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Paulo Boccuzzi assina carta de número 34 contra o pedágio

Esta carta endereçada ao governador João Doria publicada diariamente por O Diário, em suas versões online e impressa, marca o primeiro mês da campanha lançada com o objetivo de estabelecer um canal de comunicação entre moradores e lideranças de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê e o Governo do Estado, responsável pelo lançamento da […]

Por O Diário
19/06/2021 15h22, Atualizado há 62 meses

Esta carta endereçada ao governador João Doria publicada diariamente por O Diário, em suas versões online e impressa, marca o primeiro mês da campanha lançada com o objetivo de estabelecer um canal de comunicação entre moradores e lideranças de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê e o Governo do Estado, responsável pelo lançamento da concorrência internacional para a concessão das rodovias do litoral, e que incluiu a construção de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra, e um outro na rodovia Mogi-Bertioga. 

Prefeitos, deputados, vereadores e  atores da sociedade civil organizada têm apresentado os motivos contrários a um projeto que fere os interesses sociais, econômicos e de mobilidade urbana da cidade, com destaca, nesta edição, o empresário Paulo Cardozo de Mello Boccuzzi, um dos fundadores do Movimento Pedágio Não, que desde 2019 se articula para denunciar os prejuízos deste projeto.

Ao Governo do Estado

Prezado senhor governador João Doria, me apresento como um cidadão comum, um professor que fundou o movimento popular que luta contra a ameaça de um pedágio em Mogi das Cruzes. Estou seguro que esse projeto apresenta diversos equívocos, podendo causar um desastre socioeconômico em nossa cidade. Uma região habitada, em sua maioria, por trabalhadores rurais, pequenos comerciantes, operários e prestadores de serviços, já tão impactados pela crise econômica do nosso país.

Peço, gentilmente, a leitura criteriosa desta carta, na qual discorro os meus pensamentos, sem quaisquer formalidades, visando percorrer por esse tema de maneira simples e objetiva, acreditando que assim, o senhor terá a oportunidade de enxergar esse projeto de modo horizontal. A minha preocupação é destacar, acima de tudo, o ponto de vista da população, do pai/mãe de família, do trabalhador…

O projeto de concessão do Litoral Paulista obrigará o mogiano ao pagamento de um pedágio para deslocamentos entre bairros de uma mesma cidade, separando regiões humildes de suas referências urbanas. Locais estes, acessados diariamente para atividades essenciais em escolas, hospitais, universidades e comércios. Esta população periférica já vive com poucos recursos, não possuindo qualquer condição de absorver os custos adicionais promovidos pelo pedágio.
Tal implementação provocará um grande prejuízo aos trabalhadores, sejam aqueles que se deslocam para o maior polo industrial da cidade (Taboão), como também, para os cerca de 30% de trabalhadores mogianos que se dirigem, diariamente, para a cidade de São Paulo. Esses trabalhadores já pagam 2 pedágios e passariam a pagar 4, sendo que uma parcela importante destes trabalhadores pagaria este novo pedágio para um deslocamento de somente 1.7 quilometro de Rodovia Mogi-Dutra, em função de residirem já próximos do acesso da Rodovia Ayrton Senna.

De fato, este projeto possui a maior parte dos investimentos no trecho litorâneo, onde haverá duplicações, pistas marginais e ciclovias, enquanto na região de planalto muito pouco será investido. Uma desproporção que somada aos demais pontos mencionados, deixa claro o caráter injusto e meramente arrecadatório do trecho mogiano.

O projeto ainda contemplaa transformação de 7.5 quilômetros de vias urbanas em pistas expressas, como resultado, teríamos uma cidade repartida ao meio, interferindo na dinâmica dos deslocamentos da população de uma cidade que já sofre com uma inferência semelhante causada pela linha do trem. Atente, que neste caso estamos falando de uma concessão que atravessa o meio de uma cidade, uma imposição do Governo do Estado sobre a autonomia do Município e pior, uma sobreposição aos direitos da população que vive neste local.

Por fim, senhor governador, peço que aprecie o argumento dos paulistas de Mogi das Cruzes com os mesmos olhos que o senhor leu a carta de Bruno Covas na véspera de seu falecimento, onde pondera: “Responsabilidade pública, colocando a população, sobretudo a mais pobre, em primeiro lugar, cuidar de gente… com respeito, dignidade e defendendo a democracia”.

Contamos com a sua reflexão.

Atenciosamente,

Paulo Cardozo de Mello Boccuzzi
Empresário e um dos fundadores do Movimento Pedágio Não

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