Guarda Municipal de Mogi mantém bases na ocupação da Vila São Francisco
Com base nas entradas da ocupação na Vila São Francisco, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Mogi das Cruzes monitoram a área ocupada na Vila São Francisco, em Braz Cubas, para “evitar novas construções irregulares no local, conforme a legislação vigente”. Moradores do local dizem que a presença das viaturas é intimidante e falam em […]
15/01/2022 11h00, Atualizado há 55 meses
Com base nas entradas da ocupação na Vila São Francisco, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de Mogi das Cruzes monitoram a área ocupada na Vila São Francisco, em Braz Cubas, para “evitar novas construções irregulares no local, conforme a legislação vigente”. Moradores do local dizem que a presença das viaturas é intimidante e falam em opressão, o que é desmentido pela administração municipal.
De acordo com um dos organizadores da ocupação, Luiz Ricardo Alves, de 37 anos, que trabalha com delivery e ali vive com o filho de 11 anos e a mãe de 63, a guarda está “oprimindo a população, dificultando a entrada de carros e pessoas com compras de mercado e feiras” e ainda “falando que vai derrubar os barracos sem ordem”.
De acordo com ele, esta não é a primeira denúncia sobre o tema, e na última noite ele próprio discutiu com um dos guardas. “Estávamos cortando o mato, devido aos pernilongos, porque as crianças estão sendo picadas, e vieram com a viatura para falar que não podíamos. Eu disse que ele (o guarda) não tinha ordem judicial que nos impedisse, que a reintegração já foi suspensa e o processo de congelamento da área extinto. Ele falou que eu deveria me informar mais”, conta.
Além deste relato, Luiz diz que os agentes tentaram impedir outros moradores de “limpar e fazer melhorias no quintal”, procedimentos necessários nestes “dias de chuva, quando está tendo muita lama”. Para ilustrar o que conta, ele enviou as fotos abaixo para a reportagem.
O organizador gravou um vídeo da GCM no local, mas as imagens não mostram qualquer tipo de opressão. Já vídeos de outros moradores registram discussão entre a guarda e as pessoas que ali vivem. Apesar de se ouvir a palavra “agressão”, isso novamente não foi capturado pelas câmeras.
Segundo Luiz, os agentes geralmente mantêm pelo menos uma base em cada entrada da ocupação. “E desde ontem (14), começaram a ficar 24 horas”.
A O Diário, a Prefeitura de Mogi das Cruzes se manifestou sobre a situação, negando qualquer tipo de opressão. Segue abaixo a nota enviada, na íntegra.
“Não há nenhuma ação de desfazimento de qualquer habitação ou moradia no local – até mesmo porque esse tipo de ação só seria possível mediante decisão judicial de reintegração de posse, com amplo apoio do poder Judiciário e do Estado, como a Polícia Militar, para garantir a segurança de todos na área.
A Guarda Municipal e as equipes de Fiscalização de Posturas seguem no trabalho para evitar novas construções irregulares no local, conforme a legislação vigente. Lembrando que a área continua congelada e que novas construções no local permanecem proibidas, até mesmo para a segurança da própria ocupação.
A Prefeitura segue desenvolvendo trabalho social junto aos ocupantes. Desde que a invasão foi identificada, equipes da Administração estiveram presentes na área, ofertando inscrições no Cadastro Único (CAdÚnico), em programas de transferência de renda, inserção no mercado de trabalho e também fazendo a distribuição de itens essenciais, como água, alimentos e cobertores. O último estudo social lá realizado apontou a presença de 117 famílias na área”.
Vale lembrar que, em novembro último, a Justiça autorizou a desocupação na Vl. São Francisco, desde que Mogi ofereça abrigo. E neste mesmo mês, este jornal mostrou que a Prefeitura, além de desenvolver “trabalho social” na área, apoia o processo de desocupação voluntária da área ocupada e auxilia “no retorno das pessoas a seus locais de origem, com custeio de passagem, ajuda com mudanças e oferta de vagas em acolhimento institucional”.