Vereador Jefferson da Silva: o dentista e o matuto desconfiado
Jefferson da Silva, dentista, elegeu-se vereador em Mogi das Cruzes, graças à sua popularidade conquistada, em parte, ao redor de mesas de bilhar, onde era conhecido por suas tacadas certeiras. Junto com amigos, tornou-se dono do Bola Sete, tradicional casa de bilhar e sinuca do bairro do Mogilar, que fechou suas portas em definitivo faz […]
14/01/2022 13h21, Atualizado há 55 meses
Jefferson da Silva, dentista, elegeu-se vereador em Mogi das Cruzes, graças à sua popularidade conquistada, em parte, ao redor de mesas de bilhar, onde era conhecido por suas tacadas certeiras. Junto com amigos, tornou-se dono do Bola Sete, tradicional casa de bilhar e sinuca do bairro do Mogilar, que fechou suas portas em definitivo faz alguns anos.
Jefferson era um vereador atuante e chegou até a participar das negociações com o desenhista Mauricio de Sousa para a abertura de um estúdio na região do Taboão, próximo da Mogi-Dutra, na Serra do Itapeti.
Mauricio se empolgou com com a possibilidade de implantar uma edificação de vidro transparente para que os visitantes pudessem acompanhar, em tempo real, o trabalho de sua equipe produzindo as histórias da Turma da Mônica e outros personagens de seus conhecidos gibis. Seria um atrativo turístico para a cidade, que acabou não vingando.
Mas em pleno andamento das negociações, Jefferson viajou para o Japão integrando uma comitiva de vereadores encarregada de visitar as cidades-irmãs de Seki e Toyama, na Terra do Sol Nascente.
Durante a visita, o inesperado: um fulminante ataque cardíaco tirou a vida do dentista, para surpresa e tristeza de seus familiares e correligionários.
Jefferson deixou, no entanto, boas histórias que ele gostava de dividir com os amigos, junto com uma cerveja bem gelada.
A este colunista ele contou, certa vez, que atendeu, em seu consultório, um matuto vindo lá da região do Sertão dos Freire, no caminho para Bertioga.
O homem, um tanto desconfiado, procurou ajuda do dentista por conta de uma infecção que havia transformado seu rosto em algo semelhante a uma bola de futebol.
A situação era grave. O dentista examinou detalhadamente e expôs a situação para o paciente que, de tanta dor, nem demonstrava estar entendendo alguma coisa que o cirurgião lhe explanava.
Resumindo, Jefferson disse a ele que teria de realizar uma cirurgia para drenar toda aquele enorme quantidade de pus depositada na região incrivelmente infeccionada. E já foi logo avisando que, em razão da gravidade do caso, iria lhe aplicar uma anestesia que o faria dormir por uma hora ou mais, tempo suficiente para que ele pudesse executar o serviço.
O matuto levantou-se da cadeira do dentista e, enfiando a mão em um dos bolsos da calça larga, retirou de lá um pacote de dinheiro, que ele começou a desfiar. Jefferson interferiu:
“Meu senhor, eu não costumo cobrar adiantado pelos meus serviços. Após a cirurgia, o senhor me remunera…”
Diante do que o caipira retrucou:
“Não tô pagando… Tô con-tan-do! Quero ter certeza de que estará tudo aqui quando eu voltar da anestesia”.
A propósito: a cirurgia foi um sucesso.