Padre de Mogi afirma que “pandemia foi politizada”
Ainda que enfrentando as muitas dúvidas, até existenciais, produzidas pelos efeitos da atual pandemia, e diante do quadro de colapso evidente na área da saúde, o padre Claudio Delfino, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque, do distrito de Braz Cubas, não vê outra saída senão o distanciamento social pleno para tentar conter a […]
20/03/2021 18h27, Atualizado há 65 meses
Ainda que enfrentando as muitas dúvidas, até existenciais, produzidas pelos efeitos da atual pandemia, e diante do quadro de colapso evidente na área da saúde, o padre Claudio Delfino, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque, do distrito de Braz Cubas, não vê outra saída senão o distanciamento social pleno para tentar conter a grande onda de contaminações e mortes provocada pela expansão rápida da Covid-19 e suas muitas variantes. Assim, ele aprova as medidas mais drásticas adotadas pelo prefeito Caio Cunha (PODE), a vigorarem a partir desta segunda-feira (22) em toda a cidade, mantendo as celebrações de sua igreja somente com transmissões online, via internet.
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O padre vê o momento atual como “muito complexo”, pois enquanto se agrava o colapso nos hospitais da cidade e de todo o País, há uma enorme lentidão na vacinação, única esperança mais concreta para se conter o avanço da Covid-19. Ele vê as medidas restritivas como “o bem possível de se fazer neste momento” e fala da angústia de acompanhar o agravamento da crise e o aumento no número de mortes. Assim, ele defende “se colaborar com o bem comum” crendo no bom senso das autoridades, preocupadas em preservar ao máximo a saúde das pessoas.
“De imediato, não vejo outra alternativa, embora já saibamos que os mais pobres serão aqueles que irão sofrer ainda mais”, diz o religioso.
Padre Claudio Delfino questiona se o “abre e fecha” em diferentes momentos foi mesmo a melhor saída para tentar conter a doença, sem contar no desrespeito de muitas pessoas ao poder letal da pandemia. Ele também não poupa os políticos que, em sua opinião, “politizaram a pandemia” e vê no negacionismo do governo federal uma das causas dos problemas vividos atualmente pela população. Mas também não perdoa a “briga política” entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB), que também contribuiu, de alguma forma, para o agravamento da crise.
“O governo fecha tudo, mas a gente vê na imprensa o transporte público lotado”, pontua o padre, que vê a pandemia como “um fenômeno que colocou de joelhos a ciência, inclusive a teológica, que ainda estão sem respostas para tudo que está acontecendo atualmente em todo o mundo”. Para enfrentar o duro momento, o religioso se espelha nas palavras do papa Francisco, segundo as quais, “é importante fazer o bem que seja possível”, e ele emenda: “A começa por eu e você”.
“Espero que alicerçados no bem possível” seja possível vencer a difícil fase, mas “sem jamais perder a esperança e sempre nos dedicando às orações e às nossas amizades”, assegura padre Claudio Delfino.