Falta de medicamentos para sedação preocupa Mogi
Além da falta de leitos de UTI para pessoas com sintomas de Covid-19 em todo o país, no Estado e também Mogi das Cruzes há 18 dias seguidos, outra preocupação tem sido recorrente. Em algumas unidades, faltam insumos importantes, como medicamentos que auxiliam no processo de sedação. A situação é incerta no Hospital Municipal de […]
29/03/2021 18h49, Atualizado há 64 meses
Além da falta de leitos de UTI para pessoas com sintomas de Covid-19 em todo o país, no Estado e também Mogi das Cruzes há 18 dias seguidos, outra preocupação tem sido recorrente. Em algumas unidades, faltam insumos importantes, como medicamentos que auxiliam no processo de sedação. A situação é incerta no Hospital Municipal de Braz Cubas: enquanto o prefeito diz que faltam remédios, a Fundação ABC, responsável pela gestão do equipamento, garante que não.
Em nota, o grupo “informa que não houve problema de desassistência a nenhum paciente até momento, apesar da grande demanda por atendimentos na unidade”. Segundo a Fundação, a prefeitura fornece apoio “no suprimento de oxigênio, tendo em vista o aumento em 50% do volume utilizado”.
No entanto, “apesar do cenário extremamente preocupante, não há falta de medicações, insumos ou de oxigênio na unidade, e os pacientes seguem recebendo toda a assistência necessária”.
Já o prefeito Caio Cunha (PODE) dá outra versão dos fatos. Em um vídeo publicado no último sábado (27), ele aparece em frente ao Hospital Municipal, onde afirma haver situação “bem crítica”. “Está faltando leito, já está faltando medicamento, está faltando muita coisa. Não tem mais lugar pra colocar ninguém”, disse.
Um profissional de saúde que trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Oropó, confirma a fala do chefe do Executivo. Segundo ele, a situação é caótica: “falta muita coisa” nos postos de saúde, o que inclui “medicamentos para sedação e oxigênio”.
Em coletiva de imprensa no último dia 19, o Secretário de Saúde de Mogi, Henrique Naufel, disse, “em relação aos kits de intubação”, que já estava “testando altenativas” para que em caso de falta de insumos, fossem utilizados “medicamentos que não tem a mesma função, mas que em somatória com outros” podem apresentar o “mesmo efeito sedativo, de paralisação dos músicos, o que facilita o movimento do ventilador, para que o paciente tenha respiração assistida melhorada”.
Diretor do Hospital Santa Maria, de Suzano, biomédico e segundo ex-secretário municipal de saúde de Mogi, Marcello Delascio Cusatis, mais conhecido como Teo, também comenta que há “revisões de medicações”, com o retorno de uso de “sedativos antigos” em alguns casos.
Para confirmar qual é a situação em todo o Estado, O Diário entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde, que reclama do baixo repasse de insumos por parte do governo federal, que liberou “somente 65.770 ampolas de neurobloqueadores e anestésicos, o que corresponde a apenas 1,9% do que é preciso para atender a demanda mensal da rede pública de saúde de SP, de 3,5 milhões de ampolas. Essa quantidade equivale à necessidade para consumo por cerca de 12 horas na rede pública de saúde”. Na última sexta-feira (26), Mogi recebeu 805 unidades (veja abaixo).
De acordo com a nota enviada para a reportagem, a promessa era de 258.874 ampolas. Ou seja, o volume recebido “representa somente 25,4% da quantidade prometida”. Entre os medicamentos enviados em quantidade parcial, estão “atracúrio, cistracúrio e midazolan”, e nenhum “mL de rocurônio foi viabilizado na entrega deste final de semana”.
Ainda de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, “para diversos itens, o saldo proporcional de São Paulo se esgotou na primeira quinzena de março”. Além da falta de apoio do governo federal, a pasta reclama de “preços abusivos”. “Em alguns casos, o valor proposto para as empresas é quatro vezes maior que preço referencial, o que inviabiliza a compra”, encerra o texto.
É por isso que o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) está abrindo um consórcio para importação emergencial de medicamentos e dispositivos. “Hospitais com falta de kits para intubação de pacientes Covid ou com baixo estoque desses medicamentos” tiveram até esta segunda-feira (29) para manifestar interesse em participar de um acordo que negocia com 166 países.
As unidades que entrarem no consórcio poderão adquirir itens com preços mais baixos, independentemente da quantidade desejada. Ou seja, tanto um hospital que precisar de 100 unidades de um determinado item como outro que necessitar de 10 mil, pagarão o mesmo valor unitário.
Aliás, uma pesquisa realizada pelo SindHosp junto a 81 unidades particulares do Estado mostra que 52% dos hospitais estão com estoque para os medicamentos que compõem o chamado kit intubação para até uma semana de assistência”.
E um levantamento (disponível em formato de carta aberta) da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) também deixa clara “a escassez de medicamentos essenciais para o tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19, especialmente os sedativos necessários para intubação”.
Veja quantos medicamentos Mogi recebeu do Governo Estadual na 8ª Distribuição KIT Intubação, em 26/03/2021
Hospital Municipal de Braz Cubas
700 ampolas de Midazolam 5mg/ml AMP 10ml
20 ampolas de Midazolam 1mg/ml AMP 5ml
25 ampolas de Atracúrio, Besilato 10mg/ml 2,5ml
5 ampolas de Cisatracúrio, Besilato Sol Injetável – 2mg/ml 5ml
Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo
35 ampolas de Cisatracúrio, Besilato Sol Injetável –2mg/ml AMP 5ml
Hospital Dr. Arnaldo Cavalcanti Pezzuti
15 ampolas de Cisatracúrio, Besilato Sol Injetável –2mg/ml AMP 5ml
Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes
5 ampolas de Cisatracúrio, Besilato Sol Injetável –2mg/ml AMP 5ml