Novas geadas trazem mais prejuízo aos produtores rurais de Mogi
A geada da última semana – e que volta a se repetir agora – deixa consequências graves ao pequeno produtor rural, em especial aos que plantam no solo mogiano. Reconhecida pelo Prêmio Empreendedor Social em Resposta à Covid-19, a produtora rural Simone Silotti mostra que as perdas são “imensas”. Acompanhe: as hortaliças demoram de 60 […]
28/07/2021 19h03, Atualizado há 61 meses
A geada da última semana – e que volta a se repetir agora – deixa consequências graves ao pequeno produtor rural, em especial aos que plantam no solo mogiano. Reconhecida pelo Prêmio Empreendedor Social em Resposta à Covid-19, a produtora rural Simone Silotti mostra que as perdas são “imensas”. Acompanhe: as hortaliças demoram de 60 a 70 dias para crescer, e foram queimadas pela geada da última semana, quando já quase prontas para comercialização. Para o replantio há uma carência, um período em que não se pode utilizar o solo, já que o frio continua. E até a nova safra estar pronta para colheita, há nova espera de 60 a 70 dias. São, portanto, cerca de cinco meses “sem produção, sem receita”.
Como as alterações climáticas continuam, e o frio volta a ficar intenso a partir desta quinta (29), surge a dúvida. É possível se proteger da geada? A resposta é sim. Mas não sem capital. Simone explica que “existem alguns mecanismos” de segurança, mas os altos custos inviabilizam a prática, deixando o agricultor à própria sorte.
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“Estamos falando de mão de obra, mais material de insumo para tentar mitigar o prejuízo. Um grande investimento para tentar recuperar mercadorias que com certeza vão perder o padrão estético que o mercado classifica, perdendo valor comercial. Resumindo, a gente pode até fazer série de medidas, mas se o alface, se a couve for queimada, o mercado não vai querer”, resume ela, que apresenta uma série de soluções, que envolvem a aplicação de produtos como serragem seca de madeira, salitre, óleo queimado ou diesel e outros químicos.
É preciso lembrar que com a pandemia o poder aquisitivo da população baixou e os produtores já vinham registrando “vendas muito reduzidas”, com “preço de repasse muito pequeno”. Por isso, seria este o momento de uma sensibilização relacionada aos “atravessadores”, como supermercados e quitandas.
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A sugestão de Simone é “contar com os atravessadores, principalmente os grandes supermercados, para que diminuam a margem o máximo que puderem para não impactar”. Na verdade, essa é uma necessidade desde o início desde 2021, quando fortes chuvas de granizo provocaram estragos também grandes em plantações mogianas. “Esta (a geada) é a segunda incidência grave que temos este ano. Dessa vez até o milho, que é uma cultura mais resistente, foi perdida aqui em Quatinga”, lamenta Simone.
Ela explica que os trabalhadores do campo enfrentam crise após crise desde 2016. Entre as situações que impedem o repasse justo de preços, ela cita os altos preços do diesel, a pandemia de Covid-19, as discussões sobre aumento de incidência de ICMS. “Mais do que dar dinheiro a juros baixo, o Governo deveria dar apoio, ajudar a produzir em escala máxima, contratar o máximo de trabalhadores e entregar alimentos mais baratos para a população”.
Questões ambientais
Parte dos problemas enfrentados pelos pequenos produtores rurais estão relacionados às recentes alterações climáticas. Quando o frio é mais intenso do que deveria, quando o calor é forte demais, ou quando as temperaturas sofrem grandes mudanças fora de época; todos estes são sinais de alerta emitidos pelo planeta, que reclama do efeito estufa, do desmatamento e de outras tantas alterações na natureza causadas pelo ser humano.
Sobre este tema, Simone Silotti acredita que a solução seja a ação – que vem com a conscientização do coletivo. Em outras palavras, todos precisam agir, seja poder público, sociedade civil e terceiro setor.
“A Amazônia é muito importante para o mundo. E o Cinturão Verde é muito importante para a região metropolitana de São Paulo. Por meio de ações locais a gente resolve grandes problemas”, aponta ela, que dá um exemplo: “o Rio Tietê nasce formoso, em Salesópolis. Percorre deslumbrante Mogi das Cruzes, e morre quando entra na capital”.
Além disso, ela considera como “vergonhoso” o índice regional reciclagem de lixo orgânico e acredita que muito precisa ser feito, tendo como base a agricultura, setor que movimenta empregos e gera renda.