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“Dia do Tietê é uma data de luto, não de festa”, afirma ambientalista de Mogi

Palestras e atos, como uma visita ao rio Tietê, na Ilha Marabá, no Mogilar, deverão marcar as atividades alusivas à data dedicada ao principal manancial do Estado de São Paulo, que nasce em Salesópolís, na região do Alto Tietê, e começa a receber as principais cargas de esgoto logo após os seus primeiros quilômetros. Amanhã, […]

Por O Diário
21/09/2022 11h47, Atualizado há 47 meses

Palestras e atos, como uma visita ao rio Tietê, na Ilha Marabá, no Mogilar, deverão marcar as atividades alusivas à data dedicada ao principal manancial do Estado de São Paulo, que nasce em Salesópolís, na região do Alto Tietê, e começa a receber as principais cargas de esgoto logo após os seus primeiros quilômetros. Amanhã, 22 de setembro, é o dia do Rio Tietê. Haverá a soltura de peixes nativos na Barragem de Ponte Nova, em uma atividade que terá como convidados estudantes da Apae da cidade de Biritiba Mirim.

Em Mogi das Cruzes, o ambientalista José Arraes, integrante do Instituto Cultural e Ambiental do Alto Tietê  (Icati), conta que vai se banhar na margem do rio, como faz anualmente, e pedir “perdão”. “É uma data, há muitos anos, de luto, e não de festa”, resume o morador do Mogilar, que participa de ações, campanhas e a oficialização de denúncias, que buscam conscientizar sobre a degradação e a morte do recurso hídrico.

Arraes destaca a lentidão na execução dos projetos de despoluição das águas que recebem, na cidade, segundo ele estima, mais de 50% dos detritos residenciais sem tratamento, e o avanço da ocupação de sua margem, com o aval de legislações, “que não conseguem deter o mercado imobiliário”.

Alguns projetos, como a ampliação da Estação de Tratamento de Água de César de Souza busca mudar essa realidade.

Com cadeira em órgãos como o Concidade e outros institutos ambientais, Arraes demonstra preocupação com a chegada de condomínios que afetam a salubridade e a vida da mata ciliar e reduziram as antigas nascentes da cidade. Há algumas semanas, ele protocolou denúncia no Ministério Público contra projeto de um empreendimento imobiliário que terá como endereço uma das porções ribeirinha ao Tietê, em Jundiapeba.

De acordoc om o projeto, destaca Arraes, os construtores planejam elevar o nível do solo. “Não há como domar a natureza. Se hoje, uma área recebe aterro, amanhã a enchente será realidade em uma região mais à frente porque o Tietê é um rio lento e de planície”, alerta.

Para o ambientalista, “a porteira foi aberta há muito tempo e a permissividade chegou a um ponto insustentável”. Ele lembra que o avanço da ocupação nas regiões Norte (Serra do Itapeti) e Sul (Serra do Mar e a região das barragens) será o próximo grande golpe à qualidade de vida do município. “Quando mostramos a impropriedade de se ocupar parte da Serra ou da região ribeirinha do Tietê, somos considerados inimigos do crescimento, mas o preço desse crescimento será cobrado pela natureza”, observa.

Arraes também defende a adoção de medidas técnicas como o desassoreamento integral do rio Tietê, no trecho entre a região de César de Souza e a Ponte Grande, e não em pontos específicos, como tem sido planejado pelo governo do Estado. 

Nas próximas semanas, moradores do bairro do Mogilar, preocupados com o projeto de desassoreamento, deverão começar a se articular para cobrar respostas da Prefeitura e do DAEE. “É preciso lembrar que a macrodrenagem é uma responsabilidade do estado, mas as prefeituras são responsáveis pela microdrenagem, é isso não tem acontecido”, finaliza.

Em Biritiba Mirim

Também amanhã está programada uma atividade de educação ambiental que contará com a participação do professor Alexandre Hilsdorf e de integrantes do Laboratório de Genética de Organismos Aquáticos e Aquicultura (LAGOAA), do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), com a soltura espécies de peixes nativos do rio Tietê, na Barragem de Ponte Nova, localizada em Salesópolis.

 Esse laboratório desenvolve pesquisas e ações para preservar espéceis nativas do Tietê. Alunos da Apae, em uma parceria com a Prefeitura de Biritiba Mirim, são os convidados da atividade que tem destacado um dos trabalhos de repovoamento de espécies no Tietê, em parceia com Sabesp. No ano passado, por exemplo, esse programa soltou 11,5 mil peixes na barragem Ponte Nova, no Rio Paraitinga e no Rio Taiaçupeba. 

 

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