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Médico nega racismo em UPA de Mogi e diz que foi agredido primeiro

O médico Ruben Julio Ribera Leigue, envolvido em uma ocorrência na madrugada deste sábado (8), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oropó, em Mogi das Cruzes, nega que tenha havido racismo por parte dele com o marido de uma paciente que buscou atendimento médico. Ainda de acordo com o profissional, ele foi agredido primeiro e […]

Por O Diário
09/05/2021 18h09, Atualizado há 63 meses

O médico Ruben Julio Ribera Leigue, envolvido em uma ocorrência na madrugada deste sábado (8), na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oropó, em Mogi das Cruzes, nega que tenha havido racismo por parte dele com o marido de uma paciente que buscou atendimento médico. Ainda de acordo com o profissional, ele foi agredido primeiro e “pensou que ia morrer”, em nota enviada ao G1.

De acordo com o relato de Levy, marido da paciente que buscou atendimento na unidade, o médico se negou a atender a paciente e, quando ele foi reclamar com o médico, foi agredido. 

“Quando eu entrei, o médico já estava discutindo com o enfermeiro. Eu perguntei por que ele não queria atender ela, e ele disse que não tinha falado isso e começou a gritar. Eu Falei que ia ficar lá esperando ele atender, porque ele era pago para isso” relata Levy.

Em seguida, segundo Levy, o médico começou a chamar os seguranças e disse que “era pra tirar o pretinho daqui, o macaco. Tira o pretinho”.

“Ele jogou o computador, pegou uma cadeira pra jogar em cima de mim. Tirou o cinto da calça, ficou praticamente de cueca na frente da minha esposa. Eu estou até com hematoma, porque a fivela do cinto ia bater no rosto da minha mulher e eu entrei na frente. Aí comecei a agredir ele também”, relata.

Na versão do médico, ele foi avisado que chegou uma paciente, quando perguntou pela paciente foi informado que já tinha ido embora porque, segundo o enfermeiro, ele não queria atendê-la.

“Nesse momento o acompanhante começou a reclamar da falta de atendimento (como tem mais de um médico, durante a noite tem um momento de descanso e eu estava no meu, não sei por que o outro médico não atendeu pois era a vez dele). Quando estava fazendo a receita para a paciente eu nem percebi, o acompanhante arrancou a folha amassou e jogou no chão e começou me agredir fisicamente, rasgou minhas roupas, subiu em cima de mim, ajudado pela paciente”, relata.

Ribeira diz ainda que chamou por ajuda. “Ninguém me socorreu, nem o segurança fez nada. Pedi pra chamarem a polícia, ninguém chamou. (achei que eu iria morrer ali). Se você tiver acesso as imagens das câmeras terá uma noção do acontecido”, termina a nota do médico.

Após serem separados, Levy conta que acionou a Polícia Militar, mas que o caso só foi registrado pelos policiais depois de muita insistência dele e do enfermeiro. No registro da PM, o caso foi tratado como injúria. Ninguém foi preso ou encaminhado ao DP. 

O Instituto 

Em nota, o INTS informou que a UPA Oropó afirma ter aberto apuração interna para verificar a ocorrência.

Ressalta que o médico não faz parte do corpo clínico fixo, e estava escalado para um plantão de cobertura emergencial. Contudo, já foi afastado, para a devida apuração.

“Ademais, Informamos que a paciente recebeu atendimento médico na data e a equipe da ouvidoria interna fará contato com a paciente para o devido acolhimento”, trouxe a nota.

A Prefeitura

Em nota, a Secretaria de Saúde de Mogi informou que está apurando junto a UPA Oropó, atualmente gerênciada pela organização social INTS, a ocorrência nesta madrugada envolvendo um paciente e um médico.

“A questão está sendo analisada pela secretaria para que possam apurar e tomar as medidas cabíveis”, destaca o texto. 

Secretaria de Segurança Pública

Questionada pela reportagem de O Diário sobre a conduta dos policiais, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) enviou a seguinte nota:

“A SSP, assim como as Polícias Civis e Militar, repudia todo ato de racismo e injúria racial, previstos na lei 7.716/89 e no artigo 140 do Código Penal, respectivamente. A pasta tem intensificado ações e iniciativas dentro das duas instituições para combater esses crimes. Sobre o caso citado, uma equipe da PM atendeu a ocorrência. Quando os agentes chegaram ao local, o agressor já havia deixado seu plantão. Um pintor, de 22 anos, contou aos policiais que o médico recusou a atender sua esposa com dor de dente e passou a agredir e ofendê-lo. Foi registrado um B.O.PM, com a natureza injúria, e uma notificação de ocorrência, entregue para a vítima apresentar na delegacia, quando for registrar os fatos, para que sejam investigados. Vítimas de racismo ou injúria racial podem registrar o crime em qualquer distrito policial no Estado de São Paulo, inclusive na Delegacia Eletrônica (www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br), mesmo se o ato for cometido por meio eletrônico”, trouxe a nota.

A Secretaria também acrescentou que a Polícia Civil está à disposição para recepcionar as vítimas de racismo ou injúria racional e investigar as denúncias. “São Paulo tem uma unidade especializada, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que atua na investigação de crimes relacionados à religião, raça, cor, etnia, procedência nacional, identidade de gênero, orientação sexual, dentre outros. A Decradi mantém cadastro fotográfico de integrantes de grupos que pregam a intolerância. Em 2020, foram registrados somente pela especializada 68 boletins de ocorrência e instaurados 106 inquéritos policiais referentes a crimes relacionados a raça, cor, etnia e procedência nacional. Em 2019, foram 87 e 100 respectivamente”, finalizou a nota.

 

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