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O desafio de madrugar com baixa temperatura: ‘O frio é difícil, mas a gente precisa trabalhar’

A produção do café ou chocolate quente que esquenta quem para na barraca do casal Geraldo Gerôncio, 55 anos, e Cintia Aparecida Soares da Silva, 36 anos, na estação de Braz Cubas da CPTM começa a ser preparado duas horas antes da venda, às 2h, na casa da família, na Vila Municipal, às margens da […]

Por O Diário
29/07/2021 10h31, Atualizado há 61 meses

A produção do café ou chocolate quente que esquenta quem para na barraca do casal Geraldo Gerôncio, 55 anos, e Cintia Aparecida Soares da Silva, 36 anos, na estação de Braz Cubas da CPTM começa a ser preparado duas horas antes da venda, às 2h, na casa da família, na Vila Municipal, às margens da avenida Japão. São 25 litros entre café e leite comercializados por dia. “O frio é difícil, mas a gente precisa trabalhar”, diz Geraldo. Mogi registrou 5ºC no começo da manhã.

Ainda vestida com um roupão rosa para cortar o vento frio, Cintia vai servindo lanches, tortas e pão de queijo que ela faz na tarde anterior, enquanto o marido serve as bebidas quentes.

“A gente tem essa loja de roupa que funciona aqui no fundo e fomos assaltados por duas vezes só este ano. É triste ver todo o seu trabalho indo embora, mas a gente levanta mesmo nesses dias frios com vontade de trabalhar. O meu filho de 19 anos também me ajuda. Ele vem para aqui à tarde, pra eu ir embora preparar as tortas e os pães”, conta Cintia.

O encarregado de produção João Wasicovichi, de 58 anos, também está entre os trabalhadores que madrugam para chegar ao trabalho. Morador de Mauá, na região do ABC Paulista, ele levanta às 3h.

“Eu pego o primeiro trem em Capuava. Hoje estava 8ºC lá, mas conforme eu vou chegando em Mogi a temperatura vai caindo. Hoje eu coloquei duas calças, duas blusas e, quando chego em Mogi, eu tomo um café para aguentar o frio. Trabalho aqui desde 2002. Já peguei bastante frio na cidade”, conta.

O café quente é a receita que a pensionista do INSS, Sônia Paulo, de 58 anos tem para ajudar a cumprir os compromissos. Por dois dias seguidos, ela teve exames agendados em Mogi. Acordou às 4h no primeiro e 5h no segundo dia.

“Eu sinto que o frio está pior do que antes. O jeito é realmente tomar o café para chegar onde a gente tem que ir, mas é difícil. Essa noite mesmo eu já dormi com uma parte da roupa. Depois só joguei a outra por cima e vim”, conta.

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