Em Mogi, falta de oxigênio ameaça a sobrevivência de pacientes com Covid-19
A situação já não é mais crítica; é caótica. O Secretário de Saúde de Mogi das Cruzes disse, em uma live nesta segunda-feira (29), que o oxigênio disponível é insuficiente para atender a demanda de pessoas com sintomas de Covid-19 na cidade. Além disso, para suprir a alta demanda nos hospitais regionais, especialistas como Teo […]
30/03/2021 18h32, Atualizado há 64 meses
A situação já não é mais crítica; é caótica. O Secretário de Saúde de Mogi das Cruzes disse, em uma live nesta segunda-feira (29), que o oxigênio disponível é insuficiente para atender a demanda de pessoas com sintomas de Covid-19 na cidade. Além disso, para suprir a alta demanda nos hospitais regionais, especialistas como Teo Cusatis sugerem a instalação de mini usinas financiadas por empresários. Ainda assim, a Fundação ABC, responsável pela gestão do Hospital Municipal de Braz Cubas, insiste em dizer que até o momento “não houve problema de desassistência a nenhum paciente”.
A disparidade entre as informações é grande. Enquanto o secretário diz que há capacidade para atender apenas 79 leitos no hospital, que hoje conta com 124 vagas ocupadas, a administração do equipamento diz “contar com o apoio da Prefeitura de Mogi no suprimento de oxigênio”. Sim, a mesma prefeitura que tem avisado os munícipes sobre o risco de falta de insumos e medicamentos.
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Segundo Naufel, a troca do atual tanque por um novo e maior já foi solicitada à empresa White Martins, que só “tem agenda” para fazer isso no dia 7 de abril, devido à alta demanda. Ainda de acordo com ele, há no local em que funciona o Centro de Referência do Novo Coronavírus, pelo menos 50 pacientes além da capacidade, recebendo oxigênio “sentados em cadeiras”.
Para saber a extensão do problema, a reportagem de O Diário entrou em contato com as unidades de saúde particulares de Mogi. O Hospital Ipiranga não respondeu a demanda, e o Hospital Santana foi direto e disse que “não comenta o assunto”.
Já o Hospital Santa Maria, de Suzano, disse ter contrato de fornecimento de oxigênio com a AirProducts, e por enquanto não enfrenta dificuldades em relação a este tema.
Diretor desta última unidade, o biomédico e ex-secretário municipal de saúde de Mogi, Marcello Delascio Cusatis, mais conhecido como Teo, aposta a construção de “mini usinas de oxigênio” como saída para a possibilidade de desabastecimento.
Ele diz que, em uma reunião, já abordou o assunto com o presidente do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), Rodrigo Ashiuchi. “Em Mogi tem a White Martins, tem a Air Products. Não vale a pena tentar contato com eles? Será que não construiriam mini usinas para a região?”, argumenta.
Ao dizer isso, Teo cita um caso de Ribeirão Preto, onde a cervejaria Ambev vai adaptar parte de uma fábrica para produzir e envasar oxigênio hospitalar suficiente para atender até 166 pessoas por dia. “Acho que uma força política viabilizaria, não tenho dúvidas. Inclusive acho que os empresários ajudariam a pagar”, defende ele.
O grupo que atende ao Santa Maria, Air Products, revelou a O Diário ter se “precavido antes do aumento da demanda dos hospitais nas regiões Sul e Sudeste e, por isso, até o momento tem conseguido atender ao aumento dos pedidos de seus clientes da área médica que atinge, na média Sul e Sudeste, 100% a mais do que a rotina de abastecimento”.
Para suprir a necessidade extra de repasse de oxigênio, o grupo diz ter colocado em prática algumas ações, como a “priorização de clientes da área médica” e a “conscientização dos hospitais de que o aumento da demanda atinge todos eles”, exigindo comunicado sobre necessidade de insumos “com a antecedência prevista em contrato”.
O Diário também procurou a Secretaria Estadual de Saúde, que comentou a mobilização do governador João Doria para “garantir o fornecimento do gás hospitalar e dos cilindros necessários para a criação de novos leitos”.
Em uma reunião no último dia 22 com fornecedores e “demais empresas que podem contribuir” com o tema, Doria teria assegurado o fornecimento a nível estadual, “sem riscos de desabastecimento”. A informação vem depois que a própria cidade de São Paulo registrou falta de oxigênio, três dias antes deste encontro.
A nota enviada à reportagem cita que os esforços são “para atender a rede estadual de hospitais”, mas também levam em conta “a rede de hospitais públicos municipais, a rede de entidades filantrópicas, as santas casas, e também a rede privada”.
Quando questionada por uma apoio específico a Mogi das Cruzes e demais cidades do Alto Tietê, no entanto, a Secretaria de Saúde não respondeu.