Estado ainda não entregou todos os leitos no Dr Arnaldo
Foram prometidos 90 leitos exclusivos de tratamento da Covid-19 para o Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Juntiapeba, sendo 40 de UTI e 50 de enfermaria, com implementação gradativa. A abertura começou no último dia 17 de março e o cronograma inicial previa que a unidade estaria com 30 leitos de UTI e 30 de […]
20/04/2021 19h35, Atualizado há 61 meses
Foram prometidos 90 leitos exclusivos de tratamento da Covid-19 para o Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Juntiapeba, sendo 40 de UTI e 50 de enfermaria, com implementação gradativa. A abertura começou no último dia 17 de março e o cronograma inicial previa que a unidade estaria com 30 leitos de UTI e 30 de enfermaria no final do mês. Porém, até a tarde desta segunda-feira (19), a situação ainda era bem diferente.
A unidade opera com apenas 10 leitos de UTI, sendo que oito deles estão em uso – ocupação de 80%. Mantém também 30 vagas de enfermaria, com ocupação de 42,8%, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde.
Existe divergência, já que o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) informa que no local estão operando 48 leitos, sendo 38 de enfermaria e 10 de UTI, segundo publicado por O Diário no último dia 8. Naquela data, a notícia de ambas as partes era que as vagas seriam ampliadas nos próximos dias, o que não ocorreu.
A ativação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e enfermaria no Hospital Doutor Arnaldo Pezzuti Cavalcanti é uma das alternativas cobradas pela Prefeitura de Mogi das Cruzes e pelo Condemat ao governo do Estado para desafogar o sistema de saúde da região no atendimento a pacientes com o novo coronavírus.
A ativação busca dar folego para outros hospitais da região, que ainda não vivem situação confortável: as unidades estaduais do Alto Tietê mantêm leitos reservados e exclusivos para Covid-19. No Hospital Regional de Ferraz são 26 de UTI e 26 de enfermaria, todos ocupados. O Santa Marcelina, de Itaquaquecetuba, opera com 20 de vagas UTI, sendo 80% ocupadas, e 20 de enfermaria, todas com pacientes.
No Hospital Luzia de Pinho Melo são 46 leitos de enfermaria, com 60% de ocupação, e 33 de UTI, com 82% de ocupação.
“É importante destacar que essas taxas de ocupação variam no decorrer do dia em virtude de fatores como altas, óbitos ou transferências para leitos de enfermaria ou UTI, por exemplo”, informa a pasta.
A secretaria também afirma que mantém o monitoramento do cenário da Covid-19 em todas as regiões e admite que a sobrecarga na rede de saúde já é uma realidade em diversos locais e os “serviços do SUS esforçam-se para garantir assistência adequada e oportuna a todos”.
A pasta destaca, ainda, que neste ano foram ampliados leitos no Hospital Luzia de Pinho Melo, Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos e Hospital Padre Bento, em Guarulhos, além da assistência para casos de Covid-19 no Hospital das Clínicas de Suzano.
“Ainda no ano passado foram repassados R$ 34,9 milhões para fortalecer a assistência para casos de Covid na região do Alto Tietê. Além disso, foram enviados mais de 130 respiradores pelo Governo de São Paulo para a região”, traz a nota.
A abertura do leitos no Dr. Arnaldo é cobrada desde março do ano passado. O processo começou, mas parece ter ‘travado’, o que volta a ser motivo de preocupação.
Prefeitos representados pelo Condemat e deputados da região, como o federal Marco Bertaiolli (PSD), vinham cobrando a ativação de mais leitos para atender à alta de casos – que, de fato, ocorreu a partir de março último.
No meio do ano passado, até mesmo uma empresa foi contatada para iniciar a operação, excepcionalmente, do espaço destinado, antes, a um Centro de Tratamento de Dependentes Químicos.
Porém, naquele momento, a taxa de contágio e mortes era menor do que a registrada atualmente.
A abertura dos leitos flerta com a possibilidade de, um dia, no futuro, esse legado servir para tirar do fundo das gavetas da Secretaria de Estado da Saúde, a ampliação do tratamento à dependência química na região do Alto Tietê.