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Vitória de Lula deve provocar um racha no PL de Valdemar

O comando nacional do PL, partido de Jair Bolsonaro, já admite um racha interno na agremiação, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição para presidente, no último domingo (30).  A previsão é de que a ala bolsonarista mais radical do partido vá insistir numa oposição sistemática ao […]

Por O Diário
01/11/2022 17h41, Atualizado há 45 meses

O comando nacional do PL, partido de Jair Bolsonaro, já admite um racha interno na agremiação, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição para presidente, no último domingo (30). 

A previsão é de que a ala bolsonarista mais radical do partido vá insistir numa oposição sistemática ao governo de Lula, enquanto o grupo que sempre foi governista poderá se alinhar com a administração petista.

Será mais uma queda de braço a ser administrada pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, próximo do grupo mais ao centro e menos radical da agremiação.

Segundo cálculos já feitos em Brasília, dos 99 parlamentares eleitos pelo PL para a Câmara dos Deputados, 61 estariam mais próximos de Bolsonaro que de Valdemar, o que não indica que, durante o governo do PT, todos os alinhados ao atual presidente da República integrariam permanentemente o grupo de oposição mais radical a Lula.

Sempre haverá os maleáveis, que poderão apoiar o grupo de Valdemar na hora de algumas votações em plenário.

Valdemar, certamente, irá se valer também de toda a sua experiência para convencer bolsonaristas menos radicais da bancada a se mudarem para seu lado.

E enquanto Bolsonaro se fecha em copas e adia o pronunciamento aceitando a derrota e falando sobre o futuro – talvez apostando no pior, a partir das manifestações ilegais de caminhoneiros –, é praticamente impossível saber o que pensa o presidente sobre o seu futuro na política.

Afinal, ele continuará filiado ao PL, sabendo que terá de conviver em confronto permanente com Valdemar, ou buscará uma legenda para chamar de sua, levando consigo seus aliados mais fiéis? Pode ainda partir para um confronto mais explícito com Valdemar, para tentar tirar dele o comando do partido?

Sem o mandato de presidente, Bolsonaro deve saber que isso será muito difícil, praticamente impossível. E, permanecendo no PL, terá de dançar conforme a música a ser executada pelo antigo dono do partido.

Enfim, a vitória de Lula coloca Bolsonaro numa situação difícil em termos partidários. Afinal, quando ele reconhecer a derrota nas urnas, terá de iniciar uma estratégia político-partidária para fazer oposição ao futuro governo. 

E, decididamente, isso não será assim tão fácil, caso permaneça no PL de Valdemar, que segundo a imprensa de Brasília, já estaria disposto a iniciar negociações para se afinar ao novo governo, a partir da posse, em 2023.

A história do “rei morto, rei posto” talvez explique a insistência do presidente em não aceitar, até o início da tarde de ontem, a derrota no jogo democrático das eleições, do qual ele tomou parte. As dificuldades que encontrará pela frente, a começar pelo interior de seu próprio partido, serão muitas. Algumas delas quase intransponíveis mesmo.

 

Acertos

Esta coluna já estava escrita, quando, no início da tarde de ontem, surgiram as primeiras explicações para a decisão do presidente de, finalmente, se pronunciar sobre o resultado das urnas.

Bolsonaro teria acertado com Valdemar o pagamento pelo PL do aluguel de uma mansão em Brasília, onde ele irá morar com a família; de um salário mensal como consultor da legenda; além de advogados para defendê-lo de 58 processos que correm contra ele na Justiça. O presidente, conta o colunista Leandro Mazzini, da revista IstoÉ, para discursar e pacificar o País, primeiro acertou com Valdemar as garantias para uma vida protegida, longe do Palácio, a partir de 1º de janeiro. Afinal, “ele não tem um instituto com financiadores, está sem defensores jurídicos e nem sabe ainda onde vai morar”, informa Mazzini.

A se confirmarem tais notícias, Bolsonaro estará definitivamente dependente de seu partido, nas mãos de Valdemar.

 

 

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