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Painel TCE revela mortalidade no Luzia e Braz Cubas entre 2019 e 2020

Uma pesquisa do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revela as diferenças no perfil do atendimento dos hospitais Luzia de Pinho Melo e Municipal Waldemar Costa Filho, em Braz Cubas entre os anos de 2019 e 2020. Os dois serviços registraram um aumento no total de óbitos e da taxa de mortalidade, após o início […]

Por O Diário
24/05/2021 15h36, Atualizado há 63 meses

Uma pesquisa do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revela as diferenças no perfil do atendimento dos hospitais Luzia de Pinho Melo e Municipal Waldemar Costa Filho, em Braz Cubas entre os anos de 2019 e 2020. Os dois serviços registraram um aumento no total de óbitos e da taxa de mortalidade, após o início da pandemia, em março de 2020. As taxas são consideradas compatíveis com a letalidade da Covid pelos dois serviços. Além disso, houve uma retração nos procedimentos ambulatoriais (consultas, exames e outros).

Outro dado foi a rototatividade no quadro de médicos que prestaram serviços no Luzia, entre os dois períodos. Em 2019. segundo o TCE, foram 772 médicos, contra 445, em 2019. Apesar da diferença, a Secretaria Estadual de Saúde explica que o teto, nos dois anos, permaneceu com 350 médicos contratados.

Na contramão disso, houve aumento de 162 profissionais, no hospital mogiano, justificado pela ampliação dos leitos e vagas de UTI, a partir de março passado, ao se tornar referência para o tratamento da Covid-19.

No site do Tribunal, é possível acompanhar a prestação de contas que revela aumento dos recursos financeiros injetados nos serviços públicos, bem como a gravidade da Covid influenciou no perfil do atendimento..

O Hospital Municipal teve um esperado aumento no total de mortes. Antes da pandemia, foram 53 óbitos e uma taxa de 1,34%. Em 2020, o número subiu para 386 mortes, e uma taxa de 15,2%. Um reflexo do fato de o serviço ter se capacitado para atender exclusivamente aos pacientes com o coronavirus após a primeira alta dos casos.

No Luzia, o índice aumenta, mas em menor proporção. Foram 1.889 óbitos, e um índice de 11,12%, no ano retrasado, e 2.107 mortes em 2020, com uma taxa de 13,88%. Mesmo assim, foram 218 mortes a mais.

O total empenhado e gasto em 2020 no hospital estadual, gerenciado pela SPDM, foi de R$ 192 milhões, R$ 39 milhões a mais do que o que foi aplicado no Luzia, em 2019: R$153 milhões. Naquele ano, ainda, o valor empenhado foi superior, R$ 184 milhões. Não há dados, no site, sobre os gastos no Municipal de Braz Cubas.

Queda

Houve uma redução considerável no número de consultas, exames e outros procedimentos ambulatoriais no Luzia de Pinho. Uma diferença que respalda a preocupação de especialistas sobre a descontinuidade de tratamentos e identificação de novas doenças na pandemia.

No Luzia, foram 952,940 atendimentos ambulatoriais em 2019, o que baixou para 663.612, no ano passado. O mesmo se registrou no Hospital Waldemar Costa Filho: 417.140 procedimentos no ano retrasado e 256,139, em 2020, o que indica uma diferença de 161,001 consultas e exames a menos.

O ex-secretário municipal de Saúde, Marcello (Teo) Cusatis, pondera que o aumento da mortalidade era esperado pela gravidade da Covid, Uma medida para reduzir o alto índice de mortes, sugere ele, seria ampliar a testagem e os exames de acompanhamento dos pacientes, após os primeiros sintomas.

Ele afirma que uma combinação de exames de sangue, PCR e do tomografias do pulmão, ao longo dos primeiros dias de sintomas, pode favorecer a realização de tratamentos que reduzam as mortes. Não se trata de tratamento precoce, como popularmente tem sido chamado, o uso de remédios sem comprovação científica. Mas, de atuação médica para combater situações pontuais que agravam as complicações. Caso, por exemplo, de infecção oportunistas, como as pneumonias bacterianas, que podem ser identificadas, tratadas e  melhoram a eficácia do tratamento de pacientes. Ainda não há tratamento contra o vírus, “mas há meios de se identificar situações que complicam os quadros e levam o paciente ao óbito”, afirma Cusatis.

O outro lado

A Prefeitura de Mogi comentou, por meio de nota, que os dados refletem a decisão de se transformar a unidade em referência para a Covid. Veja a resposta:

“A Secretaria Municipal de Saúde responde mensalmente um questionário padrão do Tribunal de Contas do Estado para monitoramento hospitalar, com atenção especial às unidades referenciadas para a Covid-19.

Desde o início da pandemia, o Hospital Municipal de Mogi das Cruzes tornou-se a principal referência de atendimento ao novo coronavírus no Alto Tietê, com maior número de leitos Covid em toda a região, infraestrutura ampliada para acompanhar o avanço da pandemia e garantir assistência a todos os pacientes.

Nos últimos 14 meses, o Hospital Municipal mais que dobrou seu número de leitos, passando de 79 (10 UTI e 69 enfermaria) para 176 (76 UTI e 100 enfermaria). O número é também mais que o dobro de leitos Covid ofertados, por exemplo, pelo Hospital Luzia de Pinho Melo, unidade gerenciado pelo Governo do Estado.

O Hospital Municipal de Mogi das Cruzes também mudou sua vocação, sendo totalmente adaptado à nova realidade trazida pela pandemia. O Pronto Atendimento 24 horas, antes especializado no atendimento exclusivo de crianças, há mais de um ano tornou-se “porta aberta” para casos suspeitos da Covid-19.

A mesma mudança verificou-se no setor de internação. A infraestrutura que antes abrigada pacientes em recuperação de cirurgias de pequeno e médio porte, com média de 1 a 2 dias de internação em terapia intensiva, hoje é totalmente ocupada por pacientes em tratamento contra o novo coronavírus, com internações que podem durar mais de 60 dias, dependendo da gravidade do caso, além de muitos pacientes em estado grave e com diversas comorbidades. 

Esta nova configuração contribui para o aumento da mortalidade na unidade, considerando o alto grau de letalidade da doença que tem sido o principal desafio das autoridades de saúde nos últimos tempos.

Desde o início da pandemia até o momento, o Hospital Municipal de Mogi das Cruzes já prestou 53.192 atendimentos e 3.499 internações”.

A Secretaria de Estado da Saúde também comentou os dados do TCE:

“O Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo (HCLPM) esclarece que os dados apresentados pela reportagem representam um compilado total de todos os médicos que atuaram na unidade nos anos de 2019 e 2020, não necessariamente simultaneamente. Não houve redução do corpo clínico e nem impacto na assistência aos pacientes, uma vez que as cerca de 350 vagas fixas para médicos foram mantidas no decorrer dos anos.

Cabe reiterar que o perfil assistencial deste hospital é focado no atendimento a patologias graves, traumas e urgências, havendo taxa de mortalidade compatível à complexidade dos casos.

 

 

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