Professora mogiana Raelen Brandino quer continuar abrindo janelas para o aprendizado
Projetos educacionais para mudar a vida de alunos e professores. Esta é a proposta da mogiana Raelen Brandino Gonçalves, 33 anos, que leciona na educação infantil na rede pública municipal de Mogi das Cruzes e de São Paulo, premiada nacionalmente com o projeto “Extra, extra, extra: tá na hora de brincar”, desenvolvido na Escola Municipal […]
30/12/2020 11h32, Atualizado há 67 meses
Projetos educacionais para mudar a vida de alunos e professores. Esta é a proposta da mogiana Raelen Brandino Gonçalves, 33 anos, que leciona na educação infantil na rede pública municipal de Mogi das Cruzes e de São Paulo, premiada nacionalmente com o projeto “Extra, extra, extra: tá na hora de brincar”, desenvolvido na Escola Municipal Profª Therezinha Soares, na Vila Brasileira.
A ideia, nascida de uma roda de conversa em sala de aula, já havia vencido, em 2019, o Prêmio Mogi Educador por Excelência na cidade e, neste ano, ganhou o 1º lugar na categoria Educação Infantil do Prêmio Professor Transformador, da Base2edu, Bett Educar e Instituto Significare. Para 2021, o plano é tirar do papel mais ideias que possam ser colocadas em prática como facilitadoras do ensino.
A mogiana, moradora do Jardim Santa Tereza, diz que a iniciativa de produzir um jornal em sala de aula surgiu a partir da necessidade das crianças de comunicar o que acontecia na escola às famílias, ensinando a elas as brincadeiras das quais participavam, mas foi desenvolvida antes da pandemia, em 2019.
“Para instigar o protagonismo infantil por meio das vivências em brincadeiras e a participação ativa no processo de aprendizagem, a voz das crianças ganhou visibilidade em um jornal. O projeto é embasado pelo currículo municipal, fundamentado pela Base Nacional Comum Curricular, que compreende a interação e a brincadeira como eixos norteadores das aprendizagens”, explica.
O “Informativo Infantil III A” foi produzido a partir das experiências, ilustradas com fotos, trazendo leituras e o cantinho ‘Aprendendo a brincadeira’, momento para explicar como se brinca. “Cada criança entregava o jornal a uma pessoa da escola e também o levava para casa”, conta. Com a exemplar em mãos e em roda, os alunos ouviam o que estava escrito no jornal e faziam comentários filmados pelo celular. Foram 26 edições semanais produzidas a partir da fala infantil.
Segundo Raelen, as famílias relataram que projeto permitiu acompanhar de perto a aprendizagem, aproximou pais e filhos, contribuiu para o desenvolvimento e motivou os estudantes, ajudou a conciliar o lúdico com o real e reforçou o diálogo entre as crianças e a professora.
Neste ano atípico, marcado pela pandemia e aulas online, Raelen apostou no projeto “Querido Diário”. “O objetivo foi fazer com que as crianças expressassem ideias, desejos e sentimentos sobre vivências, por meio da linguagem oral, escrita e desenho. Elas registravam diariamente o momento do dia que mais gostavam na escola, enquanto houve aulas presenciais, escrevendo, após vivências concretas (brincadeiras, experiências), e no final de semana faziam o registro com a família do momento mais significativo, apresentando em roda de conversa na segunda-feira”, conta.
Interrompida pela pandemia, em março, a atividade foi retomada a distância em agosto. O momento “Compartilhando o Diário” ganhou espaço no grupo de WhatsApp. As crianças registravam o momento que mais gostavam da semana, enviavam vídeo ou foto explicando e isso era postado no grupo. A proposta era semanal, mas a criança poderia enviar mais de um registro. “A família foi fundamental no acompanhamento e por meio do diário observamos como as crianças se expressavam, a participação, desenvolvimento da oralidade e da criatividade. Na pandemia, foi fundamental que as crianças pudessem expressar o que pensavam, sentiam, seus gostos e medos ampliando o vínculo familiar, sem perder a ligação com a escola”, conclui.
Projeto de Diário reforça vínculos
Raelen Brandino Gonçalves, 33 anos
“Na pandemia, foi fundamental que as crianças pudessem expressar o que pensavam”
Sobre Raelen
Doutoranda e mestre em Educação (Universidade Federal de SP); especialista em Educação Inclusiva e Deficiência Intelectual (PUC-SP); Psicopedagogia Clínica e Hospitalar e Alfabetização (Unicid); Ética, Valores e Cidadania na Escola (USP); Didática e Gestão do Ensino Superior (UMC); Planejamento, implementação e gestão do ensino a distância (UFF); e graduada em Pedagogia (UMC) e História (Centro Universitário Claretiano).