Festa de S. Pedro na Serra celebra fé e ritos da Mogi antiga
A pandemia mingou, mas não acabou, por agora, com tradições antigas perenizadas por famílias que mantêm casas e sítios na Estrada do Beija-Flor, na Serra do Itapeti. No interior desse patrimônio histórico, cultural e ambiental de Mogi das Cruzes, São Pedro é um dos santos que não foram esquecidos desde 2019, quando a crise sanitária […]
29/06/2022 16h20, Atualizado há 50 meses
A pandemia mingou, mas não acabou, por agora, com tradições antigas perenizadas por famílias que mantêm casas e sítios na Estrada do Beija-Flor, na Serra do Itapeti. No interior desse patrimônio histórico, cultural e ambiental de Mogi das Cruzes, São Pedro é um dos santos que não foram esquecidos desde 2019, quando a crise sanitária revirou o calendário de eventos sociais e religiosos no lugar onde festas caseiras a santos costumam levar filhos dos filhos das primeiras famílias de volta para encontrados ritmados por rezas, bingo e pratos típicos dali.
Nesta quarta-feira, 29, dia do apóstolo considerado o fundador da igreja católica e detentor das chaves do céu, um grupo menor de moradores e ex-moradores da região repetiram a reza do meio-dia, preparam um almoço e se reuniram na casa de Benjamin Pereira de Paula, o Beja, como é chamado por amigos.
Assim como no ano passado, a reza de São Pedro começou ao meio-dia, com um grupo formado por cerca de 40 pessoas – antes da pandemia, independente do dia da semana em que o 29 de junho caísse, centenas de pessoas se reuniam na casa dos pais de Beja, o senhor Benedito e dona Maria de Paula, conhecidos por terem zelado pela Capela de Santo Alberto, uma das mais antigas de Mogi das Cruzes e do Estado de São Paulo.
Além do terço, um almoço foi servido e marmitex levados a cerca de 100 pessoas – que ainda não puderam desfrutar o mesmo ritual, por causa ainda dos cuidados exigidos pela pandemia – boa parte destas pessoas é formada por patriarcas e matriarcas de famílias que ainda vivem, ou mantêm laços com a Serra do Itapeti.
Em 2021, a expectativa de Beja e familiares já era de voltar com a festa nos moldes anteriores – com o encontro de parentes, vizinhos e amigos de Mogi das Cruzes, Guararema e outras cidades vizinhas. Porém, a imposição sanitária postergou, mais uma vez, esse desejo.
A família Pereira de Paula é conhecida, ainda, por zelar um dos mais ricos altares caipiras de Mogi das Cruzes, em uma das casas centenárias ainda resistentes à ação do tempo e outras contigências como o interesse dos filhos em seguir os passos dos pais e avós. É dali, ainda, que a fabricação artesanal da pinga Beija-Flor resiste e caracteriza outro pulmão da região do Itapeti (no passado, tudo o que era consumido era feito pelas próprias famílias do lugar, ou adquirido de viajantes que seguiam entre o Rio e São Paulo pelas estradas antigas da cidade).
Na Serra do Itapeti, São Pedro e outros santos, como Santo Alberto e o Divino Espírito Santo fomentam um calendário caipira e diverso de festas anuais. Mesmo com o desmembramento de muitos imóveis e o franco desenvolvimento de chácaras e sítios, essas tradições ainda são tocadas, como O Diário tem acompanhado desde os anos 1990, quando o furto de peças centenárias na Capela de Santo Alberto, originou uma parceria entre as unidades de São Paulo (USP) – por meio do Museu do Ipiranga, de Mogi das Cruzes (UMC) e a Braz Cubas (UBC) para um levantamento arqueológico sobre a região da capela de taipa de pilão, datada do século XVII.