Dona Elena, da Primeira Igreja Batista, falece 11 dias após o marido, Geraldo, e o neto, Felipe
A costureira Elena Pereira Lopes faleceu na manhã de hoje (4), 11 dias depois do marido Geraldo Lopes, o Geraldo Ferrugem, com quem estava casada há 56 anos. Antigos moradores do bairro do Rodeio, os dois tinham problemas cardíacos, e não resistiram às complicações impostas pelo coronavírus. Um dos netos do casal, Felipe, de […]
04/04/2021 14h45, Atualizado há 64 meses
A costureira Elena Pereira Lopes faleceu na manhã de hoje (4), 11 dias depois do marido Geraldo Lopes, o Geraldo Ferrugem, com quem estava casada há 56 anos. Antigos moradores do bairro do Rodeio, os dois tinham problemas cardíacos, e não resistiram às complicações impostas pelo coronavírus. Um dos netos do casal, Felipe, de 16 anos, também morreu após testar positivo para Covid-19, e foi enterrado um dia depois do avô.
Dona Elena não soube da morte do companheiro e nem do neto porque já se encontrava inbubada.
A família Lopes é conhecida pela atuação na Primeira Igreja Batista de Mogi das Cruzes. Elena frequentava a PIB, como é carinhosamente chamada, há 60 anos. Ela foi entrevistada no ano passado por O Diário quando passou a costurar máscaras para amigos e doações. Já Geraldo Ferrugem atuou como garçom, locutor de rodeios, vendedor de leite e de ferro-velho, omo contou em uma de nossas Entrevistas de Domingo.
Nascida em Paraguaçu Paulista, ela veio com os pais para Mogi das Cruzes ainda jovem e residiu no antigo Casarão dos Duque, durante o início do casamento. Também trabalhou como costureira em locais como antiga fábrica Gutterman.
Atuante na Igreja Batista, integrava grupos de mulheres dispostas a abraçar ações sociais. Seus bazares para ajudar famílias carentes eram concorridos.
Desde o ano passado, dona Elena vinha cumprindo uma rígida rotina de limpeza de alimentos e de roupas. Usava sempre máscara, como revela a filha, Claudia Elena Lopes LIma. “Esterilizava tudo e vivia muito preocupada porque o meu já tinha a saúde frágil”, comentou.
Apesar disso, membros da família foram contaminados. O casal foi internado na Santa Casa de Misericórdia, onde permaneceu, primeiro, em uma unidade de terapia semi-intensiva e posteriormente na UTI. “Temos de agradecer muito, os médicos Claudio e Rafael, e os funcionários da Santa Casa”, disse Claudia, acrescentando que os três tinham problemas de saúde, o que dificultou o tratamento. O pai fora vítima de dois AVCs, a mãe tinha insuficiência cardíaca, já o neto Felipe, desde o nascimento, conviveu com problemas respiratórios.
Emocionada, a filha agradeceu as manifestações de carinho recebidas. “Só podemos ter confiança em Deus, fé e esperança porque essa é uma doença que ninguem vê chegar e é contaminado. Meus pais e sobrinho, já tinham problemas anteriormente. Infelizmente, temos esse grande atraso do governo na vacinação, no esclarecimento e conscientização à população. Só resta a confiança em Deus para superar as perdas e tanta tristeza”, completou.
Aos 76 anos, dona Elena será lembrada pelos amigos pela disposição, alto astral. vivacidade e dedicação à família. Ela dominou rapidamente as funções da telefonia movel e das redes sociais. Com perfil ativo na Facebook, colecionou amigos, com publicações sobre assuntos como a prevenção à Covid, os pães e outros quitudes que compartilhava com os amigos, em cafés da tarde e encontros (antes da pandemia, claro).
Geraldo e Elena deixam os filhos Claudia, Paulo e Rberto, 11 netos e uma bisneta, além de netos e bisnetos de coração..Ela será enterrada hoje, no Cemitério São Salvador, em cerimônia restrita.