Luci Bonini assina carta de número 62 contra o pedágio
Nesta quinta-feira (12), a professora Luci Bonini, presidente da Academia Mogicruzense de História Letras e Artes (AMHAL) e membro do Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap), assina a carta endereçada à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e ao Governo do Estado contra a instalação de […]
12/08/2021 07h06, Atualizado há 60 meses
Nesta quinta-feira (12), a professora Luci Bonini, presidente da Academia Mogicruzense de História Letras e Artes (AMHAL) e membro do Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap), assina a carta endereçada à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e ao Governo do Estado contra a instalação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
Desde 1º de maio, O Diário publica cartas de autoria de lideranças ou representantes da sociedade civil de Mogi e cidades do Alto Tietê, apontando os prejuízos que a implantação da praça de cobrança, prevista no edital de concorrência internacional da concessão de rodovias do Lote Litoral Paulista, trará à região.
Prezados senhores
É com muito pesar que escrevo essas linhas.
O interesse em rodovias administradas por concessionárias como uma alternativa à melhoria da infraestrutura rodoviária, vêm crescendo. Se por um lado as estradas com pedágio demonstram mais atenção na manutenção, por outro, o usuário se vê obrigado a desembolsar o valor do pedágio que, a cada dia que passa, aumenta.
No caso de Mogi das Cruzes, milhares de veículos deixam a cidade todos os dias, pois muitos trabalham nos municípios vizinhos, ou transportam produtos industriais da região e, também, os advindos do agronegócio para centros de distribuição em São Paulo.
Imagino como pensam esses trabalhadores, prestadores de serviço e produtores que além das despesas com os impostos e o desgaste dos veículos e de outros pedágios das estradas geridas por concessionárias, precisam pensar em desembolsar dinheiro para mais um pedágio.
Quase 557 bilhões de reais foram arrecadados em impostos no Estado de São Paulo desde o início do ano até o momento em que escrevo essa carta. A arrecadação de São Paulo, representa 37,39% da arrecadação do país. Os contribuintes no nosso estado representam 20% da população brasileira, assim como, mais de 30% das empresas e 25% das microempresas ambas, também, do país.
O dinheiro sai do bolso do contribuinte aos poucos, vai minando sua economia já tão afetada pelo cenário atual. E com o acréscimo de mais uma taxa, além dos trabalhadores que vão e vêm todos os dias, o que será que pensam as pessoas que investem na cidade?
Os impostos, meus caros, me lembram o mito grego de Procusto, ou Procrustes, uma lenda com várias versões, uma das quais se encaixa nessa discussão.
Procrustes era um homem que morava nas vizinhanças de Elêusis. Viajantes que passavam por suas terras eram sequestrados por ele, que tinha uma cama de ferro na qual obrigava suas vítimas a se deitarem. Se a vítima fosse menor do que a cama, ele a esticava martelando ou torcendo o corpo para caber, mas se a vítima fosse mais longa do que a cama, ele cortava as pernas para fazer o corpo caber no comprimento da cama. Em qualquer um dos casos, a vítima morria.
Esta história tornou-se proverbial para forçar arbitrariamente – e talvez implacavelmente – alguém ou algo a se encaixar em um esquema ou padrão não natural.
No panorama atual, com o país saindo de uma pandemia, buscando maior crescimento do PIB, da produção, da prestação de serviços e da geração de emprego e renda, mais uma taxa será uma ação de Procrustes, não morreremos como suas vítimas, mas precisaremos de abrir mão de coisas que nos farão falta, com certeza.
Sem mais, despeço-me com o coração consternado.
Luci Bonini é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP,
docente na Fatec – Mogi das Cruzes, presidente da Academia
Mogicruzense de História Letras e Artes (AMHAL)
e membro do Conselho do Patrimônio Histórico,
Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap)