Presidente da Câmara diz não ao pedágio em rodovia da cidade
Desde o último sábado, O Diário publica diariamente uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê com argumentos contra a instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra e os prejuízos que a praça de cobrança poderá trazer à região, endereçadas ao Governo do Estado de São Paulo. […]
08/05/2021 17h17, Atualizado há 63 meses
Desde o último sábado, O Diário publica diariamente uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê com argumentos contra a instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra e os prejuízos que a praça de cobrança poderá trazer à região, endereçadas ao Governo do Estado de São Paulo.
Quem assina a carta de hoje é o presidente da Câmara de Mogi das Cruzes, Otto Flores de Rezende.
A iniciativa é de O Diário e já teve, até agora, adesão do prefeito Caio Cunha, do presidente do Colégio de Arquitetos, conselheiro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Mogi das Cuzes (AEAMC) e membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap), Paulo Pinhal, da presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes, Fádua Sleiman, e do Instituto Cultural e Ambiental de Mogi das Cruzes (Icati), José Arraes.
O texto não tem interferência editorial de O Diário e traz as justificativas e defesas do próprio convidado que estará utilizando este espaço para expor seus argumentos contra a implantação da praça de cobrança na cidade. Confira a carta de Otto Flores de Rezende:
“Excelentíssimo senhor governador Joao Doria Júnior, venho por meio desta externar o sentimento de milhares de cidadãos do Alto Tietê em relação à implantação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
No dia 21 de outubro de 2019, no auditório da Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, uma audiência pública convocada pelo Governo do Estado de São Paulo, por intermédio da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), definiu algumas ações que seriam tomadas com relação à rodovia Mogi-Bertioga e à rodovia Mogi-Dutra.
Dentre essas propostas, uma das intenções do Governo do Estado de São Paulo e da Artesp, apresentada em seus projetos, foi a instalação de um pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88), junto ao quilômetro 45, conforme confirmado pelo sr. Giovanni Pengue Filho – diretor-geral da Artesp.
A população mogiana não pode ser punida com o pagamento das contas do Governo do Estado. A proposta de instalação de um pedágio na Mogi-Dutra é totalmente rejeitada por todos que sofrerão uma grave penalização com essa cobrança indevida.
Um pedágio impactaria no desenvolvimento econômico e social de nossa cidade, atrapalhando o escoamento de produtos, encarecendo fretes e afastando potenciais consumidores.
Além disso, veríamos a cidade partida ao meio, isolando uma parcela da população, que teria de pagar para andar dentro da própria cidade, em uma rodovia que foi construída unicamente com recursos municipais!
Os moradores de Mogi das Cruzes e região receberam como benefício somente a duplicação da rodovia e não há no local nenhuma infraestrutura adequada à sociedade.
Não podemos aceitar que técnicos da Artesp e do Governo Estadual, que não demonstram nenhum compromisso com a cidade e a sociedade da região, simplesmente apresentem em seus projetos a imposição da implantação de um pedágio, que prejudicará toda uma população, que utiliza o trecho do quilômetro 45 para seus afazeres diários.
Em decorrência dessa grave situação, estou empenhado em dar voz à população e juntos nos posicionar contra a instalação de um pedágio na Mogi-Dutra. Junto com os demais presidentes das Câmaras de nossa região, fundamos a Frente Parlamentar Intermunicipal do Alto Tietê, que tem por um dos objetivos, exatamente lutar por uma região livre de novas tarifas de locomoção.
Devemos, portanto, reconhecer urgentemente a necessidade de realizarmos novos estudos para outras soluções para a rodovia Mogi-Dutra, mais viáveis e que não penalizem a população.
Lamento e rechaço profundamente a solução apresentada pela Artesp e pelo Governo do Estado e, espero, senhor governador, que com o presente apelo possamos demover os técnicos competentes desse verdadeiro devaneio, que é um pedágio em nossa Mogi-Dutra.
Otto Rezende
Presidente da Câmara de Mogi das Cruzes”.