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Pandemia reduz detecção de câncer de próstata; postos de Mogi agendam exame

Reverter a queda de consultas e exames para identificar o câncer de próstata é um dos objetivos da Campanha Novembro Azul nas unidades de saúde de Mogi das Cruzes. A Sociedade Brasileira de Urologia realizou pesquisa que mostra que redução de 50% dos atendimentos preventivos à doença, a segunda mais comum entre os brasileiros, atrás, […]

Por O Diário
16/11/2021 11h15, Atualizado há 57 meses

Reverter a queda de consultas e exames para identificar o câncer de próstata é um dos objetivos da Campanha Novembro Azul nas unidades de saúde de Mogi das Cruzes. A Sociedade Brasileira de Urologia realizou pesquisa que mostra que redução de 50% dos atendimentos preventivos à doença, a segunda mais comum entre os brasileiros, atrás, inclusive, do câncer de mama. 

Amanhã, 17, é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.

Em Mogi das Cruzes, a campanha busca divulgar a doença, reduzir preconceitos e incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Para isso, oferece o  agendamento do exame na rede de postos.

Os homens com idade a partir de 45 anos podem comparecer à Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência para solicitar o agendamento para realização do exame de PSA (exame de sangue). 

O exame de sangue está disponível para homens que não estejam em tratamento com urologista, nem tenham realizado esse tipo de diagnóstico nos últimos doze meses. 

Em caso de alteração no resultado, o paciente será encaminhado pela Secretaria Municipal de Saúde para um urologista, onde dará sequência aos procedimentos necessários. 

Além dos exames, os homens também terão acesso às informações por meio rodas de conversa em salas de espera, respeitando o distanciamento social e cumprindo com os protocolos de segurança e prevenção à Covid-19. Com o bate-papo, as unidades esperam combater não só a doença, mas também os preconceitos que envolvem a saúde do homem. 

O câncer de próstata é o tipo de câncer que ocorre na próstata, que é a glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. Quanto mais avançado é um tumor, mais mutações ocorrem, conferindo maior agressividade. 

Sinais e sintomas:
1.    Micção frequente.
2.    Fluxo urinário fraco ou interrompido.
3.    Vontade de urinar frequentemente à noite.
4.    Sangue na urina ou no sêmen.
5.    Disfunção erétil.
6.    Dor no quadril, costas, coxas, ombros e outros ossos se a doença se disseminou.
7.    Fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.

 

Saúde

Homens, historicamente, são menos preocupados com a própria saúde. Na pandemia, esse cenário se agravou ainda mais, o que pode refletir no número de diagnósticos de cânceres que os atingem, principalmente o de próstata, cuja detecção precoce é feita através de exames regulares e preventivos, assunto que ainda é tabu para muitos. Uma pesquisa de 2020,realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mostrou que a procura por cirurgias eletivas urológicas caiu 50% na pandemia. Desses, cerca de 90% afirmaram que houve uma redução em 50% das cirurgias eletivas, e 54,8% relataram que as cirurgias de emergências diminuíram pela metade.

O câncer de próstata, o segundo mais comum do Brasil (atrás apenas do câncer de pele e, em números absolutos, com mais ocorrências do que o câncer de mama feminino).

A partir dos 50 anos, como recomenda a SBU, é muito importante que os homens façam o acompanhamento médico de prevenção. Já as pessoas com parentes de primeiro grau que enfrentaram a doença, ou ainda afrodescendentes, é necessário realizar os exames de rotina antes dos 45 anos, pois possuem maiores chances de desenvolver o câncer de próstata.

O câncer de próstata atingiu 65.840 pessoas em média em 2020, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Todos os anos, a doença tem 75% dos casos registrados em homens com 65 anos ou mais e chega a levar à óbito 15,5 mil brasileiros. Ainda é necessário quebrar o tabu da barreira sociocultural, pois essa questão faz com que muitos pacientes só descubram o tumor já em estágio avançado.

No caso do câncer de pênis, por exemplo, apesar de ainda ser pouco falado, o diagnóstico tardio leva a mais de mil amputações por ano no Brasil. Apesar do câncer de próstata ser mais comentado, é necessário chamar a atenção para outros casos que afetam o público masculino. É fundamental incentivar uma rotina de consultas e exames, podendo salvar assim a vida de milhares de pacientes anualmente.

Mesmo quando os sinais de problemas se tornam inegáveis, em muitos casos o diagnóstico efetivo da doença só acontece após insistência das parceiras. Não à toa, 70% das mulheres comparecem às consultas médicas do companheiro, segundo levantamento realizado pelo Centro de Referência em Saúde do Homem do Estado de São Paulo.

“Um dos principais objetivos do diagnóstico precoce, além de permitir a adoção de tratamentos menos invasivos e promover chances de cura que podem passar de 90%, é evitar que o paciente tenha outros impactos à saúde em geral. A vigilância ativa poupa os pacientes de possíveis efeitos colaterais do tratamento cirúrgico ou radioterápico. Por outro lado, quando o câncer de próstata é identificado em estágios mais avançados, o tratamento indicado acaba sendo mais agressivo, podendo comprometer inclusive a produção de testosterona. A falta desse hormônio gera, entre outros, elevação no risco de doenças cardiovasculares, impotência sexual e distúrbios cognitivos”, completa o oncologista clínico Andrey Soares, do Grupo Oncoclínicas em São Paulo e diretor científico do LACOG-GU (Latin American Cooperative Oncology Group-Genitourinary).

Evolução

O tratamento do câncer de próstata, assim como outros, depende da avaliação da extensão da doença. Nos casos de doença localizada e sem características agressivas o tratamento pode variar de cirurgia, radioterapia ou vigilância ativa, dependendo do caso.

“Em casos localizados, mas com achados de agressividade, o tratamento definitivo se faz necessário. A conduta nestes casos pode ser cirurgia, radioterapia combinada a tratamento hormonal ou até mesmo a união de todos eles. Nos casos de doença metastática, os últimos anos têm trazido ótimas notícias para os pacientes com a chegada de diversas novas drogas, tais como uma nova geração de quimioterápicos, terapias hormonais e radioisótopos, moléculas inteligentes com pequena ação radiante que pode tratar diretamente os tumores”, afirma Andrey Soares.

Ele frisa que novas perspectivas de tratamento pregam união de terapias, foco nas informações para conscientização sobre a doença e condutas voltadas ao olhar integral e individualizado para cada paciente, prezando pela qualidade de vida.
 

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