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Após 28 anos, Teatro Contadores de Mentira pode deixar Suzano

O Teatro Contadores de Mentira pode deixar a cidade de Suzano nos próximos meses, caso não haja uma mudança na política adotada pela Prefeitura Municipal em relação ao território de arte e pesquisa mantido há 28 anos no município. Há alguns meses, a instabilidade sobre a renovação, ou não, do decreto municipal que permite o […]

Por O Diário
11/07/2023 15h57, Atualizado há 34 meses

O Teatro Contadores de Mentira pode deixar a cidade de Suzano nos próximos meses, caso não haja uma mudança na política adotada pela Prefeitura Municipal em relação ao território de arte e pesquisa mantido há 28 anos no município. Há alguns meses, a instabilidade sobre a renovação, ou não, do decreto municipal que permite o uso da área onde o teatro – uma singular estrutura erguida por contêineres que abriga oficinas, espetáculos, festivais e encontros desde 2018 -, preocupa integrantes do projeto.

Com números reunidos em um relatório apresentado ao poder público em mais de 800 páginas e dados como o público de 30 mil pessoas atendidas nos últimos 5 anos em ações online (por causa da pandemia) e presencial, e 336 atividades gratuitas, o Contadores de Mentira condiciona a permanência na cidade à cessão do imóvel por entender que um decreto municipal torna vulnerável esse ofício cultural reconhecido por instâncias como o Ministério da Cultura e a Secretaria Estadual de Cultura.

Desde 2016, o grupo, que anteriormente pagava aluguel de um imóvel, se movimenta para garantir um endereço permanente em Suzano.

Após dois anos de articulação e com o apoio do ex-secretário de Cultura, Geraldo Garippo, em 2018, o lugar onde o teatro que está instalado foi legado ao projeto por um período de cinco anos, por meio de um decreto municipal que se finda no dia 31 de julho.

Em visita recente, em março, segundo conta a atriz e gestora Daniele Santana,  o prefeito Rodrigo Ashiuchi, do PL, afirmara que o decreto municipal deveria ser reedidato por mais 5 anos.

Em abril, no entanto, segundo ela afirma, o grupo foi surpreendido com a chegada de um ofício, assinado pelo secretário de Cultura e vice-prefeito, Walmir Pinto, avisando que o Contadores de Mentira deveria desocupar o espaço até julho.

A decisão levou o grupo a mobilizar deputados, gestores de teatro e o Ministério da Cultura, além de, nos últimos dias, divulgar e repudiar em suas redes sociais a ameaça enfrentada.

Segundo Daniele, a gestão alega “que nós não fazemos a prestação de contas fiscal porque isso não está descrito no decreto municipal, que é o mesmo obtido por outras entidades também atendidas por esse modelo. Além disso, nós não recebemos subsídios municipais”.

Para Daniele, o Contadores de Mentira não é alvo de uma política baseada em avaliação técnica ou mensuração adequada sobre a atuação e resultados do fazer teatral. “Nós acreditamos que somos alvo de uma retaliação política, por sermos contrários à gestão da Secretaria de Cultura”, afirma, comentando que, agora, “após o tratamento desigual, a humilhação e a incompreensão sobre o nosso valor e história”, o projeto condiciona a manutenção do endereço em Suzano com a aprovação da cessão do imóvel.

“Um decreto municipal, que garante a permissão de uso durante determinado tempo, não nos garante a permanência definitiva”, reforça.

Após as publicações sobre as ameaças de fechamento, Daniele opina que houve a construção de uma outra narrativa sobre os fatos ocorridos nos últimos meses.

A pedido de O Diário, na segunda-feira (10), a Prefeitura encaminhou um posicionamento sobre essa pendência, onde esclarece que o decreto municipal foi renovado a partir de 1º de julho até 31 de dezembro e que a renovação da permissão se dará a cada seis meses, mediante a prestação de contas (veja abaixo). 

Futuro

A mudança no posicionamento, no entanto, não freia os planos do grupo de, agora, permanecer na cidade diante da cessão do imóvel.

Segundo Daniele, os próximos meses, “se a cidade não entender a importância dos ‘Contadores de Mentira'”, o grupo buscará ajuda e recursos financeiros para a desmontagem do teatro, erguido de maneira peculiar – com a junção de containeres, que terão de ser desencaixados – além de um outro abrigo,  outro terreno público, na própria região do Alto Tietê, ou em outra cidade brasileira.

O Teatro Contadores de Mentira está situado em localização  privilegiada, ao lado de serviços públicos, como um posto de saúde e uma escola, e próximo dos terminais centrais de trem e ônibus de Suzano, o que facilita a chegada do público de outros bairros e municípios.

Essa casa de teatro tem um projeto diferenciado, pelo material em si e o conceito de ser um teatro rodante, viajante, o que permitirá a mudança para um outro ponto, outra cidade.

Em Suzano, funcionava em ponto conhecido dos suzanenses e visitantes, em um jardim enriquecido pela presença de vegetação e árvores frondosas e antigas.

Ajuda

Daniele ainda não tem os valores da cara e pioneira operação que terá de ser desenvolvida para a desmontagem desta ocupação cultural – mas estima algo em cerca de R$ 100 mil, um dinheiro que não existe no caixa dos Contadores.

Ações como espetáculos e a busca de contribuições começam a ser planejados para garantir a retirado do teatro do local onde ele está.

Apesar da decisão de deixar a cidade, Daniele espera uma revisão da decisão administrativa e da política tomada a respeito do projeto que levou o nome da cidade a países da América Latina e da Europa, além de atender o público da cidade e de São Paulo.

O outro lado

Por meio de nota, a  Prefeitura de Suzano  afirma que recebeu com “estranheza a manifestação do grupo Contadores de Mentira nas redes sociais” sobre a ameaça de fechamento, porque “foi publicado o decreto nº 9.943, de 30 de junho de 2023, que renova por seis meses a permissão de uso do bem público, consistente em um terreno no Parque Maria Helena, onde estão instalados desde 2018. É importante ressaltar que a medida ocorre antes do prazo de vencimento, em agosto”.

Além disso, destaca que “a permissão, renovável a cada semestre, está condicionada à prestação de contas sobre o período de utilização do espaço para que se comprove as contrapartidas acordadas em benefício da sociedade suzanense, tais como peças teatrais, oficinas e outras ações no local. A administração municipal, por meio da Secretaria de Cultura, aguarda um posicionamento oficial da entidade”.

 

 

 

 

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