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Movimento Pedágio Não prepara ações para barrar cobrança na Mogi-Dutra

Narizes vermelhos de plástico, como os comumente utilizados por palhaços, devem ser adotados por integrantes do Movimento Pedágio Não na audiência que o Governo do Estado promete agendar para discussão da retomada dos estudos que prevê implantação de cobrança pela circulação de motoristas na rodovia Mogi-Dutra.  A informação é de Paulo Boccuzzi, um dos fundadores […]

Por O Diário
10/06/2023 08h08, Atualizado há 36 meses

Narizes vermelhos de plástico, como os comumente utilizados por palhaços, devem ser adotados por integrantes do Movimento Pedágio Não na audiência que o Governo do Estado promete agendar para discussão da retomada dos estudos que prevê implantação de cobrança pela circulação de motoristas na rodovia Mogi-Dutra. 

A informação é de Paulo Boccuzzi, um dos fundadores do grupo, que em 2021 realizou uma série de protestos em forma de carreata e passeata, além de abaixo-assinado com adesões de moradores, lideranças e representantes de vários segmentos da sociedade de Mogi e demais cidades do Alto Tietê.

“Já estamos articulando uma manifestação caso o Governo do Estado venha a agendar uma audiência pública em Mogi das Cruzes, como foi informado recentemente. A ideia é encher o local da audiência com cada mogiano usando seu nariz de palhaço em forma de protesto, para mostrar que não aceitamos esse pedágio e não queremos mais ser destratados em relação a esse tema”, afirma Boccuzzi.

Mas enquanto a audiência pública ainda não é agendada pelo Estado, o movimento cuida de retomar os contatos dos moradores e lideranças que participaram das ações para barrar a proposta, em 2021. “Em primeiro lugar, estamos reativando nossas redes sociais, com foco no Instagram, que será nosso novo canal de comunicação com a população, já que as pessoas o utilizam mais agora do que o Facebook, que foi nosso veículo em 2021”, considera.

Desde o anúncio da retomada dos estudos que visam a cobrança no sistema free flow nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, o movimento, assim como as demais lideranças da cidade e Alto Tietê, que viram o ‘fantasma’ do pedágio ressurgir após a suspensão da proposta em 22 de dezembro de 2021, pelo então governador Rodrigo Garcia (PSDB), acompanham o processo com preocupação.

“Depois de tudo que já foi estabelecido em relação a esse assunto, parecia que isso tudo já tinha sido superado. Mogi e demais cidades da região já mostraram sua opinião em relação a isso de maneira exaustiva, com os pontos negativos desse projeto, e conseguimos deixar claro o quanto um projeto que contemple um pedágio na entrada de Mogi é algo inadequado e incorreto tanto do ponto de vista jurídico como técnico. Após levantarmos tudo isso, a cidade em massa se opôs”, pontua Boccuzzi. 

Ele disse que o movimento recebeu a notícia da retomada dos estudos com surpresa. “Acreditávamos que quando um novo governo assume, primeiro precisa analisar o contexto de tudo que aconteceu na gestão anterior. A insistência desse novo governo em reativar um projeto como esse é uma demonstração de que não tem o conhecimento do histórico desse assunto dentro do próprio Governo do Estado”, critica.

Mesmo que o novo modelo de cobrança seja com base na quilometragem percorrida pelo motorista na via, Boccuzzi diz que o movimento é contra. “Isso ainda é um assunto muito evasivo, porque de qualquer forma, não deixa de ser uma cobrança. O sistema free flow é um modelo americano utilizado em espaços e intervalos curtos, diferentes dos pedágios do Brasil, onde há intervalos de 40 quilômetros ou mais, então, como não apresentaram qualquer projeto, não temos uma boa referência para dizer se vai ser cobrado quilômetro a quilômetro. Acreditamos que não. E por outro lado, mesmo que a cobrança seja por proporcionalidade e até considerada por alguns como mais justa, ainda é uma cobrança, numa rodovia que funciona como se fosse uma marginal Tietê, com acesso a bairros da cidade”, atenta.

Alto Tietê aposta na união de forças

Formado em sua maioria por moradores dos condomínios residenciais Aruã, na divisa de Mogi das Cruzes e Suzano, onde vivem cerca de 10 mil pessoas, o Movimento Pedágio Não também concentra lideranças das 10 cidades da região do Alto Tietê, que na última prévia do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontava 1,7 milhão de pessoas.

 Na semana passada, o movimento recebeu o contato da Câmara de Arujá, com a informação de que a classe política de Arujá também está atenta à retomada de estudos para cobrança na Mogi-Dutra por parte do Governo do Estado. “Eles também estão nos pedindo um canal de diálogo para o fortalecimento entre as cidades. Então, podemos afirmar que estamos na condição não apenas de representantes de Mogi, mas de toda a região”, destaca Paulo Boccuzzi, um dos integrantes do movimento.

O grupo também aposta na força da representatividade do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) para barrar a iniciativa do Estado, já que o prefeito de Mogi, Caio Cunha (Podemos), atualmente é o presidente do Condemat. “Mais do que contra o pedágio, o prefeito Caio, no momento em que negociou o seu apoio à candidatura do então governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no segundo turno das eleições, colocou como condição que um projeto de pedágio na nossa região não fosse reativado. Então, este foi o compromisso e isso será cobrado”, alerta.

Boccuzzi também enfatiza que a proposta das praças de pedágio nas rodovias com acesso a Mogi das Cruzes (Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga) já trouxe desgastes políticos desde a época do ex-governador João Doria (PSDB), passando por Rodrigo Garcia, que suspendeu a concessão prevendo os pedágios, em 2021, e agora chegando a Tarcísio. “Além de não terem conseguido colocar o projeto em prática antes, exatamente por causa da pressão popular e dos questionamentos na Justiça, houve muito prejuízo político. Mas agora, talvez isso não esteja sendo levado em consideração pela atual gestão, que precisa buscar estas informações para perceber o quanto esta questão é repudiada por todo o Alto Tietê”, reforça. (C.O.)

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