Instituição de Mogi ajuda famílias durante o Natal
“Veja com o coração, a fome dói pra quem sente e na alma de quem se importa”. Esta frase é de autoria de Ronaldo de Abreu, que foi presidente e idealizador do Instituto de Missões Vida em Excelência (Imve). Este ano, a entidade chegou ao 8º evento de Natal, no qual busca fornecer alimentação para […]
24/12/2021 09h23, Atualizado há 56 meses
“Veja com o coração, a fome dói pra quem sente e na alma de quem se importa”. Esta frase é de autoria de Ronaldo de Abreu, que foi presidente e idealizador do Instituto de Missões Vida em Excelência (Imve). Este ano, a entidade chegou ao 8º evento de Natal, no qual busca fornecer alimentação para famílias em situação de vulnerabilidade social de Mogi das Cruzes. Ronaldo, entretanto, não pôde acompanhar essa conquista. Ele foi vítima de um ataque fulminante em outubro.
Todos da instituição sofreram e ainda sofrem muito por conta da perda e o evento passou também a ser uma homenagem para o fundador, além de representar a continuidade concreta dos sonhos de Ronaldo. Para isso, cerca de 80 famílias da cidade – o que engloba quase 200 crianças – receberam cestas básicas, kits de panetones e biscoitos, além de brinquedos. A distribuição incluiu casas na Vila Nova Estação, Conjunto Jeferson, Jundiapeba e Novo Horizonte.
“Não conseguimos nos acostumar, estamos passamos por dias muito difíceis. Ter que fazer tudo sem ele é realmente pesado. Ele estava sempre à frente de tudo, era o cabeça pensante, que conversava com parceiros de maior peso, que conseguia as doações… Agora, temos um processo de readaptação, o que é muito difícil, mas estamos encarando”, diz Heledia Cristina Melo de Oliveira, diretora do Geração sem Fome, um dos projetos da instituição, e que sempre esteve ao lado de Ronaldo na realização das ações.
Atualmente, inclusive, é Heledia quem tem liderado os projetos do Imve. Sem o presidente para fazer o contato com possíveis doadores, ela explica que foi um ano mais difícil para conseguir as arrecadações, já que Ronaldo era quem ficava responsável por essas negociações.
Em 2020, por exemplo, a meta da entidade era entregar 200 cestas básicas, 600 panetones, 2 mil pacotes de bolacha, 70 fardos de refrigerante de 2 litros, 200 aves, 255 brinquedos para meninas, 280 brinquedos para meninos, 25 bonés e 50 mochilas para meninas.
E a pandemia obrigou a entidade a mudar o formato do evento. O primeiro Natal da entidade foi realizado em 2014 e, desde então, eram feitos jantares, com presentes para as crianças participantes e atrações durante o evento. Com o distanciamento social, a ação precisou ser adaptada e as entregas passaram ser feitas casa a casa.
“Nós tivemos de fazer essa redução e selecionamos as famílias com maior necessidade. Mas vamos batalhar para aumentar novamente esse número e sempre com o propósito de dar continuidade a esse sonho que nasceu no coração do Ronaldo”, garante Heledia.
Ronaldo de Abreu e o sonho de levar alimentos às famílias
A fome sempre foi um motivo de grande preocupação para Ronaldo Inácio de Abreu. Os números são realmente assustados: recentemente a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) mostrou que pelo menos 19 milhões de pessoas passam fome no Brasil e 55% das famílias estão em insegurança alimentar, ou seja, não possuem acesso constante e permanente à alimentação.
E mais do que se assustar com esses números, Ronaldo foi atrás de diminuí-los. Nascido em Além Paraíba, um município no interior de Minas Gerais, ele veio para Mogi aos 11 anos de idade. Por aqui, deu início ao programa Geração Sem Fome, em 2013. Três anos depois, em 2016, o Instituto de Missões Vida em Excelência (Imve) saiu do papel e ganhou CNPJ. Em outubro desde ano, o idealizador e presidente da entidade sofreu um infarto fulminante e morreu.
Mas, Ronaldo teve a oportunidade de assistir ao nascimento da Geração Sem Fome, em 2013, quando o projeto fazia a entrega de marmitas. Depois, ele passou por alterações e, agora, entrega cestas básicas mês a mês. No atendimento fixo, são quase 150 famílias mensalmente, mas o número chegou a crescer muito durante a pandemia, indo para 450 famílias atendidas.
“Muitas pessoas vinham nos pedir ajuda quando a pandemia estava na fase mais crítica e a gente dava o máximo para tentar ajudar a todos. Hoje, algumas pessoas que não estão cadastradas no projeto ainda aparecem mês ou outro com um pedido de socorro e nós tentamos ajudar a todos, essa é nossa maior missão”, explica Heledia Cristina Melo de Oliveira, diretora da Geração sem Fome.
A partida de Ronaldo, que tinha 58 anos, pegou todos da Imve de surpresa, mas, mesmo sem ele, a entidade continua com o propósito de diminuir a fome em Mogi e em outros lugares do mundo.
Projetos do Instituto chegam até a África
Fundado em Mogi das Cruzes para ajudar as famílias em situação de vulnerabilidade social da cidade, o Instituto de Missões Vida em Excelência (Imve) alcançou voos ainda mais altos. Hoje, além das 150 famílias do município que recebem auxílio, a entidade tem o projeto EDNA Excelência e Desenvolvimento Norteando a África, que busca combater a fome nas regiões de Dondo e Nhamatanda, em Moçambique.
Com recursos financeiros angariados pela instituição, as doações são feitas por meio de uma casa de câmbio para que as famílias desses locais possam comprar alimentos básicos, como arroz, macarrão farinha e açúcar. O projeto começou em setembro deste ano.
“O Ronaldo estava muito feliz por termos conseguido dar início a esse projeto na África. Ele tinha esse sonho, mas não achou que conseguiria tão cedo. Nós conversamos muito sobre isso no dia em que ele morreu e eu sei o quanto ele estava satisfeito”, conta Heledia Cristina Melo de Oliveira.
O Instituto também está com outro projeto em andamento, desta vez para ajudar Pietro, um garoto de 13 anos de idade. Ele passou por uma cirurgia urgente no encaixe do fêmur com o quadril. Até os 21 anos de idade, não poderá sair da cama hospitalar, já que neste período estará em fase de crescimento dos ossos e não pode se movimentar.
Tudo isso foi causado por um ato de violência doméstica e, para ajudar o menino, a entidade pede doações pelo link www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-o-pietro-a-ter-acessibilidade.