Nelson Bettoi assina carta de número 19 contra pedágios em Mogi
O presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cruzes (AEAMC), o arquiteto e urbanista Nelson Bettoi Batalha Neto, assina nesta sexta-feira (28) a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra. Diariamente, desde 1º de maio, […]
27/05/2021 19h25, Atualizado há 63 meses
O presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cruzes (AEAMC), o arquiteto e urbanista Nelson Bettoi Batalha Neto, assina nesta sexta-feira (28) a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
Diariamente, desde 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê, apontando os prejuízos que a praça de cobrança poderá provocar ao município e à região.
O texto não tem interferência editorial do jornal e apresenta as justificativas e defesas do próprio convidado que utiliza este espaço para expor seus argumentos contra o pedágio.
Ao Governo do Estado
Venho por meio desta discordar da implantação de uma praça de pedágio no km 45 da rodovia Mogi-Dutra desta cidade pelas seguintes razões:
A Mogi-Dutra foi construída com esforços da população mogiana, na década dos anos 70, com a intenção da ligação da nossa Mogi das Cruzes com a capital para o desenvolvimento econômico, pelo fato que aqui foi e ainda é considerado o cinturão verde do Estado de São Paulo, onde está concentrada a produção hortifrutigranjeira que alimenta boa parte do nosso estado e outras localidades.
Com esta ligação, geramos polos industriais que ao decorrer do tempo tornaram a nossa Mogi das Cruzes uma cidade de fácil acesso e de escoamento industrial por estar próximo da capital. E após a construção da rodovia Mogi-Bertioga, com esforços dos mogianos, ficamos mais próximos ao porto da cidade de Santos, também dando acesso rápido às cidades litorâneas, como a cidade de Bertioga.
O local onde seu governo quer implantar uma praça de pedágio é de grande movimentação de veículos que entram e saem da cidade. Muitas pessoas utilizam a estrada no dia a dia para ir trabalhar fora da cidade e escoamento da nossa produção de hortifrutigranjeiros e industrial, sendo assim um local de muita arrecadação de verba, que custeará as obras de melhorias no litoral prevista no projeto.
A implantação do pedágio no km 45 da rodovia Mogi-Dutra irá dividir a cidade deixando uma população de grande vulto em bairros e comunidades, bem como um bairro exclusivo para instalações de indústrias existente acima do km 45, que ficarão sem acesso direto para o centro da cidade e que deverão pagar o pedágio para vir trabalhar, ser atendidos por uma unidade hospitalar, tanto quanto educacional, e sem falar da vinda para compras no mercado central.
O Taboão, exclusivo para instalações de industrias, é um ponto estratégico tendo em vista de estar próximo e ter fácil acesso à capital, ao Vale do Paraíba e litoral. As indústrias que lá se instalarão irão buscar funcionários em cidades vizinhas devido ao encarecimento que este pedágio trará.
Também a nossa Mogi das Cruzes irá perder preferência para investimentos no comércio local de empreendimentos imobiliários e industriais, pois será mais vantajoso o investimento em cidades vizinhas, onde não há pedágio.
Com a implantação do pedágio, vias principais e urbanas serão transformadas em via expressa. Nestes locais há um grande número de residências e comércios locais, que ainda não comportam o trânsito em finais de semana e temporadas devido à quantidade de veículos que utilizam este trajeto para acessar as cidades litorâneas.
Mogi já possui a linha férrea que divide a cidade em duas partes e transforma nosso trânsito lento. Com a implantação da via expressa, a cidade ficará dividida em mais duas partes, transformando o local com trânsito lento e também criando outra divisão da população moradora nos bairros acima do km 45.
A estrada no trecho que liga o centro urbano até a serra de Bertioga não comporta trânsito denso e o trecho da Serra de Bertioga possui encostas rochosas e solo frágil, onde em períodos de chuvas e que geralmente são épocas de festas de final de ano e férias, sempre há deslizamento, deixando o local intransitável até por vários dias.
A implantação do pedágio no km 45 da Mogi-Dutra afetará o comércio da cidade, já que muitos moradores da parte acima do km 45 e de outras cidades deixarão de utilizar este local, e principalmente as escolas particulares e as universidades, sendo que toda a arrecadação do pedágio servirá para melhorias no litoral.
Desta forma, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cruzes entende que a nossa Mogi das Cruzes não poderá sofrer um retrocesso sócio econômico e muito menos pagar os investimentos que estão previsto em projeto nas cidades litorâneas, e sugere que o projeto seja revisto, pois há várias alternativas, onde com o uso da engenharia será possível fazer um acesso da capital com as cidades litorâneas sem prejudicar uma cidade com mais de 500.000 habitantes.
Nelson Bettoi Batalha Neto
Presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cruzes