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Novidades no Centro: O coração de Mogi das Cruzes merece ser cuidado

Perímetro inicial da gestação de Mogi das Cruzes como um núcleo urbano, uma cidade propriamente dita, o Centro exerce forte poder de atração de negócios e atividades e possui o metro quadrado valorizado para fins comerciais, porém, padece de patologias como a diminuição do uso para moradia, a delimitação da ocupação e movimentação durante o […]

Por O Diário
31/08/2022 14h26, Atualizado há 47 meses

Perímetro inicial da gestação de Mogi das Cruzes como um núcleo urbano, uma cidade propriamente dita, o Centro exerce forte poder de atração de negócios e atividades e possui o metro quadrado valorizado para fins comerciais, porém, padece de patologias como a diminuição do uso para moradia, a delimitação da ocupação e movimentação durante o horário comercial, e a transformação de parte dos imóveis em estacionamentos ou o desinteresse pelo aluguel – o que também contribui para afugentar as construções de interesse social com vocação mais para a convivência e a geração de atividades ligadas ao turismo, lazer e alimentação.

Soma-se a esses fatores outros sintomas originados pelo desequilíbrio no uso e ocupação do Centro como a insegurança a partir das 18 horas e aos finais de semana e feriados, quando o fim da atividade comercial e de serviços deixa o coração da cidade vazio e vulnerável a ataques que, desde o início deste ano, apavoram o comércio desse polo tradicional para compras e compromissos bancários e administrativos.

A região central é uma das áreas de contenção que a Prefeitura de Mogi das Cruzes criou para induzir a qualificação em futuras construções como benefícios como o potencial construtivo, um conceito urbanístico que visa tornar interessante, para o empreendedor, o investimento em projetos nessa e em outras regiões, segundo explica o secretário municipal de Planejamento, Cláudio de Faria Rodrigues.  

A lei de regulamentação do uso e ocupação do solo transformou regiões do centro histórico e tradicional em uma Zona Especial de Interesse Urbanístico, com recursos como a taxa de ocupação básica e máxima, o que poderá ampliar o interesse para otimizar construções ali. As condições diferenciadas para a metragem da área construída, no centro, são uma aposta para tornar a região mais sedutora na hora de se decidir por um investimento imobiliário no centro em detrimento de outras regiões.

O modelo visa tornar mais palatável a aposta em empreendimentos qualificados na região.

Outro arranjo para a valorização imobiliária deste eixo se dá no entorno de projetos como o desenvolvido na Vila Helio, que tem rendido a presença de negócios comerciais diversos no espaço revitalizado e com uma agenda de eventos, inclusive em finais de semana, orquestradas para fidelizar o público consumidor. O mesmo espera-se daqui a algum tempo quando deverá ser inaugurada o Shopping Patteo Urupema, na mesma vizinhança, na quadra entre a avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco e a rua Santana.

Novidades como a instalação de um polo digital, com a presença do Alto Tietê Valley, e que visa concentrar outros serviços digitais, também na Vila Helio, são citadas pelo secretário Cláudio Rodrigues, como meios para valorizar o centro tradicional com uma dinâmica que poderá atacar um dos efeitos da migração de negócios e do público para os centros comerciais em outros corredores localizados em outros bairros e distritos – uma tendência que irá se confirmar cada vez mais com o crescimento populacional do município.

Incentivos a empresas para a geração de empregos na área de tecnologia, e os benefícios construtivos na região central, são meios para se chegar a um modelo ideal que mescle a moradia e a vocação comercial do Centro, um dos 11 distritos da cidade, onde residiam, na década de 2010, cerca de 200 mil habitantes.

Além do miolo central demarcada pela proximidade de marcos arquitetônicos como o Mercado Municipal e as igrejas centenárias do Carmo e Bom Jesus (São Benedito), essa área é formada por outros bairros próximos. 

Porém, é no entorno de grandes pontos de circulação de pessoas, como a avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, o Terminal Central e a Estação de Trem Mogi das Cruzes, que a deterioração urbana e a apatia criada após o fechamento do comércio e bancos mais preocupam.

De olho no futuro

Instrumentos para ampliar a participação popular na decisão sobre o ordenamento urbano são citados pelo professor José Francisco Magalhães, coordenador da Faculdade de Arquitetura do Centro Universitário Braz Cubas, como um “exercício interessante para entender o território e não apenas o recebimento de informações, sem a participação na busca de melhorias para o adensamento da cidade”.
Ele cita que a rotina de eventos que têm promovido a participação popular por meio de sugestões para a elaboração de marcos, como ocorreu recentemente com a revisão do Plano Diretor da cidade, é uma forma importante para dar transparência ao que está sendo planejado e aprovado pelo poder público. A instituição de leis, afirma o professor, com a participação das pessoas, abrindo a oportunidade para as pessoas opinarem e não apenas acatarem as decisões, é um bom caminho para o planejamento que busca antecipar e prever situações (que afetam a vida do cidadão) como a necessidade de serviços públicos, vaga em escolas, leitos hospitalares e outros.

Ponto de partida

Fundada em 1560, Mogi das Cruzes, naquele período, era considerada ponto de passagem entre São Paulo, Rio de janeiro e o litoral, graças aos seus caminhos antigos que entrecortavam as serras do Itapeti e do Mar.

O desenvolvimento como cidade, um organismo urbano, se dá pelo núcleo central, ao lado de patrimônios da história, como as centenárias Igrejas das Ordem Primeira e Terceira do Carmo, e de Santana (embora, as primeiras construções do que se tornaria a catedral tenham sido retificadas com o tempo).

Com a expansão urbana, sobretudo nas últimas três décadas, o distrito-sede passou a registrar intensa mudança na maneira de ocupação com a transformação de casas (muitas delas, de interesse histórico) em endereços comerciais, a substituição de antigas e centenárias construções por prédios de salas e estacionamentos, e a saída da maior parte das antigas famílias para outras zonas urbanas fortalecidas com a valorização imobiliária.

Apesar disso, ainda há muitos moradores nesse perímetro.

Conter os efeitos da escapada de moradores, com a atração de empreendimentos qualificados e voltados a serviços, comércio, alimentação, entretenimento e turismo, para a área é desafio lançado à cidade, especialmente porque o ônus da desertificação é alto demais. Que o digam os comerciantes que têm chegado a suas lojas após a invasão e furtos de materiais ocorridos à noite.  O fortalecimento de centralidades para que o mogiano trabalhe, estude e passe mais tempo próximo de casa, e se desloque o menos possível para outras partes da cidade, é a base do Plano Diretor. Políticas como a de incentivo à cultura e turismo, seriam outro antídoto para cuidar do centro. 

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