MP dá mais prazo para Prefeitura e insiste na exoneração de Naufel
O Ministério Público informa que a promotoria de Justiça de Saúde Pública de Mogi das Cruzes decidiu adiar o prazo para o prefeito Caio Cunha (PODE) se manifestar a respeito do pedido de afastamento do secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel. A prorrogação foi pedida pela Prefeitura, durante reunião que aconteceu nesta quinta-feira (8) entre […]
08/04/2021 18h17, Atualizado há 64 meses
O Ministério Público informa que a promotoria de Justiça de Saúde Pública de Mogi das Cruzes decidiu adiar o prazo para o prefeito Caio Cunha (PODE) se manifestar a respeito do pedido de afastamento do secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel.
A prorrogação foi pedida pela Prefeitura, durante reunião que aconteceu nesta quinta-feira (8) entre o prefeito, vice-prefeita, Priscila Yamagami e representantes da Procuradoria Geral do município com a promotoria para o prefeito apresentar a sua manifestação sobre a recomendação feita pelo MP, que pediu o afastamento do secretário por ter furado a fila da vacina contra a Covid-19 em Mogi.
“Com isso, foi solicitado ao MP um novo prazo para a definição. A promotoria compreendeu a gravidade do momento e propôs mais 15 dias para a conclusão das tratativas”, confirma a nota da Prefeitura.
O MP atendeu à solicitação, mas deu “um novo prazo improrrogável de 15 dias para o prefeito se manifestar sobre a recomendação”, que foi feita pelo promotor de Justiça da Saúde, Fernando Lupo. A Promotoria não informou se existe a possibilidade de rever a recomendação de afastamento do secretário.
Naufel foi o segundo mogiano a tomar a primeira dose da vacina contra a Covid, em janeiro passado, em um ato realizado no Hospital Municipal de Braz Cubas.
O pedido de exoneração do secretário, que é médico e pediatra, foi feito pelo Ministério Público na primeira quinzena de março, após representações feitas por cidadãos do município junto ao órgão pelo fato de ele ter sido um dos primeiros dos servidores da Saúde a tomar o imunizante.
Naufel foi a segunda pessoa a receber a vacina quando as doses chegaram na na cidade, no dia 20 de janeiro último.
Há informações de que a investigação não se fixa apenas na aplicação da primeira dose no secretário. Os comentários são de que ele teria permitido que outros servidores da Saúde também tomassem o imunizante.
O secretário, médico pediatra e professor universitário, está no cargo desde março do ano passado. Ele foi nomeado pelo ex-prefeito Marcus Melo (PSDB) e foi mantido na pasta por Caio Cunha, no início deste ano. Naufel coordena todas as ações de saúde na cidade desde o início da pandemia, em 2020.
O promotor de Justiça entendeu que ao tomar a vacina logo no primeiro dia ele furou a fila da imunização por estar em cargo de comando e não integrar as equipes de profissionais que atuam na linha de frente no atendimento de pacientes infectados.
Naufel, por sua vez, alega que precisa frequentar os hospitais que atendem a pacientes com a Covid, estar em contato com médicos e profissionais, e acompanhar de perto todo o trabalho para atender a demanda, manter a situação controlada e seguir com as ações de combate ao vírus.
Desde que o pedido de afastamento foi feito pelo MP, o prefeito defende a permanência do médico, por ser um profissional da saúde e ter mais de 60 anos. Funcionários da pasta também são favoráveis a permanência dele no cargo
A manutenção de Naufel tem um significado político para o governo municipal porque ele é amigo pessoal e ex-professor do secretário de Estado da Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, o que garante um bom trâmite entre as duas secretarias, a de Mogi e a do Estado.
Gorinchteyn também é médico e professor de infectologia na Universidade de Mogi das Cruzes, onde se formou há 28 anos.
Nos bastidores da Secretaria de Saúde, uma eventual saída de Naufel é tida como inadequada e prejudicial para o atual momento de enfrentamento da pior crise sanitária do último século.