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ONG de Mogi é finalista de projeto nacional de combate à violência contra a mulher

A ONG Recomeçar, de Mogi das Cruzes, é uma das 20 entidades brasileiras finalistas do Programa Magalu de Combate à Violência contra a Mulher, e receberá recursos financeiros e técnicos para o desenvolvimento de suas mídias sociais. A entidade atende mulheres em situação de risco de morte e se inscreveu no edital disputado por 500 […]

Por O Diário
16/04/2021 16h42, Atualizado há 64 meses

A ONG Recomeçar, de Mogi das Cruzes, é uma das 20 entidades brasileiras finalistas do Programa Magalu de Combate à Violência contra a Mulher, e receberá recursos financeiros e técnicos para o desenvolvimento de suas mídias sociais. A entidade atende mulheres em situação de risco de morte e se inscreveu no edital disputado por 500 organizações unidas pela causa, que ganhou holofotes  na pandemia. Desde o ano passado, houve um aumento de 50% das agressões e outros crimes contra as mulheres, segundo estima a presidente da ONG Recomeçar, a advogada Rosana Pieruccetti.

A ajuda financeira e a consultoria da equipe deste projeto da Magalu serão aplicados nas mídias sociais da Associação de Assistência às Mulheres, Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Recomeçar que foi criada em 2004, e que já atendeu centenas de mulheres.

A Recomeçar é dedicada ao acolhimento da mulher e filhos, em condição de risco de morte. As vítimas são recebidas em endereço mantido em sigilo, por questões de segurança. Ali, elas recebem teto, alimentação, além de assistência social, psicológica e jurídica para retomar a vida. São 20 vagas ofertadas por mês.

Ao vitaminar as mídias sociais e a interação com o público, a ong poderá ampliar o canal de acesso usado pelas vitimas e abrir mais braços para o desenvolvimento de parcerias, o fortalecimento da rede de proteção à mulher e dos programas de conscientização e divulgação dos meios que as famílias possuem para denunciar os agressores.

Rosana Pieruccetti contou que o cadastro inicial foi feito sem muitas perspectivas. “Nós pensamos que seria muito difícil, uma entidade como a nossa, sem grande alcance nacional, ser uma das selecionadas. Mas, como eu não perco a esperança, e sou fã da empresária Luiza Trajano, pelo trabalho desenvolvido nesta e em outras áreas, ficamos aguardando e conseguimos passar pela primeira e a segunda fase. Estamos muito felizes”, disse.

Rosana afirma que a violência doméstica é desastrosa para a sociedade e carece de um atendimento permanente e profissional.

Entre as escolhidas, a ONG Recomeçar é a única que assiste mulheres que estão sob o risco de morrer. A entidade mantém, com recursos da Prefeitura e do Governo do Estado, doações e outras ações, o abrigo, cujo endereço não é divulgado, justamente para afastar o contato com os agressores.

Entre os desafios, está manter a proteção das vítimas até a obtenção, por exemplo, de medidas protetivas na Justiça. Nesse período, as mães ficam na casa da Recomeçar, com os filhos, e não tem qualquer conexão com o mundo exterior – até mesmo os celulares são desligados.

Ao contrário do passado, desde março de 2020, os responsáveis por esse serviço notaram o aumento das denúncias e dos registros de casos, e também uma redução da procura pelo abrigo, propriamente dito, porque quando ali chegam, as vítimas precisam cumprir a quarentena. “São pessoas que não estão em situação de rua, por exemplo, e, muitas, nunca viveram em um abrigo. Nós notamos certa resistência e a opção de algumas de ficarem em casas de amigos e familiares, neste período, da pandemia”, comentou a presidente.

Para atender à alta de denúncias e do feminicídio, a Recomeçar manteve um telefone de WhatsApp, disponível 24 horas, para orientações e acolhimento. E notou um aumento das chamadas, inclusive de mulheres de outros estados e cidades.

Esse foi um reflexo de uma situação bastante preocupante porque o enfrentamento da Covid obrigou vítimas e agressores a conviver mais dentro de casa. O que, naturalmente, concorreu para ampliar a vulnerabilidade da mulher e filhos.

Prêmio

A conquista do prêmio, que será de R$ 100 mil, e deverá ser disponibilizado nas próximas semanas, é um reconhecimento do trabalho da entidade. E ele será importante, comenta Rosana Pierucetti, porque o projeto  será desenvolvido em parceria com a equipe do Programa Magalu de Combate à Violência contra a Mulher. “As nossas mídias sociais terão um tratamento de uma forma profissional, e isso foi muito bom, porque teremos o auxílio da equipe do Magazine Luiza, que tem um trabalho muito bom de mídia, em outras áreas e para o desenvolvimento humano e de renda, pela internet. Um trabalho que tem ajudado muitas pessoas”, comentou.

Há alguns anos, Rosana Pieruccetti e a psicóloga Denise Evangelista tiveram a oportunidade de conhecer pessoalmente a empresária Luiza Trajano e apresentar, a ela, essa obra, no encontro Mulheres do Brasil. Naquela oportunidade, as duas contaram um pouco da experiência mogiana, mas não imaginavam que, um dia, o grupo presidido por Luiza, iria se tornar um parceiro do projeto.

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