Famílias da Vila S.Francisco negam venda de lote e preparam ato em Mogi
Um dos líderes da ocupação Iluminados, na Vila São Francisco, Luiz Ricardo Alves, afirma que não há venda de lotes demarcados há mais de um ano em um terreno municipal, localizado no Distrito de Braz Cubas. A denúncia sobre o comércio de terrenos foi feita pelo secretário municipal de Segurança, Toriel Sardinha, na sessão da […]
01/05/2022 10h29, Atualizado há 52 meses
Um dos líderes da ocupação Iluminados, na Vila São Francisco, Luiz Ricardo Alves, afirma que não há venda de lotes demarcados há mais de um ano em um terreno municipal, localizado no Distrito de Braz Cubas. A denúncia sobre o comércio de terrenos foi feita pelo secretário municipal de Segurança, Toriel Sardinha, na sessão da Câmara Municipal, quando a autoridade voltou a afirmar o compromisso de inibir novas ocupações no local e em outros bairros. Os moradores preparam um ato público contra a segregação racial para o dia 13 de maio, em frente à Prefeitura de Mogi.
Para Alves, “as declarações são preconceituosas e tentam jogar a opinião pública contra os movimentos de luta por moradia. Nos criminalizando (o secretário usa) uma estratégia revoltante”, comentou. Para o líder, o posicionamento é “uma fala segregatória e, do meu ponto de vista, preconceituosa”.
Sobre a denúncia de venda de espaços na ocupação denominada Iluminados, na Vila São Francisco, Luiz Alves declara que “isso não ocorre” e acrescenta que, quando “detectamos algo (nesse sentido), logo tiramos quem quer que esteja fazendo isso”.
Na sessão de quarta-feira última, o secretário Toriel Sardinha afirmou, entre outras coisas, que há venda de lotes no local e denunciou o incentivo às ocupações (leia reportagem).
O terreno onde cerca de 300 famílias vivem desde o ano passado pertence à Prefeitura. Essa área havia sido doada à Trefiltubo Trefilação Mogi Ltda. para fins de atividade industrial – o que acabou não acontecendo.
Uma ação na justiça busca a retirada das famílias, porém, para isso, segundo decisão judicial, a Prefeitura tem de providenciar um destino aos ocupantes, estimados em cerca de 700 pessoas.
Protesto
Desde o final de semana, começou a ser divulgado detalhes de um ato que já havia sido antecipado em reportagem de O Diário. Movimentos populares e da sociedade civil divulgam, pelas redes sociais, um manifesto que será realizado dia 13 de maio, às 17h30, em frente à Prefeitura de Mogi das Cruzes.
A data foi escolhida para marcar o dia da Abolição da Escravatura.
Cerca de 250 pessoas são esperadas pelos organizadores, que vão contar com a presença de entidades sociais e culturais da cidade.
“O dia foi escolhido para falarmos sobre a desigualdade racial, que continua em várias questões sociais, como a falta de moradia, e na representatividade social. Por exemplo, em Mogi, tem apenas um vereador negro”, diz Alves, lembrando que as ocupações na cidade e em outros municípios brasileiros são formadas por 75% de negros.
Segundo ele, o movimento vai destacar, na verdade, “a falsa abolição” porque “31 milhões de pessoas vivem em situações inadequadas no Brasil, enquanto os brancos, correspondem a uma total de 13 milhões”.
O representante lamentou o fato de a ocupação estar sendo tratada como um “caso de polícia”, e não como um resultado da desigualdade no acesso à moradia.
13 de maio
No próximo dia 13 de maio, a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel com objetivo de abolir a escravidão no Brasil, vai completar 124 anos. A data passou a ser considerada como o Dia Nacional da Abolição da Escravatura.
Porém, desde a decada de 1970, por força do engajamento de movimentos negros, a data passou a ser estigmatizada no Brasil. Em 2010, foi sancionada a lei que instituiu Dia Nacional contra de Discriminação Racial, comemorado em 3 de julho.
A data que celebra a luta pela igualdade racial mais comemorada, no entanto, é 20 de novembro, Dia da Consciência Negra que, em Mogi das Cruzes, desde o ano passado, passou a ser considerada oficialmente como feriado municipal.