Fogo em César ameaça o bicudinho-do-brejo-paulista, que está em crítico risco de extinção
Uma grande área de mata queimada nas proximidades do Brejinho de César de Souza aumenta o alerta de pesquisadores e amantes da natureza sobre os riscos de novos registros nesta área de Mogi das Cruzes. É nessa região que vive o bicudinho-do-brejo-paulista, um pássaro em estado criticamente ameaçado de extinção. Esse pássaro foi identificado em […]
24/08/2021 16h50, Atualizado há 60 meses
Uma grande área de mata queimada nas proximidades do Brejinho de César de Souza aumenta o alerta de pesquisadores e amantes da natureza sobre os riscos de novos registros nesta área de Mogi das Cruzes. É nessa região que vive o bicudinho-do-brejo-paulista, um pássaro em estado criticamente ameaçado de extinção.
Esse pássaro foi identificado em 2004 e, pesquisas preliminares a estimam a presença de apenas 300 indivíduos na natureza. O Brejinho de César é a casa nativa deste integrante da familia dos bicudinhos.
Com o nome científico Formicivoro paludicola, que vem do latim, e quer dizer “Papa formiga do pântano”, o estado crítico de extinção porque os brejos sem poluição estão cada vez em número menor.
Desde o início da década passada, uma forte ação, envolvendo, inclusive, denúncias ao Ministério Público, buscam proteger essa região de ameaças como as queimadas, o depósito de lixo e a ocupação irregular das margens desse charco.
Neste final de semana, o fogo por aquelas proximidades coloca em alerta o Grupo Jacutinga de Observadores da Natureza e o Conselho Municipal do Meio Ambiente de Mogi das Cruzes, como revela o veterinário Jefferson Leite, integrante do órgão.
Na semana passada, membros do Conselho, conta Leite, vistoriaram o local e constataram a redução – mas, ainda há a presença de focos de despejo de lixo, o primeiro caminho para degradar e desqualificar o lugar onde o bicudinho vive.
Além do Brejinho de César, e outras áreas pantonosas com essa característica em Mogi das Cruzes, observadores de aves já o encontraram em outros pontos de Salesópolis, Biritiba Mirim. São José dos Campos e Santa Branca. “Ele é nativo dessa região e, portanto, temos de cuidar do seu habitat”, resume o veterinário.
Neste mês, o fogo em um terreno ao lado da via férrea, entre as avenidas Presdiente Castelo Branco e João XXIII, afirma ele, resulta de duas situação: o mato queimado pela geada que está em situação ainda mais apropriada para o fogo, e a falta de consciência das pessoas, que seguem soltando balões, atirando bitucas de cigarro no mato, e deixando, como flagrado por ele, durante reportagem à TV Diário, velas acesas em rituais religiosos.
“Nesse ano, o mato, por causa da geada, está muito mais seco e a facilidade de propagação do fogo é ainda maior”, alerta.
Qual é o risco?
Jefferson afirma que é difícil prever o futuro dessa espécie, sem a conscientização dos moradores do entorno e políticas de conservação dos brejinhos. “É somente ali que ele vive e procria”, conta, lembrando que esse local também é ponto de parada de outras espécies migratórias, que costumam chegar à região entre os meses de setembro e outubro.
Outro inibidor do sucesso das políticas de proteção, admite o especialista, é a falta de pesquisas sobre a espécie. “Ainda temos questões a ser respondidas”, disse quando questionado sobre quanto tempo vive essa espécie, em particular.
Em 2017 e 2018, acidentes ambientais e queimadas foram intensos nessa região da cidade. Após a mobilização popular, inclusive, com a limpeza das margens do Tietê, naquele local, em 2019, a situação esteve mais controlada. No ano passado, no entanto, em setembro, uma área estimada em 10 mil metros quadrados daquela região foi consumida pelas labaredas.
Diferente de agosto de 2019, quando a intensificação da fiscalização deu resutados, como mostrou a reportagem de O Diário, com a redução das queimadas nesta região (leia reportagem)