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Em Mogi, Covid já matou mais neste ano do que em 10 meses de 2020

Dois indicadores mostram que o novo coronavírus já causou mais mortes de janeiro a meados de maio deste ano do que durante os nove meses e meio da pandemia de 2020 em Mogi das Cruzes. Os dados são do Boletim Covid-19 disponível no site da Prefeitura Municipal e do Portal da Transparência do Registro Civil, que […]

Por O Diário
23/05/2021 08h14, Atualizado há 63 meses

Dois indicadores mostram que o novo coronavírus já causou mais mortes de janeiro a meados de maio deste ano do que durante os nove meses e meio da pandemia de 2020 em Mogi das Cruzes.

Os dados são do Boletim Covid-19 disponível no site da Prefeitura Municipal e do Portal da Transparência do Registro Civil, que pode ser acessado no endereço https://transparencia.registrocivil.org.br/especial-covid.

Segundo o site da Prefeitura de Mogi, que contabiliza os óbitos de moradores da cidade seguindo o critério de data de notificação, foram 545 mortes em 2020, sendo que de janeiro a 16 de maio – última atualização do quadro disponível na plataforma oficial da administração municipal – já houve 586 vítimas fatais da doença.

O aumento de mortes em 2021 em comparação ao ano passado é ainda maior se consideradas as certidões de óbitos por Covid-19 emitidas pelos cinco cartórios de registro civil de Mogi, que contabilizam todas as mortes pela doença ocorridas na cidade, mesmo que a vítima não resida no município, mas tenha falecido aqui. Neste caso, são 831 de março a dezembro do ano passado contra 980 de janeiro até a última sexta-feira (21/05), uma diferença de 149 óbitos a mais (veja quadro nesta página).

A Secretaria Municipal de Saúde aponta que o mês mais letal da pandemia em Mogi até o momento foi março de 2021, com 235 óbitos, sendo que apenas no dia 23 do mesmo mês houve 15 mortes, o mesmo número registrado em 8 de abril.

A médica Tereza Nihei, da Vigilância Epidemiológica Municipal, explica que grande parte das notificações dos casos é de responsabilidade das unidades que prestam atendimento e o registro no sistema pode não ocorrer em tempo real, recebendo incrementos até repentinos de casos de ocorrências de data anterior. “O registro de óbitos feito pela Secretaria é em relação aos residentes em Mogi, porém o óbito pode ter ocorrido em outro município, caso o paciente estivesse internado em outra cidade, por exemplo”, detalha.

A profissional avalia que, de acordo com as observações em todo o mundo, a segunda onda da doença tem sido pior que a primeira e, no Brasil, não é diferente. “Realmente, a superioridade da gravidade da pandemia neste ano é uma realidade até assustadora. Sabe-se que o aumento da transmissão depende de fatores como os baixos índices de isolamento social em razão do cansaço natural das pessoas se manterem nesta condição, e a estabilização do número de casos que ocorreram no final do segundo semestre de 2020, ainda que tenha sido em patamares não satisfatórios. Isso trouxe uma falsa sensação de segurança e consequente relaxamento das medidas de proteção. Muitos tiveram necessidade de retomar o seu trabalho para sobrevivência e pela longa duração da pandemia. Neste ano, ainda tivemos a introdução de variantes novas que se demonstraram mais transmissíveis e grande parte da população suscetível”, analisa, acrescentando que em Mogi foi identificada a variante P1 em três óbitos e dois pacientes curados, e não há até o momento registro oficial de reinfecção.
A evolução da pandemia, segundo Tereza, é inversamente proporcional à implantação de medidas de prevenção e proteção. “Quanto mais pessoas cumprirem os protocolos sanitários, menor será a taxa de transmissão e consequentemente menos pessoas doentes. Mas na realidade, atualmente os municípios seguem tendências semelhantes pois hoje a facilidade e rapidez de mobilidade fazem com que todos de uma região apresentem evoluções e perfis epidemiológicos de doenças muito parecidos”, diz.

Após o início da vacinação, que começou pelos idosos e grupos de risco, verificou-se aumento de mortes entre a população mais jovem, descoberta da imunização. “Atualmente, a faixa etária predominante é entre 50 e 59 anos. Creio ser ainda precoce dizer que somente a vacinação tem sido responsável por esta mudança. Fatores como maior exposição dos jovens, não cumprimento das medidas de prevenção, dentre outros podem ter influência sobre o novo cenário”, considera a médica.

 Diante da lentidão para atualização de dados, que exige vários cruzamentos de informações, os números da Covid-19, assim como da gripe espanhola (1918-1920), ainda serão descobertos no futuro. No caso da pandemia do século passado, até hoje há controvérsias. Alguns falam em 17 milhões de mortes, outros em 50 milhões e até em 100 milhões, já que na época ainda não havia os recursos de hoje, como a tecnologia. As infecções, um século atrás, superaram a marca de 500 milhões

Médica orienta para terceira onda

Mogi das Cruzes deve enfrentar a terceira onda da doença, já que a vacinação em massa, uma das estratégias de controle da pandemia, ainda não é uma realidade a curto prazo, o que favorece o surgimento de novas variantes. A explicação é da médica Tereza Nihei, da Vigilância Epidemiológica, que atribui à falta de ações coordenadas entre as esferas federal e as demais os prejuízos para a população, que fica sem amparo financeiro, impossibilitando medidas para evitar a exposição.

“Outro fator que contribui para o não cessar da pandemia é a desinformação pela falta de campanhas voltadas à população sobre a doença e importância das medidas de prevenção. É por isso que a atual gestão reforçou as campanhas de orientação. No Brasil, em razão das dificuldades, como esgotamento causado pela doença, resistência de parte da população em atender as recomendações das autoridades sanitárias e da saúde, escassez de testagens sistemática, que reduz a efetividade das medidas de isolamento e quarentena, o que propicia maior possibilidade de disseminação da doença, a manutenção de registros de casos confirmados em níveis considerados elevados, ainda que em estabilidade, não dá para perceber quando uma onda acaba e quando começa a outra”, detalha Tereza.

A médica avalia que a diminuição de mortes e casos de Covid deve ocorrer apenas quando a grande massa da população for vacinada. “Desde que a vacina utilizada seja eficaz contra as variantes circulantes, então dependemos de receber as doses necessárias para todos. Após duas semanas da 2ª dose, considera-se que a pessoa  esteja imunizada. As vacinas contra a Covid-19 têm proteção importantíssima para as formas graves de praticamente 100%, mas uma pessoa vacinada mesmo com as duas doses pode se infectar com o vírus e manifestar formas mais leves ou não apresentar sintomas e transmitir a doença a outras, o que torna necessário manter as recomendações preventivas, como uso correto de máscaras, distanciamento, etiqueta respiratória, higienização das mãos e evitar aglomerações até que grande parte da população receba a vacina e haja redução da circulação do vírus”, orienta. 

 

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