Morre João Pires, 86 anos, a ‘voz das alvoradas do Divino’
A “voz das alvoradas” das festas do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, calou-se em definitivo na tarde desta sexta-feira (4). Após permanecer internado durante 25 dias, no Hospital Santana, em virtude de complicações cardiológicas, faleceu o advogado e cartorário aposentado João Silva Pires, aos 86 anos. Seu corpo será velado neste sábado (5), […]
04/03/2022 21h59, Atualizado há 54 meses
A “voz das alvoradas” das festas do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, calou-se em definitivo na tarde desta sexta-feira (4). Após permanecer internado durante 25 dias, no Hospital Santana, em virtude de complicações cardiológicas, faleceu o advogado e cartorário aposentado João Silva Pires, aos 86 anos.
Seu corpo será velado neste sábado (5), entre 8 e 14 horas, no Velório Cristo Redentor, de onde sairá o féretro para o Cemitério São Salvador para ser sepultado.
Integrante de uma tradicional família mogiana, marcada pela participação comunitária de seus membros, especialmente em atividades religiosas ligadas à Igreja Católica, João era pessoa muito conhecida e admirada na cidade, por conta de seu trabalho junto ao 1º Tabelionato de Mogi, exercido por Leôncio Arouche de Toledo, e mais recentemente, ao 1º Cartório de Notas e Ofício de Mogi, que pertenceu a Roberto Pires, um de seus irmãos, e pelas atividades junto à Festa do Divino Espírito Santo, onde sua atuação se destacava durante as alvoradas, procissões realizadas durante o final das madrugadas e o raiar dos dias de festas.
Era nelas que a voz de João tornou-se reconhecida por todos, já que cabia a ele entoar os cânticos característicos daquela etapa da festa, assim como as orações que acompanhavam a reza do terço durante as procissões pelas ruas ainda silenciosas da cidade adormecida.
Por conta disso, João passou a ser conhecido entre os amigos e parentes como a “voz das alvoradas”, epíteto que ele recebia com indisfarçável orgulho, apesar de sua marcante simplicidade.
Nos últimos dias, João reclamou de estar passando mal. Sabedores de seus problemas cardíacos, os familiares o internaram no Hospital Santana, conde se constatou a ocorrência de uma parada cardíaca. Foram 25 longos dias de alterações na saúde de João, que nesta sexta-feira (4) à tarde não resistiu e faleceu, durante a tarde.
João Silva Pires foi casado com Ana Xavier da Silva e pai de Ana Cristina, Tânia e Andreia, além de avô de seis netos. Era irmão de Sylvio e Emília Pires, assim como de Roberto e Paulo, esses últimos já falecidos.
Repercussão
Logo que a informação sobre a morte de João Pires foi divulgada, muitas manifestações de apreço foram publicadas nas redes sociais. A Associação Pró-Festa do Divino de Mogi se solidarizando com a família de João.
“Calou-se a voz que puxava e dava ritmo à Alvorada da Festa do Divino”, diz a nota, junto com uma foto dele durante a celebração.
O procurador Perseu Gentil Negrão, casado com uma sobrinha de João, publicou uma crônica no Facebook, lembrando sua convivência com a família Pires. “Qualquer aniversário sempre é motivo para comemoração. Nessas festas, o mais animado era o ‘Parabéns a Você’, seguido de uma tradição familiar , de entoar um “Quim quim quero”, quase sempre comandado pelo ‘maestro’ João Silva Pires, que regia o coral”.
“Nas festas – escreveu Perseu -, a presença do João era certa. Um abraço, um sorriso. Era puro, tinha alegria de viver”, diz o procurador do Estado, que lembrou-se de um João capaz de oferecer o ombro amigo em momentos de tristeza e necessidades. “O tio João era o Maestro, pois sabia conduzir a vida como uma grande orquestra, com harmonia, leveza e, especialmente, trazendo paz e alegria”.
Entrevista
No dia 12 de junho de 2011, João Silva Pires foi entrevistado pela jornalista Carla Olivo, de O Diário, quando falou sobre sua vida em Mogi das Cruzes. Acompanhe a entrevista:
Tradicional na Cidade, a família Pires sempre teve forte envolvimento com as atividades da Igreja Católica em Mogi. Na história da Festa do Divino Espírito Santo não poderia ser diferente. Acompanhando a comemoração desde a infância, o mogiano João da Silva Pires, 75 anos, se viu envolvido pela primeira vez nos preparativos do evento em 1958, quando seu pai Francisco da Silva Pires, já viúvo, foi festeiro, ao lado da filha, Emília, e contou com a ajuda dos demais filhos. Era o tempo em que a quermesse acontecia no Largo da Matriz (Praça Coronel Almeida) e os festeiros deixavam uma tina de carne e um barril de vinho disponíveis para que as famílias levassem para casa o suficiente para o preparo do afogado. Em 1992, João e a mulher, a exatora da Coletoria Estadual aposentada, Anna Xavier da Silva Pires, foram escolhidos para comandar a tradição, numa época em que não havia patrocínio e tudo era conseguido com doações. Ao lado do então capitão-do-mastro, Ezelino Xavier Franco, ele saía com a Kombi emprestada da Cúria Diocesana em busca de ingredientes para os doces da quermesse, assim como dos carros de bois para a Entrada dos Palmitos. Há anos, João canta nas alvoradas do Divino, que rompem as madrugadas mogianas durante nove dias. Na entrevista a O Diário, o tabelião aposentado conta suas histórias vividas na Cidade:
O senhor nasceu em qual região de Mogi?
Nasci na casa da Rua Senador Dantas, 498, no Centro, onde meus pais (Francisco da Silva Pires e Maria da Penha Machado Pires) moravam. Eles tiveram 15 filhos, sendo que seis morreram crianças e hoje somos em quatro (Sylvio, Emília, João e Roberto). Todos nós nascemos nesta casa, que ficava na esquina do Beco do Sapo e já foi demolida. Lá foi construído um sobrado. Aquela região era pacata e nós brincávamos na rua, que era de terra e tinha umas pedras enormes em desnível. Em épocas de cheias do Rio Negro, que não era canalizado, o Largo 1º de Setembro (Praça Francisco Ribeiro Nogueira) ficava inundado e os sapos iam para o beco. Eles entravam no quintal e se amontoavam no rancho do meu pai. Meu irmão Sylvio, mais corajoso, tirava os sapos de lá aos montes, com as mãos, para devolvê-los ao beco. Ainda criança, brincando de mocinho e bandido com meus irmãos e amigos, amarramos o Vano, que era neto do Flaviano de Mello, numa árvore na área onde foi construída a Maternidade Mãe Pobre (hoje Hospital Mogi D’or). Só que nós o esquecemos lá e fomos dormir. De madrugada, sua irmã veio perguntar por ele e, então, pulamos a janela do quarto para meu pai não ficar sabendo da arte e fomos tirá-lo de lá.
Ficaram mais histórias?
No Largo 1º de Setembro ficava a biquinha, onde buscávamos água para beber. Perto dali, as mulheres lavavam roupas em um enorme tanque. Elas desciam o morro com as bacias cheias de roupas na cabeça. Nós, quando chegávamos da escola, tínhamos que tirar o sapato e brincar descalços na rua, porque calçado era para ser usado só na escola e na missa. Meu pai trabalhava como recebedor de impostos de água e esgoto, na Prefeitura de Mogi, onde se aposentou, mas com tantos filhos, a vida era difícil. Minha mãe passou o tempo todo de casada praticamente grávida, porque teve 15 filhos e morreu com 55 anos. Meu pai foi casado quatro vezes, duas delas antes de conhecer minha mãe e outra já viúvo.
Quais as lembranças de sua juventude?
Jogava bola no Largo 1º de Setembro e, uma vez, fui chutar a bola e um arame farpado entrou no osso do meu pé. Como o médico Milton Cruz fazia de tudo, me deu anestesia e serrou o osso para tirar o arame com alicate. Depois que o Mercadão passou por reforma, os boxes foram todos para o Largo da Feira e ficavam em cima de um estrado de madeira, mas era comum ver ratazanas andando por lá. Eu ia aos cinemas Vera Cruz, Parque, Odeon, Urupema e Avenida, mas não gostava de bailes e Carnaval. Os filmes seriados nos interessavam tanto que, no final da Copa de 50, deixei o jogo do Brasil para assistir a um deles. Só soube da derrota porque, ao sair do cinema, não ouvia nenhum barulho pelas ruas. Aos domingos, o seriado era do ‘Dick Tracy em Luta’ e, às segundas-feiras, tínhamos ‘Flash Gordon’ e ‘Tarzan’. Enquanto não namorava, passeava no jardim (Praça Oswaldo Cruz) e, aos domingos, comia pizza no Maracanã. Naquele tempo, as portas das casas não ficavam fechadas durante o dia. Elas permaneciam o tempo todo entreabertas, com um paralelepípedo segurando para não baterem. O pão e o leite podiam ser deixados na porta, porque ninguém mexia.
Onde o senhor estudou?
Antes do primário, estudei um ano na escola da Dona Narcisa, na Rua Professor Flaviano de Mello. Depois de lá, fui para o Grupo Escolar Coronel Almeida, onde tive aulas com o senhor Manoel de Lima, dona América e dona Ermelinda. Foram quatro anos de ensino rigoroso e, se fizéssemos arte, éramos levados à diretoria. Em um canto da carteira, ficavam as tintas vermelha e azul e usávamos bico de pena mosquitinho para escrever. Em 1943, ingressei no curso ginasial básico do Liceu Braz Cubas e como meu sonho era ser mecânico de automóvel, com 11 anos fui para o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), onde, antes da especialização, fazíamos um ano e meio de curso vocacional. Um dia, meu pai foi à escola e me tirou de lá porque precisava de mim no Cartório.
Então teve início a carreira no Cartório?
Fui para o Cartório aos 13 anos e ficava responsável por reconhecer firmas, selar e encaminhar os documentos para assinatura do escrevente. O 1º Cartório de Notas e Justiça ficava na Rua José Bonifácio, 360, ao lado do prédio da antiga Prefeitura, e o tabelião era o senhor Leôncio Arouche de Toledo. Uma vez, fui acompanhá-lo no Hospital Santo Ângelo (Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcante), onde levaria uma escritura para assinatura, já que os interessados estavam internados lá e não podiam sair. Era o tempo da hanseníase e ele me orientou a não tocar em nada. Levei um livro pesado, entramos no leprosário e o diretor chamou os interessados numa sala. Na hora da assinatura, era preciso colar um selo na escritura. Bateu um vento e ele caiu no chão. Mais do que depressa, o senhor Leôncio pegou o selo, o passou na língua e o colou no papel. Foi engraçado. Outra lembrança é que, nos tempos do Cartório, formamos o time chamado Associação dos Servidores da Justiça, que disputava jogos amistosos no antigo campo do São João. Faziam parte deste grupo, o Itamar Sene, José Pinheiro Franco, eu, o Roberto e outros que atuavam em Cartório.
Qual sua trajetória neste serviço?
Passei a escrevente e fazia os serviços numa sala do Fórum, quando ele funcionava na Rua Coronel Souza Franco, em cima da Cadeia, onde hoje está a Polícia Militar (Comando de Policiamento de Área Metropolitano – CPAM-12). Além de levar os processos para lá, também datilografava as audiências ditadas pelo juiz Silvio Barbosa e pelo promotor Jorge Herman, quando havia só uma vara. Depois, o Fórum funcionou na Praça Oswaldo Cruz, seguiu para a esquina das ruas Barão de Jaceguai e Braz Cubas e, por fim, foi para o local onde está hoje, na área da antiga Chácara da Yayá (Sebastiana Mello Freire). Com o tempo, o senhor Arouche passou a função de tabelião a seu filho Tico, que por sua vez, depois de anos, a transferiu ao meu irmão Francisco, o Chiquito Pires. Como o serviço no Cartório não dependia de estudos, fui progredindo e cheguei a tabelião, cargo no qual me aposentei, há 30 anos. Hoje, esta função é exercida pelo meu irmão Roberto.
E o envolvimento na Festa do Divino?
Meu pai foi sacristão da Igreja do Carmo por 40 anos, mesmo tempo em que atuou como mordomo do Instituto Dona Placidina, onde administrava a escola subordinado ao diretor. Nós acompanhávamos a Festa do Divino na Cidade, mas sem envolvimento em sua organização. Até que, em 1958, o monsenhor Roque Pinto de Barros, que era vigário da Catedral de Santana, pediu para meu pai ser festeiro. A Festa tinha deixado de acontecer por cinco anos por falta de pessoas interessadas em organizá-la e meu pai, que já era viúvo, aceitou a missão ao lado da minha irmã Emília e os filhos os ajudaram. Neste ano, não houve capitães-do-mastro.
Como era o evento nesta época?
A quermesse do Divino acontecia na Praça Coronel Almeida e, em frente, ficava a Padaria Central. Como era o ano em que o Brasil foi campeão da Copa do Mundo, lembro que na final, o Carlos da Costa, da padaria, colocou uma corneta grande em cima do prédio para transmissão do jogo pelo rádio, já que ainda não havia televisão. O pessoal se reuniu ali, na Dr. Paulo Frontin, para ouvir o jogo e, depois, foi uma festa só. Meu pai contava que, antigamente, após a Entrada dos Palmitos, o festeiro colocava, nos largos do Carmo. e da Matriz, uma tina com carne cortada e um barril de vinho. As pessoas pegavam uma caneca da bebida e um pouco de carne, só o suficiente para o preparo do afogado em casa. O senhor também foi festeiro… Em 1992, o bispo dom Paulo (Mascarenhas Roxo) estava viajando e a época de anúncio dos festeiros daquele ano se aproximava. Então, ele ligou para o padre Attílio Berta para que escolhesse um casal. Ele nos convidou e aceitamos. Lembro que emprestávamos as barracas de eucalipto das escolas e do Clube de Campo, que as usavam nas festas juninas. O Ezelino Xavier Franco e a Zita foram os capitães-do-mastro e, numa Kombi emprestada pela Cúria, íamos buscar, nos sítios, abóbora e laranja azeda para os doces, além de carros de bois para a Entrada dos Palmitos. A quermesse, neste ano, foi no Centro Cívico, e como o Waldemar (Costa Filho, ex-prefeito) estava fazendo obras na Rua Dr. Ricardo Vilela, a Entrada dos Palmitos teve um percurso menor, saindo do Cemitério São Salvador, passando pela Otto Unger, Largo do Carmo e José Bonifácio, até chegar à Catedral. As pessoas participavam por devoção, mesmo os charreteiros e carros de bois, que hoje são contratados para desfilar. A maioria era gente simples, que saía da roça dois dias antes e vinha participar da procissão.
Como a Festa era preparada?
Não tínhamos dinheiro e nem patrocínio. Tudo era na base da doação e fizemos um livro de ouro, que foi aberto pelo Fumio Horii e teve apoio de outras pessoas. As duas universidades (Braz Cubas e de Mogi das Cruzes) forneceram camisetas e lenços vermelhos. Mas quase não havia despesas, porque as doceiras e o pessoal que trabalhava nas barracas da quermesse eram voluntários. Após a criação da Associação PróFesta do Divino, o evento se profissionalizou. Hoje, ele virou uma indústria. Na nossa época, precisávamos revirar a Cúria, que funcionava na Rua Barão de Jaceguai, para procurar fogões, panelas, talheres… Agora, há tudo isso na Casa da Festa, no Mogilar.
Para quem o senhor passou a tarefa?
No final, fizemos um churrasco de confraternização, onde convidei o Miled (Cury Andere, expedicionário) e sua mulher Zezé (Maria José Andere). Eles foram nossos sucessores como festeiros e depois escolheram o Saul (Grinberg) e minha sobrinha Sylvânia, então, tivemos participação também neste ano, quando foi criada a Associação Pró-Festa. Depois disso, passei a participar das alvoradas, puxando as músicas cantadas durante a procissão. O Divino já nos deu muitas graças, então, não perco uma noite de novena.
O senhor tem sua bandeira de festeiro?
Sim, o desenho foi feito pela professora Maria José Camargo, e pintado pela minha cunhada Therezinha Xavier Mariano. O escultor Belini (Romano) me deu de presente a pomba em sucata, para a ponteira da bandeira, que fica ao lado do oratório que montamos em casa.
Quais suas atividades na Igreja, hoje?
Há 40 anos, fazemos parte do movimento de casais chamado Equipes de Nossa Senhora, que visa o aprimoramento da vida conjugal, nasceu na França e chegou ao Brasil há 60 anos e, em Mogi, há 50. Hoje, são 21 grupos na Cidade, divididos em dois setores, cada um sob a orientação de um sacerdote. O nosso é acompanhado pelo padre Dido, da Vila da Prata, e nos reunimos uma vez por mês. Já trabalhamos com várias pastorais, inclusive no curso de preparação de noivos e hoje, levo comunhão aos doentes todos os domingos. Como meu pai sempre foi da Igreja do Carmo, participei da Cruzada Eucarística, na juventude, e já adulto, da Congregação Mariana, onde fazia parte de uma equipe de ping-pong que disputava campeonatos. Quando crianças e adolescentes, eu e meus irmãos tocávamos o sino do Carmo para a reza das 18h30. Subíamos a escadaria e puxávamos as duas cordas, sempre observados pelas corujas, que ficavam nas janelas e voavam quando começávamos a tocar.
Como o senhor conheceu sua mulher?
Somos primos distantes e ela fazia parte da Pia União das Filhas de Maria. Um dia, eu estava ajudando a montar as barracas da quermesse, em frente à Igreja do Carmo, quando a vi passando. Nós nos cumprimentamos, ficamos conversando e fui acompanhá-la até sua casa, na Rua Prudente de Morais, hoje Navajas, no Shangai. Perto da capela da Rua Antonio Cândido Alvarenga, ao lado da Mogidonto, peguei um palito de fósforo e coloquei na cera de uma das velas acesas lá. Disse à Anna que, se o palito pendesse para o lado da casa dela, a levaria até lá. Caso contrário, voltaria dali. Claro que ele foi para o lado certo e, a partir daí, namoramos cinco anos. Nós nos casamos em 18 de junho de 1960, na Igreja do Carmo, em cerimônia realizada pelo Frei Inácio. A festa foi na casa dos meus pais e a luade-mel em Itanhaém.
Onde o casal morou?
Moramos na Rua Ipiranga e depois na Aleixo Costa, até construirmos a casa da Capitão Mariano, onde estamos há 35 anos. Quando compramos o terreno aqui, a rua era de terra e havia poucas casas. Hoje, estamos no Centro.
E após a aposentadoria?
Ainda hoje, quando é preciso, ajudo o Roberto no Cartório, que me manda os livros antigos para que eu os traduza. Tudo era escrito com bico de pena e tinteiro, sendo que a primeira letra tinha estilo gótico. Há documentos interessantes, como os de venda e permuta de escravos por terrenos. Além disso, existem informações sobre as terras que pertenciam à Ordem do Carmo, que iam da Igreja até Sabaúna. As pessoas foram tomando posse e fazendo usucapião destas áreas. Hoje, os documentos até 1920 estão no Arquivo Histórico do Estado de São Paulo. Quais suas distrações? Gosto de ver televisão, de acompanhar os jogos do meu time, o São Paulo, e de me reunir com a família. Nestas datas, costumo cantar uma música que aprendi ouvindo a turma da Juventude Operária Católica (Joc), formada por trabalhadores da indústria. Eles se reuniam no prédio em frente à nossa casa, na Senador Dantas, e eu sempre ia vê-los jogando ping-pong.