De 2 a 3 crianças são vítimas de violência por dia em Mogi
Neste ano, entre janeiro e o último dia 15 de março, 192 crianças e adolescentes foram vítimas de violência em Mogi das Cruzes. No ano passado, esse número foi de 2.051, segundo aponta a Secretaria Municipal de Saúde, que reúne os dados surgidos de notificações compulsórias feitas por serviços que atendem casos de agressões físicas […]
15/04/2021 19h06, Atualizado há 64 meses
Neste ano, entre janeiro e o último dia 15 de março, 192 crianças e adolescentes foram vítimas de violência em Mogi das Cruzes. No ano passado, esse número foi de 2.051, segundo aponta a Secretaria Municipal de Saúde, que reúne os dados surgidos de notificações compulsórias feitas por serviços que atendem casos de agressões físicas ou psicológicas, ou de outros tipos de crime, como o que matou o garoto Henry Borel, no Rio de Janeiro.
Esses números norteiam as ações da rede de proteção infantil formada por conselhos como o Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e o Comitê Muncipal de Combate à Violência.
O mapeamento da violência contra menores é fruto de denúncias e registros online, boletins de ocorrência e outras fontes que mostram uma situação que se tornou ainda mais sensível desde o início da pandemia.
As atividades dos gestores e voluntários destes grupos de proteção não foram paralisadas, mas o modelo de isolamento social, com a criança e o adolesente dentro de casa, sem ir à escola, pode favorecer os agressores – esses criminosos, na maiores das vezes, são familiares próximos das vítimas, pais, mães, padrastos, madrastas, tios e avós.
O presidente do CMDCA, Alex George Gonçalves Afonso, afirma que a crise sanitária não paralisou as ações e reuniões ordinárias do conselho, que manteve o diálogo online com agentes da rede de proteção para o encaminhamento de questões como a busca de mais recursos financeiros para o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente. Isso poder ser feito por meio de um repasse permitido durante a declaração do Imposto de Renda, uma fonte que potencialmente poderia garantir a essa causa, em Mogi das Cruzes, cerca de R$ 26,5 milhões. A captação dessa modalidade alcançou, no ano passado, apenas R$ 80 mil.
Alex Afonso afirma que uma das metas deste órgão municipal é alinhar ainda mais a atuação da rede de proteção à criança.
Uma necessidade é melhorar a comunicação entre os órgãos fiscalizadores e as fontes de informação para possibilitar uma busca ativa de casos, antes de se consumar crimes gravíssimos, como o assassinato de crianças e jovens, após surras e outros atentados.
Estimular as denúncias, recebidas pelos Conselhos Tutelares e o Disque 100, um serviço nacional que garante o sigilo do autor da informação, seriam meios de expandir as estratégias de investigação, punição e prevenção.
Além das unidades de sáude e hospitais, onde profissionais são cruciais para identificar a agressão física sofrida por uma criança ou adolescente, Afonso lembra que o ambiente escolar e comunitário auxilia nesse combate.
Desde 2020, esses locais acabaram não cumprindo esse papel, por imposição da pandemia e do necessário isolamento social.
Dados de 2019 mostram que, naquele ano, 336 mogianos menores de 18 anos sofreram agressões físicas e, 210, psicológicas. Foram alvo de violência sexual, 156 mogianos, e negligência infantil, 156.
Na página da Prefeitura, é possível acompanhar as reuniões do CMDCA e os canais de denúncia.