Mogi leva lixo comum e até reciclável a aterro sanitário
A incorporação dos resíduos recicláveis recolhidos na coleta seletiva ao lixo comum e encaminhamento ao aterro sanitário de Jambeiro, no Vale de Paraíba, é questionado em Mogi das Cruzes desde março do ano passado, quando a Usina de Triagem da Vila São Francisco foi fechada. A previsão da Prefeitura de Mogi é concluir as obras […]
20/08/2021 13h53, Atualizado há 60 meses
A incorporação dos resíduos recicláveis recolhidos na coleta seletiva ao lixo comum e encaminhamento ao aterro sanitário de Jambeiro, no Vale de Paraíba, é questionado em Mogi das Cruzes desde março do ano passado, quando a Usina de Triagem da Vila São Francisco foi fechada. A previsão da Prefeitura de Mogi é concluir as obras realizadas na unidade até o final deste ano e promete que, assim que estiver em condições, o local voltará a receber os materiais recicláveis.
Enquanto isso, cerca de 260 toneladas destes resíduos que poderia ser reaproveitados continuarão a percorrer os 80 quilômetros que separam Mogi das Cruzes de Jambeiro, a um custo maior do que o da coleta comum, segundo discussão entre os vereadores da Câmara de Mogi e representantes da Peralta Ambiental, em reunião nesta quinta-feira (19), no Legislativo.
A empresa assumiu a coleta de lixo e limpeza pública da cidade em 4 de agosto, mas desde março de 2020, a antiga prestadora do serviço, a CS Brasil, já recolhia os resíduos recicláveis e os levava, junto com o lixo comum, ao aterro sanitário da região do Vale do Paraiba.
“O lixo reciclável é mais leve e volumoso que o comum e também tem o custo da operação. Então, o faturamento com o lixo reciclável é menor e o preço da coleta mais alto que o úmido. Mas isso já acontecia com a empresa anterior, que também fazia a coleta seletiva e levava os materiais ao aterro de Jambeiro”, diz o advogado da Peralta, Leonardo Pegoraro.
Questionada sobre o destino da coleta seletiva, a administração explicou que desde o início da pandemia, em 2020, a separação de resíduos na Usina de Triagem da Vila São Francisco foi suspensa, como forma de prevenção, e os materiais passaram a ser encaminhados a aterro sanitário legalizado.
“Em 2021, com o vencimento do contrato de reciclagem, um novo processo de chamamento foi aberto e a Secretaria do Verde firmou contrato com a Cooperativa Recicladores do Brasil, que assumiu o trabalho. Paralelamente, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente abriu licitação pública para reforma da Usina de Triagem, com investimento de R$ 318.182,44, e as obras estão em andamento”, trouxe nota enviada ao jornal.
A Prefeitura também lembrou que, desde o início da pandemia, os catadores – antes da Cooperativa Cata Sampa – foram transferidos aos ecopontos, onde recebem os resíduos deixados pela população. “Esses materiais seguem o caminho da reciclagem, cada um em sua área específica”, finaliza.
Na reunião da Câmara com representantes da Peralta também foram questionados o valor do contrato emergencial – R$ 6,5 milhões mensais – e as condições precárias da garagem da empresa, no Rodeio.
O vereador Iduígues Martins (PT) apresentou relatório da Vigilância Sanitária determinando interdição parcial do estabelecimento e aplicação de auto de infração por infraestrutura deficiente e necessidade de reforma e manutenção. Também foi solicitado que a empresa apresente declaração da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que valide a implantação do empreendimento, assim como programa de prevenção de risco ambiental.
O advogado da empresa garantiu que os problemas apontados no refeitório, vestiário e banheiro foram solucionados. “O documento da Cetesb já existe dispensando o licenciamento, porque o local é um centro de apoio aos funcionários e não há descarte de resíduos lá”, disse.
Já sobre o valor do contrato emergencial – superior ao da anterior, CS Brasil -, Pegoraro se comprometeu a enviar planilha de custos à Câmara.
A CS Brasil também foi convidada para reunião no legislativo na quinta-feira (19), mas não compareceu e enviou carta explicando os motivos pelos quais deixou de prestar o serviço à cidadee se colocando à disposição para esclarecimentos posteriores, por escrito.
Os vereadores irão analisar as explicações das empresas e, se necessário, podem abrir Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Casa para investigar o caso.
Coleta seletiva tem preço mais alto
A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que no contrato emergencial com a Peralta Ambiental, o valor da coleta do lixo comum (úmido) é R$ 174,94/por tonelada, sendo que o lixo seco (coleta seletiva) custa
R$ 476,00/por tonelada. Já no contrato com a prestadora anterior, a CS Brasil, os valores eram
R$ 144,79/por tonelada de lixo úmido e
R$ 418,40/por tonelada de lixo seco. A administração municipal também explicou que a média de coleta de lixo por mês na cidade é de 11 mil toneladas – cerca de 5% desse total corresponde à coleta de recicláveis.