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Mogi pagará a conta: Mogi–Dutra concentra 48,9% de todo o tráfego das cinco praças de pedágio

O pedágio que a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e o governo de João Doria (PSDB) querem implantar nos dois sentidos da Mogi-Dutra será o sustentáculo financeiro decisivo para o projeto de concessão destinado a beneficiar, principalmente, rodovias litorâneas que servem à Baixada Santista. Documentos obtidos por este jornal mostram que […]

Por O Diário
16/07/2021 16h35, Atualizado há 61 meses

O pedágio que a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e o governo de João Doria (PSDB) querem implantar nos dois sentidos da Mogi-Dutra será o sustentáculo financeiro decisivo para o projeto de concessão destinado a beneficiar, principalmente, rodovias litorâneas que servem à Baixada Santista.

Documentos obtidos por este jornal mostram que a Mogi–Dutra concentra 48,9% de todo o volume de veículos que deverá passar pelas cinco praças de pedágio previstas no projeto da Artesp, ficando à frente das demais, localizadas em Itanhaém (31%), Pedro de Toledo (8,1%) e Bertioga (uma com 4,8% do tráfego e outra, na Mogi-Bertioga, com 8,1%).

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Como a Artesp prevê cobrar um valor maior por veículo no pedágio de Itanhaém, de lá sairá a maior participação em termos de receita, 42,1%, contra 33,2% na Mogi-Dutra, 7,2% em Pedro de Toledo, 4,8% em Bertioga e 8,1% na Mogi-Bertioga.

“Como a extensão da Mogi-Dutra chega a ser ínfima, conforme a própria Artesp diz, a estrada prevê uma das maiores  arrecadações, tornando viável o equilíbrio econômico-financeiro das concessões. Ou seja, Mogi das Cruzes é quem deverá bancar o projeto deles”, afirma o prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE), indignado com tal situação, que o tem levado a recorrer à Justiça e a percorrer os gabinetes da Assembleia Legislativa de São Paulo em busca de apoio político para tentar barrar a instalação do pedágio no trecho de pouco menos de dez quilômetro da Mogi-Dutra, uma estrada já duplicada, “sem qualquer justificativa para receber uma praça de pedágio”.

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Caio tem encontrado terreno fértil entre os deputados que se mostram dispostos a criar a Frente Parlamentar Contra o Pedágio da Mogi-Dutra, pois veem nisso uma oportunidade de questionar o governo por algo que eles consideram “totalmente inoportuno”, logo que tomam conhecimento do projeto da Artesp.

O prefeito de Mogi não esconde que o apoio de deputados da Capital e de outras cidades poderá também incentivar os parlamentares da região a uma maior participação no movimento contra o pedágio.

Tais políticos estariam mesmo precisando de uma injeção de ânimo, segundo Paulo Boccuzzi, fundador do movimento “Pedágio, Não”, que reivindica de deputados e vereadores mais participação e rapidez em suas ações.

Segundo ele, “nós estamos no sentido certo, mas num ritmo incompatível” com o desejo do governo de acelerar cada vez mais a concretização do seu plano de concessão do Lote Rodovias do Litoral Paulista, como a Artesp denominou seu projeto.

Enquanto busca uma maior conciliação entre as agendas regionais dos políticos, Boccuzzi prepara um grande protesto a ser realizado em São Paulo, provavelmente diante da sede da Artesp, já que o acesso às proximidades do Palácio dos Bandeirantes, onde ficam o governador João Doria e seu vice Rodrigo Garcia (PSDB), é mais difícil de ser alcançado por uma manifestação popular.

O ato público na Capital antecederá outra grande manifestação regional, que terá Mogi das Cruzes como sede. 
Mesmo depois de haver admitido, em entrevista à jornalista Marilei Schiavi, da Rádio Metropolitana, que irá apoiar a candidatura de um dos maiores defensores do pedágio, Rodrigo Garcia, a governador, nas eleições do próximo ano, o deputado estadual Marcos Damásio (PL) garante que está fazendo a sua parte nesta luta.

Diz que já fez discurso na Assembleia, participou de manifestações e até já conversou com Doria e Garcia para tentar convencê-los a abandonar a ideia do pedágio. Não conseguiu, mas promete não desistir. Diz que vai continuar adotando a técnica do convencimento. E se nada disso der certo, ele vê a judicialização do caso como alternativa mais viável. 
Quem parece prestes a perder a paciência com o governo estadual neste caso é o deputado federal mogiano, Marco Bertaiolli (PSD). Na semana passada, ele almoçou com Rodrigo Garcia e reportou ao vice-governador “a dificuldade de se concordar com um pedágio sem lógica como este”.

Depois de muita argumentação, o seu interlocutor propôs negociar algum tipo de compensação do governo em troca do pedágio.

“Eu e o prefeito Caio Cunha, no entanto, já decidimos que não vamos aceitar qualquer tipo de contrapartida e não iremos concordar, de modo algum, com esta verdadeira injustiça social que querem cometer contra Mogi”, garantiu. 

Bertaiolli deixou o almoço com a promessa de Garcia de voltar a conversar com a Artesp “para tentar encontrar um novo fator de equilíbrio econômico para as obras”. Mas sem grandes esperanças.

Da outra vez que falaram sobre o assunto, Garcia também lhe prometeu apresentar e discutir com ele o projeto de concessão das estradas antes de ser anunciado, o que não aconteceu.

O representante de Mogi foi pego de surpresa com o anúncio do governo, sem qualquer reunião prévia.
Bertaiolli continua garantindo “trabalhar com todas as nossas forças, política e juridicamente, e não aceitar esse absurdo que só servirá para custear as obras de duplicação de estradas da Baixada Santista”.

Opinião

Mogi sempre soube valorizar seus aliados

Por Darwin Valente

A julgar pela indiferença com que o governo estadual vem tratando  Mogi das Cruzes e região em relação aos seus constantes apelos contrários à instalação de pedágios nos dois sentidos da ligação rodoviária Mogi-Dutra, é bem provável que o governador João Doria, virtual candidato a presidente da República, e seu vice, Rodrigo Garcia, também virtual candidato ao governo do Estado de São Paulo, ainda não tenham atentado para o poderio eleitoral do Alto Tietê.
Nos 11 municípios que integram o extremo Leste da área metropolitana da Capital, convivem 1.685.308 de habitantes (última estimativa do IBGE, em 2020), dos quais, 1.113.592 eleitores (atualizados em junho passado pelo TSE) estarão aptos a votar nas eleições gerais do próximo ano.

Um contingente eleitoral capaz de  influir decisivamente no futuro de qualquer candidato e que, certamente, irá se lembrar de quem trabalhou para melhorar a qualidade de vida da região, da mesma que saberá responder, na urna eletrônica, aos que contribuíram para aumentar as dificuldades do seu dia a dia. Com a instalação de um pedágio em seu principal caminho, por exemplo.

Mogi das Cruzes, em especial, costuma apostar no potencial de políticos que demonstram afinidade com suas principais reivindicações. Foi assim, por exemplo, com um candidato a governador que, acossado pelo seu principal adversário, veio à cidade por mais de uma vez pedindo apoio e prometendo corresponder aos anseios de seus habitantes. 
Era o segundo turno de uma acirrada eleição para o governo estadual  e, ao contrário de outros municípios da Grande São Paulo, Mogi garantiu uma vitória expressiva  ao candidato que representava a linha política de um governador que havia acabado de duplicar o trecho inicial da rodovia Mogi-Dutra.

Foram votos importantes e decisivos para uma vitória que deixava muitas esperanças  em relação ao futuro.
O candidato que Mogi ajudou a eleger chamava-se João Doria Júnior, cujo governo prometeu, mas não realizou, a pavimentação da estrada da Volta Fria e a construção de uma nova ponte sobre o rio Tietê, no Rio Abaixo. 
Isso não bastasse,  ainda passou a ameaçar a cidade e toda a região com um pedágio em seu principal acesso, a Mogi-Dutra, e outro no caminho para o mar, a Mogi-Bertioga.

Assim, Doria agradece a expressiva votação que Mogi lhe deu no primeiro e segundo turnos das eleições passadas.

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