Enfermeira conta sobre o Natal de pacientes com Covid-19 na UnicaFisio
O Natal da equipe de enfermagem da UnicaFisio, em Mogi das Cruzes, é muito diferente neste ano. Por causa da pandemia, há um mês, a unidade funciona como retaguarda para o Centro de Referência do Coronavírus da cidade, instalado no Hospital Municipal, em Braz Cubas. Com 30 leitos – 2 de emergência e 28 de […]
25/12/2020 15h55, Atualizado há 66 meses
O Natal da equipe de enfermagem da UnicaFisio, em Mogi das Cruzes, é muito diferente neste ano. Por causa da pandemia, há um mês, a unidade funciona como retaguarda para o Centro de Referência do Coronavírus da cidade, instalado no Hospital Municipal, em Braz Cubas.
Com 30 leitos – 2 de emergência e 28 de enfermaria – exclusivos para pacientes com casos leves de infecção pelo novo coronavírus e também àqueles em recuperação pós-alta hospitalar, a unidade contava na tarde deste dia de Natal (25) com 13 pessoas internadas, sob os cuidados da equipe formada por duas enfermeiras, quatro técnicos de enfermagem, dois médicos e dois fisioterapeutas.
A enfermeira Luara Longato Casarin, 23 anos, é uma das profissionais que deixaram a família no dia de Natal para se dedicar ao trabalho de cuidar dos pacientes do local no plantão de 12 horas, que teve início às 7 horas e se estenderá até 19 horas.
“Este é um momento de grande fragilidade para os pacientes, que precisam ficar isolados e não podem ver a família. Então, a equipe de enfermagem acaba fazendo parte da família deles enquanto estão internados. Eles nos mostram fotos dos filhos e netos, contam suas histórias e criam uma relação muito próxima de confiança conosco”, conta Luara.
Para amenizar a saudades da família, os enfermeiros costumam ajudar os pacientes a fazerem videochamadas. “Se algum deles não tem celular, os funcionários usam o pessoal deles para que estas pessoas possam falar com os familiares em datas especiais, como este Natal e aniversários”, relata.
Formada há 1 ano e meio, mesmo tempo em que começou a trabalhar no Hospital Municipal, em Braz Cubas, ela cuida exclusivamente de pacientes com Covid-19 desde o início da pandemia, em meados de março deste ano. Também atuou no Hospital de Campanha montado pela Prefeitura de Mogi das Cruzes na avenida Cívica, no Mogilar, e atualmente está na UnicaFisio.
“É uma grande responsabildiade cuidar de pacientes com Covid, deixar nossa casa, a família, e se dedicar 100% para cuidar de quem mais precisa. Apesar dos cuidados, todos os dias, enfrentamos tensão e preocupação constantes, principalmente aqueles profissionais da Saúde casados, com fihos, que moram com os pais, tios, avós ou outras pessoas, porque o medo de se contaminarem e levar a doença para casa é enorme”, relata ela, que já foi infectada pelo novo coronavírus, mas permaneceu assintomática.
Luara residia com os avós, que são idosos, diabéticos e hipertensos, mas como já trabalhava no Hospital Municipal, no início da pandemia, passou a morar sozinha e ficou um bom tempo sem vê-los para preservá-los de uma possível contamínação pelo vírus. “Independentemente da casa para onde eu fosse, era um risco para qualquer pessoa. Então, fiquei sozinha, indo do trabalho para a casa, de casa para o trabalho, com medo de passar a doença para alguém. E mesmo sem ver ninguém de fora do ambiente de trabalho, perdia o sono de preocupação”, conta ela, que hoje vê os familiares com um pouco mais frequência, mas sempre utilizando máscaras e adotando todos os cuidados preventivos.
Durante a pandemia, vários episódios marcam o dia a dia de trabalho da enfermeira, mas o que ela considera mais difícil é a condição de isolamento necessária aos pacientes com a doença. “Eles ficam muito sozinhos e como acabam se apagando muito à equipe de enfermagem, sofremos demais com a perda, quando ela acontece. A agressividade da doença e a rapidez como ela evolui são cruéis. Mas quando eles conseguem vencer a Covid, saem chorando e é um motivo de felicidade também para nós, que ficamos emocionados ao acompanhar a jornada de cada um”, completa.