro almoço da bancada do PL com o governador eleito, Tarcísio de Freitas, ele anunciou que o partido, detentor da maior bancada, desejava a presidência da Assembleia e que o candidato seria André do Prado. O poder de articulação de André fez o resto e ele foi eleito presidente com os votos de todos os parlamentares de diferentes partidos, à exceção do PSOL, que não conseguiu sequer mobilizar a esquerda a seu favor e fez somente os cinco votos da bancada.
Palhaço Bubu
Os “achados” eleitorais de Valdemar Costa Neto, curiosamente, funcionam mais em nível nacional. Na política doméstica, suas apostas não têm atingido os objetivos esperados.
Basta lembrar o fracasso da candidatura do médico Gondim Teixeira para prefeito.
Também não deu certo a tentativa de transformar o Palhaço Bubu, conhecido personagem da cidade, numa versão local de Tiririca.
Candidato duas vezes a vereador, o palhaço não conseguiu conquistar o eleitorado local. E não chegou lá, nem mesmo com a ajuda de Tiririca, que gravou propagandas eleitorais exaltando as qualidades de seu parceiro de picadeiro, sem conseguir, no entanto, convencer os eleitores mogianos.