Para desafogar a saúde, Estado estuda ampliação de leitos na região; PS do Luzia continuará fechado
O governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), deverá se reunir com prefeitos e técnicos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) para discutir novos meios para desafogar o sistema de saúde na região e ampliar a capacidade para procedimentos, como as cirurgias represadas. O encontro, ainda sem data definida, […]
20/07/2022 13h14, Atualizado há 49 meses
O governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), deverá se reunir com prefeitos e técnicos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) para discutir novos meios para desafogar o sistema de saúde na região e ampliar a capacidade para procedimentos, como as cirurgias represadas. O encontro, ainda sem data definida, deve ocorrer na próxima semana.
Segundo Garcia, a Secretaria Estadual de Saúde estuda a ampliação de leitos de baixa e média complexidade em parceria com as cidades. Em Mogi das Cruzes, o assunto voltou à pauta, após a Santa Casa de Misericórdia ameaçar não renovar o contrato para o funcionamento do Pronto-Socorro, em razão do aumento da demanda e falta de verba para atender os pacientes, que permaneciam mais tempo na unidade após os primeiros atendimentos. Uma saída que vem sendo cobrada por lideranças é a reabertura do PS do Hospital Luzia, que deixou de atender de portas abertas em 2021. A volta desse serviço, porém, não é estudada pela Pasta.
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Na quarta visita a Mogi das Cruzes neste ano, foi falado ainda sobre o convênio que é pedido pela Prefeitura mogiana com o Estado para custear e iniciar os trabalhos na Maternidade Municipal. O acordo, porém, deverá ser fechado apenas após as eleições. “Estaremos junto com Mogi para iniciar os trabalhos no ano que vem” disse Garcia.
O governador realizou mais uma visita a cidade na manhã desta quarta-feira (20), onde foi recebido e ouviu demandas de autoridades da região. Ele conheceu o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), que passará a realizar sessões de quimioterapia para diversos tipos de câncer. O equipamento está instalado no Jardim Santista.
“Estamos vistoriando pois, em agosto, o Ame passará a oferecer quimioterapia em sua sede, ampliando o atendimento de todo o Alto Tietê, fazendo que a população que precise desse tratamento tenha acesso a ela mais rapidamente”, destacou Garcia.
“Hoje temos a execução de quimioterapia no Luzia. A partir de agosto, o hospital vai referenciar também pelo sistema estadual para que elas sejam feitas no Ame. O nosso objetivo é que até o final do ano essa unidade passe a oferecer 600 tratamentos por mês. Vamos ampliando ao longo dos próximos meses. A ideia é que janeiro de 2023 tenhamos a capacidade máxima”, acrescentou ele.
O AME Oncológico vai prestar atendimento com exames, consultas, cirurgias, além de sessões de quimioterapia.
A previsão, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, é de realizar mais de 20 mil sessões de quimioterapia por ano. O investimento está previsto em R$ 4,5 milhões, com custeio anual estimado em R$ 50 milhões.
Garcia chegou ao AME, localizado na rua Engenheiro Engenho Motta, de helicóptero. Conversou com pacientes do local, que não teve atendimento interrompido. Foi acompanhado por uma multidão de políticos e assessores, que lotaram um corredor do equipamento de saúde gerido pelo Estado.
Entre os presentes estavam o prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (PODE), a vice prefeita Priscila Yamagami (PODE), os deputados estaduais Marcos Damásio (PL) e Rodrigo Gambale (PODE) e prefeitos do Alto Tietê, além de vereadores mogianos. O ex-prefeito de Mogi, Marcus Melo, também esteve presente e até posou para foto com o governador.
Logo na entrada, Garcia foi parado pelo vereador Francimario Vieira de Macedo, o Farofa (PL), que entregou a ele, em mãos, uma cópia do ofício assinado pela Câmara que pede a reabertura do Pronto Socorro do Luzia.
A Câmara de Mogi tem encaminhado diversas moções pedindo a retomada dos serviços, que desde fevereiro de 2021 só atende pacientes que são encaminhados por outras unidades de saúde do município e região.
A reabertura também foi pedida em ofício do deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) encaminhado ao secretário estadual de Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn. No documento o parlamentar destacar a necessidade de retomar o atendimento no local com portas abertas à população para desafogar o PS da Santa Casa.
Após uma breve visita na unidade, o governador foi questionado sobre os planos da saúde para a região. Em resposta à imprensa, Garcia destacou que o fechamento do PS fez parte de uma restruturação da rede estadual de saúde durante a pandemia e no pós-pandemia. “Cada vez mais o Estado tem que se responsabilizar com a alta complexidade e, em parceria com os municípios, trabalhar na média e na baixa complexidade. Estamos estudando formas de desafogar as UBSs e as Upas dos municípios que muitas vezes, por não ter leitos disponíveis no momento, têm registrado ainda um aumento de atendimento na ponta da linha, mas, estamos estudando para poder rapidamente achar uma solução”, disse.
“Queremos ampliar o número de leitos para que não assistamos cenas de lotação nas UBSs. Muitas vezes, não é o pronto socorro que resolve isso e, sim, os leitos de alta complexidade, e é isso que o nosso secretario Jean (Gorinchteyn) está estudando. Temos hospitais na região e queremos olhar como rede, para que haja esse aumento”, acrescentou o governador.
“Nosso papel é aumentar o número de leitos de alta complexidade e trabalhar parcerias com os municípios para leitos de baixa e média complexidade”, resumiu.
“Hoje os nossos técnicos de saúde não veem a abertura do PS do Luzia como solução do problema que estamos vivendo. Veem a solução com o aumento de leitos. A solução, na nossa opinião, é buscar mais leitos de alta e média complexidade”, acrescentou.
Ele citou o exemplo do Hospital das Clínicas de Suzano, que passará a atender toda a região e deve em breve, aumentar o número de cirugias ofertadas.
“Vivemos uma herança maldita da pandemia, muitas vezes, o Estado não encontra profissionais necessários para atender essa demanda reprimida, mas tenho certeza que, ao lado dos prefeitos, nós vamos encontrar esse caminho rápido. O HC de Suzano queremos que ele amplie cirurgias que não está fazendo, para diminuir nossas filas”.
O governador falou sobre o futuro da Maternidade Municipal.
“Até o final do ano, os equipamentos estão sendo adquiridos. Vamos levar alguns meses para isso. No final do ano, vamos estar aqui para anunciar o apoio do Estado no esforço da Prefeitura na abertura do hospital. Mogi das Cruzes vai contar com a Saúde estadual nesse seu sonho de abrir a maternidade no começo do ano que vem”, destacou.
No final da visita, Garcia conversou com prefeitos da região. Posou para fotos e até teve um momento de descontração ao lado de uma barraca de lanches.
O vereador e presidente da Câmara de Mogi, Marcos Furlan (PODE) destacou que a visita foi muito positiva para a saúde de Mogi, apesar da resposta negativa sobre o PS do Luzia. “Essa é uma questão que vamos continuar cobrando para que seja resolvida, seja com o PS, ou seja com a instalação de mais leitos”, destacou o parlamentar.
O prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi, também se mostrou animado com a reunião que deve acontecer com o governador. Garcia solicitou um “plano inicial” dos prefeitos. “Estamos pedindo a ampliação do HC de Suzano, que passará a atender toda a região e também vamos solicitar ampliação de outros hospitais da região”, destacou.
Na última que esteve na cidade, no final de junho, o governador anunciou repasse de R$ 9 milhões para a Prefeitura equipar e inaugurar a Maternidade Municipal, além de outros investimentos em infraestrutura, habitação e programas sociais, como o Bom Prato, que também está prestes a ser inaugurado.
As obras de construção da maternidade foram concluídas pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, com investimento de R$ 37 milhões.
Entre os anúncios feitos pelo governador, destaca-se a assinatura de convênio entre o Governo do Estado e a Prefeitura para a liberação de R$ 50 milhões para serviços de recapeamento e pavimentação na cidade. Também foram liberados R$ 11,4 milhões para a construção de 64 novas unidades habitacionais da CDHU no Conjunto Jefferson e R$ 12,8 milhões para a reforma de 750 moradias na Vila Nova Estação, Jundiapeba e Vila Nova União.