Lideranças destacam união que fez Estado recuar sobre pedágio em Mogi
Uma luta de lideranças políticas, empresariais e da população de Mogi das Cruzes e região, com apoio de O Diário, que durou dois anos e dois meses, chegou ao fim nesta quarta-feira (22), com o cancelamento do edital de concessão de rodovias Lote Litoral Paulista. A concorrência internacional previa a instalação de pedágios na Mogi-Dutra […]
24/12/2021 09h33, Atualizado há 56 meses
Uma luta de lideranças políticas, empresariais e da população de Mogi das Cruzes e região, com apoio de O Diário, que durou dois anos e dois meses, chegou ao fim nesta quarta-feira (22), com o cancelamento do edital de concessão de rodovias Lote Litoral Paulista.
A concorrência internacional previa a instalação de pedágios na Mogi-Dutra (SP-88), Mogi-Bertioga (SP-98) e Padre Manoel da Nóbrega, já no trecho litorâneo, o que vinha sendo alvo de protestos desde 21 de outubro de 2019, quando a proposta foi anunciada, em audiência pública realizada no auditório do Centro Universitário Braz Cubas, na cidade.
Começava ali a intensa mobilização que uniu forças, inclusive de cidades do litoral, também afetadas pela implantação das praças de cobrança, e resultou em manifestações, passeatas, carreatas, abaixo-assinado entregue ao Estado, além de reuniões com representantes do governo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
A mobilização de lideranças do Alto Tietê ganhou o apoio de O Diário desde o início e, além de reportagens sobre os prejuízos que a praça de cobrança traria a Mogi e cidades do Alto Tietê, este jornal passou a publicar uma série de cartas assinadas por lideranças dos mais diversos segmentos contrárias à proposta.
A informação do cancelamento do projeto de concessão, que previa o pedágio, foi divulgada pelo vice-governador Rodrigo Garcia, em reunião nesta quarta-feira (22), no Palácio dos Bandeirantes, na Capital, com prefeitos e deputados da região, além de integrantes da Frente Parlamentar do Alto Tietê e do Movimento Pedágio Não.
Na ocasião, o Governo do Estado confirmou que não fará mais a concessão do Lote Litoral. “Além disto, o governador em exercício Rodrigo Garcia anunciou que os investimentos em rodovias e estradas da região permanecem. As obras nas rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga deverão ser viabilizadas pelo Estado. O projeto executivo da Rio-Santos será contratado em janeiro. O projeto da Mogi-Bertioga será atualizado. A decisão foi anunciada em reunião com a Frente Parlamentar do Alto Tietê e os prefeitos de Mogi das Cruzes e Suzano”, detalhou em nota.
União de forças
A união de forças entre lideranças políticas e empresariais, representantes de vários segmentos da economia e da população de Mogi e região, com apoio de O Diário, é considerada fator decisivo para ter convencido o Governo do Estado de São Paulo a desistir da implantação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra, o que sustentaria a concorrência para concessão das rodovias litorâneas, também cancelada.
O prefeito Caio Cunha (Podemos) atribui a conquista à união de todos. “Não vai ter pedágio hoje, amanhã e nem depois, graças ao clamor da população e à mobilização de lideranças. Este foi um peso muito grande. O governo não esperava que as pessoas fizessem esta mobilização toda, mas obviamente, para que esta força chegasse até o palácio, os prefeitos do Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê) e os deputados da região, todos foram importantes”, enfatiza.
Para o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), a decisão anunciada pelo Governo do Estado nesta quarta-feira (22), confirma o que já era previsto. “Desde o início, disse que este era um projeto esdrúxulo e que nascia morto porque não havia, dentro da tecnicidade de política pública, embasamento para a proposta. Para instalação de uma praça de pedágio são necessárias obras na rodovia ou implantação de serviços públicos, mas a Mogi-Dutra já tem tudo isso, foi construída pelo ex-prefeito Waldemar (Costa Filho), com dinheiro da população, e nos anos 2000, duplicada pelo governador Geraldo Alckmin, e com serviços já prestados pela cidade, como o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que implantei quando prefeito. Não há justificativa”, explicou.
Na avaliação do deputado, o pedágio seria um caça nível para obter recursos para investir na rodovia Rio-Santos. “Além do mais, pretendia-se apropriar da Via Perimetral como se fosse via do Estado. Um projeto sem pé nem cabeça. Vimos união bonita de todos os agentes políticos da cidade e região com a sociedade civil organizada, que fez com que o governo desistisse do projeto”, conclui.
Segundo Paulo Boccuzzi, um dos fundadores do movimento Pedágio Não, após dois anos de luta, esta decisão vinda do governo não poderia ter chegado em melhor hora. “Com a proximidade das confraternizações universais, a nossa população se deu este presente. Demonstrando para todos que quando a causa é justa, quando agimos com garra e perseverança, coisas antes improváveis acontecem. Foi uma vitória que nos trouxe confiança para lutas que certamente surgirão. É importante reforçar que o resultado colhido foi factível através da união de três grandes forças. São estas, a imprensa do Alto Tietê, a classe política da região e a força da população, representada pelo movimento Pedágio Não. Todos remaram na mesma direção e David fez Golias entender que a vida das pessoas é sempre a prioridade maior”, enfatizou