Desafio para CPTM é liberar linhas antes do movimento desta 2ª feira
Equipes de técnicos e funcionários braçais da CPTM e MRS Logística estão trabalhando ininterruptamente na tentativa de desobstruir as linhas 11-Coral e 12-Safira, que servem a região de Mogi das Cruzes, interditadas desde a madrugada do último sábado (3), nas proximidades da Capital, em razão do descarrilamento de um trem de carga que deslocou quatro […]
04/12/2022 10h26, Atualizado há 44 meses
Equipes de técnicos e funcionários braçais da CPTM e MRS Logística estão trabalhando ininterruptamente na tentativa de desobstruir as linhas 11-Coral e 12-Safira, que servem a região de Mogi das Cruzes, interditadas desde a madrugada do último sábado (3), nas proximidades da Capital, em razão do descarrilamento de um trem de carga que deslocou quatro linhas e ainda jogou sobre a ferrovia uma grande quantidade de bobinas e areia, que era transportada.
O objetivo do trabalho, que conta com a ajuda de enormes guindastes das duas empresas, avançou pela noite de sábado e madrugada deste domingo (4), com um só objetivo: promover a retirada de locomotivas, vagões e toda a carga que estava espalhada sobre os trilhos, para que,sem seguida, uma equipe especializada da CPTM promova a recolocação dos trilhos no lugar.
De acordo com uma fonte ligada à CPTM, que não quis se identificar, a fase mais complicada da obra é justamente a retirada do local de vagões e das cargas. Afinal, estão lidando com equipamentos ferroviários que pesam toneladas cada um, além das bobinas que têm peso respeitável. “O trabalho mais simples será a recolocação dos trilhos que foram avariados pelo descarrilamento da composição da MRS Logística, segundo esta fonte.
“O pessoal da CPTM tem grande expertise nisso e, com material à disposição, a recomposição das linhas férreas poderá ser feita rapidamente”, disse a fonte, que esteve no local do acidente e se impressionou com a gravidade da situação.
O grande desafio para essas equipes é concluir os trabalhos durante este domingo, ou no máximo, até o início desta noite, para que as linhas estejam em ordem para operar desde a madrugada de segunda-feira, quando o sistema recebe um número muito superior de passageiros em ralação ao movimento dos finais de semana.
“Tudo está sendo feito o mais rápido possível para que as linhas sejam entregues antes do início das operações de segunda-feira. Pra se ter uma idéia, só a linha 11-Coral, que faz o trabalho entre as estações da Luz (São Paulo) e Estudantes (Mogi) costuma transportar perto de 300 mil pessoas por dia. O Sistema Paese não daria conta da baldeação de toda essa gente, na área do acidente. E pode acontecer um verdadeiro caos no transporte, especialmente nos horários de maior movimento de passageiros”, comenta a fonte.
Pressão
Segundo se sabe, estaria ocorrendo uma forte pressão de parte do comando da CPTM para que as obras caminhem o mais rápido possível. Até mesmo a cúpula do governo paulista estaria preocupada com a situação provocada pelo descarrilamento. Informações não confirmadas dão conta que diretores da CPTM têm comparecido ao local das obras para exigir mais rapidez e eficiência no trabalho, mas ficam lá apenas por algum tempo, para evitar o assédio de jornalistas.
Afinal, até agora ainda não foram devidamente esclarecidas as reais causas do descarrilamento do trem de carga, na madrugada do sábado.
Sabe-se também que na segunda-feira (5) deverá acontecer uma reunião entre diretores das duas empresas ferroviárias justamente para discutir exatamente sobre os motivos e prejuízos causados pela interrupção, ainda que parcial, dos transportes de carga e, principalmente, de passageiros por aquele ponto de grande movimento. Outro assunto que acabará entrando em pauta é o compartilhamento das linhas pelas duas companhias, fator que pesa, em momentos ou situações como a atual.
O caso do acidente e a consequente interrupção parcial do tráfego de trens nas duas linhas de grande movimento ganham contornos ainda mais especiais por terem acontecido num momento muito próximo da transição do governo de Rodrigo Garcia (PSDB) para Tarcísio de Freitas (Republicanos), em que muitos dirigentes querem mostrar serviços para tentar se manter nos atuais cargos.
Caso venha mesmo a ocorrer, a reunião desta segunda-feira promete ser bastante calorosa, pelos temas um tanto espinhosos a serem debatidos no encontro.
Nota oficial
A CPTM acaba de divulgar uma nova nota oficial, a primeira deste domingo, sobre a situação das obras no local do acidente e a operação dos trens:
“Neste domingo (04/12), as Linhas 11-Coral e 12-Safira da CPTM continuam com circulação de trens parcial por causa do descarrilamento de um trem de carga, operado pela MRS Logística, ocorrido na madrugada de sábado (3), próximo à Estação Tatuapé.
Enquanto ocorrem os trabalhos para liberação das vias, o serviço do Expresso Aeroporto continua suspenso.
Na Linha 11-Coral, os trens circulam em dois loops: entre Estudantes e Corinthians-Itaquera e Tatuapé e Luz, ficando interditado o trecho entre Corinthians-Itaquera e Tatuapé.
Já na Linha 12-Safira, os trens circulam em dois loops: entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart e Tatuapé e Brás, ficando interditado o trecho entre Engenheiro Goulart e Tatuapé.
A Linha 13-Jade não foi afetada em nenhum momento e continua operando normalmente da Estação Engenheiro Goulart até Aeroporto-Guarulhos.
Desde a madrugada de ontem (sábado), quando aconteceu o acidente, os técnicos da CPTM em conjunto com a equipe a MRS Logística trabalham de forma ininterrupta para a retirada das peças das vias. Das cinco locomotivas, com dez vagões de carga de areia e seis de bobina de aço, a CPTM já retirou todas as locomotivas e sete vagões de carga de areia. Ainda faltam três vagões de areia e as seis pranchas/vagões de bobina de aço.
A estratégia da equipe de campo foi retirar primeiro as 14 bobinas de aço que estavam sobre as seis pranchas/vagões, por uma questão de segurança, uma vez que cada bobina pesa 30 toneladas. Das 14 bobinas, dez já foram retiradas.
Após a retirada total dos vagões e cargas, a CPTM fará uma avaliação dos danos causados.
Para atendimento aos passageiros, os ônibus do Sistema Paese continuam em operação nos trechos sem circulação até a liberação total das duas linhas.
Os passageiros estão sendo orientandos pelas equipes das estações e por avisos sonoros, além de informações nos canais de relacionamento da companhia. Informações também podem ser obtidas no 0800 055 0121 ou pelo WhatsApp (11) 99767-7030.”