Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Em ano atípico de pandemia, moradores do Alto Tietê contam experiências transformadoras

Do mesmo modo que no ano passado, em função da pandemia do novo coronavírus, a programação da Páscoa de 2021 será novamente fora do habitual. As festividades mais uma vez serão restritas, mas o significado da data segue vivo.  A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais. Trata-se de uma […]

Por O Diário
05/04/2021 18h54, Atualizado há 61 meses

Do mesmo modo que no ano passado, em função da pandemia do novo coronavírus, a programação da Páscoa de 2021 será novamente fora do habitual. As festividades mais uma vez serão restritas, mas o significado da data segue vivo. 

A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais. Trata-se de uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Entre os cristãos, a semana anterior é considerada como Semana Santa. Este período tem início no Domingo de Ramos, que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. Para os judeus, a Páscoa também possui significado muito importante, pois marca a fuga do povo judaico do Egito. 

A origem da palavra Páscoa advém do termo em hebraico Pesach, cujo sentido simbólico é de “passagem”. Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova. 
Esse foi o primeiro feriado em meio à pandemia no ano passado. Um ano depois de a sociedade começar a conviver com a circulação do novo coronavírus, pouca coisa mudou no que diz respeito às restrições e protocolos sanitários, embora muito tenha ficado pior em termos de saúde pública. 

A Páscoa está diretamente ligada à ressurreição e renascimento. Nesta época em que vivemos da pandemia, o significado de renascimento é ainda mais forte. E é ilustrado em quem conseguiu vencer a doença que já matou quase 3 milhões de pessoas no mundo, 300 mil no país, quase 900 em Mogi das Cruzes.

Ricardo Zuim, de Suzano, tinha apenas 3% de chance de sobreviver após o diagnóstico da Covid-19. “Eu me agarrei nesses 3% e hoje renasci”, relata, contando que ‘enxerga a vida com novos olhos’. 

Outros exemplos, como o do casal Zaqueu Nascimento de Souza, de 72 anos, e Maria Conceição Souza, de 68, que recebeu alta médica ao mesmo tempo, após internação de seis dias em decorrência dos sintomas provocados pela Covid-19, mantendo a fé e esperança juntos, refletem o significado da data. 

A notícia da liberação hospitalar foi comemorada em dobro. Afinal, o casal suzanense compartilhou o problema lado a lado, derrotando a tristeza vivida em dias incertos. Os cuidados em casa continuam intensos, assim como o respeito à vida. 

Neste momento de reflexão, O Diário busca outras histórias de superação, que não apenas a luta contra a Covid. 

Cláudio Magri Mendes, de 59 anos, é paciente da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Amputou a perna em janeiro de 2020, após ter uma complicação causada por diabetes, doença que o acompanha desde os 26 anos de idade. Na AACD, ele conta que conheceu diversas histórias de pessoas que mesmo em meio à pandemia, seguem lutando e dando exemplos de superações. 

Apesar do momento de incertezas, é possível encontrar novas forças. “Adaptar-se às novas contingências é necessário neste momento. Atitudes como um carinho, um encontro familiar ajudam a fortalecer e promovem a reflexão sobre a existência”, aposta a a psicóloga e psicopedagoga Katia Seifert. 

Vida Nova após a crise

Estar vivo após uma crise se configura numa oportunidade de novos aprendizados, segundo a psicóloga e psicopedagoga Katia Seifert.

“Situações de grande dificuldade são inerentes à vida”, destaca a profissional.  Depois de períodos de turbulências, explica ela, a vida vai ser diferente, mas será possível.  E diante do cenário preocupante trazido pela Covid-19, Katia lembra que o ser humano não está acostumado com perdas. “Nossa cultura celebra a vida, fazemos festas nos nascimentos. A morte e o enfrentamento de perdas passou a fazer parte do nosso dia a dia, com esta pandemia. A busca pela esperança favorece o bem estar nesse mundo. Deve-se evitar o contato com estatísticas dramáticas e números deprimenes  para não desanimar e perder a esperança que devemos cultivar, mesmo nesses dias difíceis”, diz.

Para renascer após crises, cura de doenças e períodos de dificuldades que pareciam impossíveis de ser superados, ela conclui que é importante ter preparo psicológico para responder positivamente.

Vitória após 100 dias internado

Noventa e quatro dias, ou 2.256 horas. Esse é o tempo que o especialista em treinamento de vendas Ricardo Lúcio Zuim, de 50 anos, ficou internado batalhando contra o novo coronavírus, no Hospital Santa Maria, em Suzano, entre abril e julho de 2020. Deste período, ele esteve em coma por 56 dias, que foram marcados pela angústia e apreensão da família. Segundo as equipes médicas, Ricardo – que foi um dos pacientes que desenvolveu quadro grave da doença –, tinha apenas 3% de chance de sobreviver. Mesmo com as probabilidades desfavoráveis, ele conseguiu superar a doença. Desde que recebeu alta do hospital, iniciou um grande processo de recuperação da doença, que o possibilitou enxergar a vida com ‘novos olhos’. “Graças a Deus eu me agarrei a esses 3% e hoje estou aqui”, comemora Ricardo. 
“Acredito que Deus deu aí a oportunidade de eu viver mais um pouco, 56 dias em coma não foram fáceis”, lembra. Para ele, a infecção foi uma surpresa. 
Ricardo destaca que quando estava no hospital se recuperando, assim que saiu do coma, praticamente não mexia nada do corpo, “nem os braços e nem as pernas”. 

Ele tem uma lembrança forte do período. “Enquanto eu estava no hospital, minha esposa, que não podia me visitar, me enviava diversos aúdios. Em alguns momentos dentro do meu coma, como eu tinha muitos sonhos, esses áudios entravam nos meus sonhos. Era como se ela falasse comigo. Uma das coisas que me ajudou a me manter vivo”.

“A internação é um período solitário para muitas pessoas. Lá no hospital eu e minha esposa Rosana só nos falávamos por mensagem, eu só ouvia as mensagens deles. A psicóloga do próprio hospital me ajudava”, conta. Ele relata que o apoio médico também foi essencial.

Após o longo período de internação, ele começou a apresentar melhoras e recebeu alta, para a alegria da família.  

“Graças a deus hoje estou 80%, ainda recuperando, fica algumas sequelas, perdi 25% da capacidade pulmonar, 50% da filtração dos rins também a audição do ouvido esquerdo e um pouco da coordenação motora”, conta ao lembrar que a Covid-19 não é brincadeira. 

“Não fico me lamentando, porque no período logo após a internação, vi que pequenas coisas da vida, tomar um banho sozinho, comer sozinho, hoje eu dou valor. Eu voltei de 0% para 80%”, aponta. “É como se eu tivesse nascido novamente, é como um bebe”, relata. 

Hoje em casa, o morador de Suzano já retoma parte das tarefas cotidianas e passa a aproveitar melhor o tempo com a família

Ele faz um alerta: “Tem muita gente que não acredita nessa doença, diz que é só uma gripezinha, só perda de paladar, porque não pegou a pior versão da doença. Dê valor para a sua vida. São as pequenas coisas da vida que importam. Evite ficar saindo de casa à toa, fique em casa, se cuide”.
O grau de intensidade da Covid-19 varia de paciente para paciente, o que reforça os cuidados necessários com a doença. 

“Eu perdi parentes para essa doença, quase perdi a minha vida e peço a todos que se cuidem, que protejam o próximo”, diz.

Super-ação

Força de vontade, bom acolhimento e confiança são palavras-chave que marcam a nova fase de vida do engenheiro mecânico Cláudio Magri Mendes, de Mogi das Cruzes, paciente da AACD – organização sem fins lucrativos focada em garantir assistência médico-terapêutica em ortopedia e reabilitação. Cláudio amputou a perna em janeiro de 2020, após ter uma complicação da diabetes, doença que o acompanha desde os 26 anos de idade. Ele conta que já planejava sua reabilitação na AACD, que após um período de pausa por causa do agravamento da Covid-19, retomou os atendimentos presenciais no ano passado. Seu tratamento começou em setembro e hoje ele tem uma história de superação nesta pandemia. 
“Quando eu fui internado e vi a possibilidade de fazer a amputação, já comecei a me planejar, focar nos meus objetivos”, lembra Cláudio, ao citar que também teve um acidente vascular cerebral  (AVC). “Não conseguia andar, mas hoje estou caminhando normalmente”, conta. 

Quando começou seu tratamento na AACD, ele uniu a força de vontade de se manter independente com o acompanhamento especializado de equipes médicas. Na unidade de Mogi, iniciou a reabilitação e também foi acompanhado por psicólogos. “Só tenho a agradecer o atendimento que recebi. Desde o primeiro dia, me senti muito seguro, confiante. E é essa confiança que nos empurra”, relata. 

Dia a dia, ele foi trabalhando sua reabilitação, que apresentou grandes resultados. 

Só o fato de ter conseguido ficar de pé novamente já foi um grande avanço para mim. Sou um cara muito ansioso, muito ativo”, recorda o engenheiro. “Hoje estou quase 100%, faço minhas coisas sozinho, até um simples banho ganha novos significados quando passamos por uma experiência deste tamanho”, frisa. 
A sensação é de grande felicidade, por ter conseguido atendimento em meio à pandemia, fico emocionado e feliz. Gostaria que mais pessoas tenham essa chance”, conta, sempre elogiando as equipes que o atenderam. “Perder um membro assim é um choque muito grande, que só quem experimentou sabe. Mexe com a família, mexe com os amigos. Sabemos que nunca voltaremos a 100%, mas a vida continua. É uma chance de mostrarmos nossa força”, relata o engenheiro.

Cláudio aguarda agora uma prótese definitiva e continua sendo acompanhado na AACD, onde conta ter feito muitos amigos. 

“O que vejo aqui, desde que entro no estacionamento, é um acolhimento muito gostoso. A gente se sente em casa. As equipes sempre estão sorrindo. É uma grande ajuda para a gente.Também foi um choque ver tantas pessoas, até crianças, que lutam para cumprir seus objetivos. Acabei ficando amigo de muita gente, médicos, pacientes, pessoal da administração. Uma verdadeira família”, finaliza. 

Na dor e na cura

Os votos do casamento de “na saúde e na doença” foram levados a sério por Zaqueu Nascimento de Souza, de 72 anos, e Maria Conceição Souza, de 68. O casal permaneceu internado no Hospital Santa Maria, de Suzano, por seis dias por causa das complicações da Covid-19, mas comemorou alta médica ao mesmo tempo.

Apreensivo com o crescimento dos números no Brasil, o casal – ele aposentado e ela dedicada às atividades do lar – tentava manter a rotina de cuidados, até que febre, cansaço e indisposição acenderam a preocupação com o estado de saúde. O diagnóstico obrigou reforço nos cuidados médicos. O pensamento constante nos três filhos e seis netos, além das lembranças de um casamento de décadas, foi companheiro de todas as horas e essencial para que os ânimos se mantivessem em direção a um desfecho vitorioso.

Acostumado a atividades físicas constantes – incluindo puxadas caminhadas de 20 quilômetros –, Zaqueu não escondia a preocupação com a esposa, que vinha se submetendo a rígidos tratamentos contra diabetes e hipertensão. Foram dias de tensão para a família, porém, a evolução dos quadros clínicos servia como estimulante da positividade no Hospital Santa Maria, onde o acolhimento e o atendimento humanizado, aliados à dedicação de todos os profissionais, chamaram a atenção do casal.

“Nossa palavra é de gratidão a todos deste hospital, que é de referência. A dedicação de todos merece ser destacada. O hospital nos preservou para que saíssemos daqui com essa vitória”, afirmaram.

A notícia da alta médica foi comemorada em dobro. Afinal, o casal suzanense que compartilhou, lado a lado, a maior parte da vida deixou unido a instituição de saúde, derrotando a tristeza vivida em dias incertos. 
Os cuidados em casa continuam intensos, assim como o respeito à vida.

AACD de Mogi reúne exemplos

A vida é movimento e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) de Mogi das Cruzes é um local onde centenas de histórias de superação se unem. A associação atende pessoas de todas as idades, recebendo pacientes via Sistema Único de Saúde (SUS), desempenhando papel fundamental na assistência médico-terapêutica em ortopedia e reabilitação. 

Segundo a entidade, o índice de evolução na reabilitação dos pacientes está acima de 80%.
Mais do que palavras, a importância do local é vista em histórias. Como contou o engenheiro mecânico Cláudio Magri Mendes, na página anterior. Após amputar a perna, ele passou por vigorosa reabilitação, com foco no seu objetivo de retomar a autonomia. 
“Acabei conhecendo diversos exemplos, até de crianças e de pessoas que têm em comum a vontade de alcançar seus objetivos. Acabei criando uma família, muitos amigos, que incluem até os médicos e pessoal da administração”, conta ele. 

De acordo com Paula Pavan, gerente da unidade de Mogi das Cruzes, cerca de 2,4 mil atendimentos são realizados todos os meses na cidade. Isso inclui pessoas de todas as faixas etárias. 
Ela relata que qualquer paciente que tenha encaminhamento médico e comprovante de endereço pode ser atendido. “O processo passa pela triagem da Secretaria Municipal de Saúde, que faz uma pré-análise, do perfil para saber se existe o diagnóstico que atendemos”, acrescenta. 
A unidade paralisou as atividades em meados do ano passado por causa da pandemia, mas hoje mantém atendimentos presenciais, bem como virtuais, obedecendo os protocolos sanitários.
“O atendimento é personalizado para cada paciente. O foco é que cada pessoa consiga cumprir seus objetivos, definidos desde o início da reabilitação”, explica Paula, ao acrescentar que existe uma parceria entre os médicos e os pacientes na “base da confiança”, que exige dedicação de ambas as partes.

A fisioterapeuta Cecília Muffo, que atendeu Cláudio, conta sobre a experiência. “É uma sensação muito boa de deve cumprido. A gente trabalha para isso”, considera.

“Esse acolhimento traz bastante segurança para a pessoa, que se sente aberta para tirar as dúvidas com a gente”, acrescenta. 

Cecília atua como fisioterapeuta desde 2007 e, a partir de 2011, assumiu a especialidade na AACD Mogi das Cruzes. “Neste tempo, são muitas histórias surpreendentes”, finaliza. 
Os atendimentos agregam Clínica Médica, Fisioterapia, Fisioterapia Aquática, Terapia Ocupacional, Psicologia, Pedagogia e Fonoaudiologia. 

Inaugurada em 2011, a Unidade de Mogi das Cruzes mantém parceria com o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), atendendo pacientes das seguintes cidades de Arujá, Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim,  Poá, Ferraz de Vasconcelos, Salesópolis, Guararema, Santa Isabel, Itaquaquecetuba e Suzano.

A AACD de Mogi está localizada na rodovia Pedro Romero, 241, no Rodeio, e atende pacientes encaminhados pelas secretarias municipais de Saúde das cidades que integram o Condemat.

Mais noticias

Câmara de Mogi das Cruzes aprova apelo por reforma de estações da CPTM

Novo Atacadão em Mogi deve gerar 600 empregos e investimento de R$ 100 milhões, diz prefeitura

Descubra como a gestão profissional eleva o lucro de clínicas médicas e odontológicas

Veja Também