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Gestão da UPA do Oropó descarta falta de oxigênio e medicamentos na unidade

O Diário recebeu de um profissional de saúde que trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Oropó, em Mogi das Cruzes, uma série de denúncias envolvendo esta unidade de saúde. Segundo ele, que falou anonimamente à reportagem, falta oxigênio, medicamentos para sedação, lençóis, sondas e outros itens utilizados no combate contra a Covid-19. Mas […]

Por O Diário
10/04/2021 08h15, Atualizado há 64 meses

O Diário recebeu de um profissional de saúde que trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Oropó, em Mogi das Cruzes, uma série de denúncias envolvendo esta unidade de saúde. Segundo ele, que falou anonimamente à reportagem, falta oxigênio, medicamentos para sedação, lençóis, sondas e outros itens utilizados no combate contra a Covid-19. Mas o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), responsável pela gestão do equipamento, desmente as afirmações.

Em relação ao oxigênio, de acordo com o denunciante, há “três ventiladores”, mas se for preciso intubar três pacientes, o encanamento não suporta a quantidade de gás necessária, tornando obrigatório o uso emergencial de um cilindro. Segundo o INTS, esta não é a realidade. “A reposição do estoque de oxigênio se dá diariamente e garante o abastecimento em todos os leitos da unidade”, defende a Organização Social de Saúde (OSS), em nota.

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Já no que diz respeito aos medicamentos de sedação, a reclamação traz dados específicos. Com a falta de midazolam e fenitoína, seria necessário “dilacerar diazepam para colocar na sonda dos pacientes”. A  gestão não confirma este procedimento exatamente, mas admite que está em vigor, assim como em outras unidades, a exemplo do Hospital Municipal de Braz Cubas, “o protocolo de sedação alternativo”, que “garante a sedação de pacientes que precisam ser intubados”.

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Ainda segundo o profissional de saúde que atua no local, não há oferta de lençóis para cobrir os pacientes e papéis-toalha para enxugar as mãos após lavá-las. “É uma situação triste”, resume ele, que é contestado pelo INTS. “Os estoques de papéis toalha e a reposição de lençóis também segue normalmente, como pode ser constatado na unidade”.

Outros desdobramentos da denúncia dizem respeito à equipe. A O Diário, o reclamante disse que os colaboradores da UPA do Oropó recebem salários menores do que os profissionais que trabalham em outras UPAs da cidade, como as do distrito de Jundiapeba e do bairro Rodeio, administradas por outra OSS, a Fundação ABC. Além disso, há reclamações sobre a falta de mão de obra no local.

Sobre estes temas, a gestão diz apenas que “a unidade está com seu quadro de funcionários completo e os salários estão de acordo com o preconizado pelo sindicato da categoria”.

 

Pressão psicológica

Para entender se realmente há desfalques no setor, O Diário procurou o Sindicato dos Enfermeiros do Alto Tietê, que pretende publicar, “nos próximos dias”, um documento no Ministério Público do Trabalho pedindo a “revisão do quadro de funcionários” de todas as unidades. Representante da categoria, Rodrigo Romão diz ainda que comunicará o Conselho Regional de Enfermagem para “fiscalizar”.

Segundo ele, a situação é grave por exemplo na UPA de Jundiapeba, onde antes, quando funcionava uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no local, havia um leito. Agora são três. “Na sala de medicação eram só duas cadeirinhas, agora são 12 poltronas. Na observação, eram dois leitos, e agora são 11. A estrutura é diferente, e neste momento da pandemia, piorou”.

Romão também fala do problema da falta de leitos de UTI. Por mais que as unidades solicitem vagas à Cross, não há retorno. “As UPAs têm capacidade para manter pacientes apenas por 24 horas, e eles têm ficado 6, 7, 8 dias. É um problema geral, não há vagas, mas é preciso resolver isso”.

Toda essa situação gera muita pressão psicológica entre os enfermeiros e técnicos de enfermagem. E o sindicato entende que “falta atenção” para com estes profissionais, que pedem “melhores condições” de trabalho.

Vale lembrar que, por estar na linha de frente do combate à Covid-19, estas pessoas são superexpostas ao vírus, mesmo que já tenham tomado a primeira e a segunda dose da vacina. E quando apresentam sintomas, Romão explica que são afastadas, gerando dificuldades de reposição de escala.

Segundo ele, que defende a contratação de mais funcionários, nesses casos a “reposição não consegue ser imediata”, e é preciso lidar com as baixas na equipe, o que “acaba atrapalhando o andamento” dos plantões, e por consequência, do atendimento a quem apresenta os sintomas do novo coronavírus.

 

Evolução rápida

Rodrigo Romão alerta: é difícil traçar um perfil do paciente com sintomas de Covid-19. “Não tem idade. Há um ano, quando a pessoa chegava, não tinha evolução tão rápida. A faixa etária mudou muito e hoje morrem pessoas de 30, 40, 50 anos”. Para o representante do Sindicato dos Enfermeiros do Alto Tietê, “não há comparação” entre 2020 e 2021. “Os números aumentaram, e muito, principalmente o de casos mais graves”.

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