Projetos para idosos de Mogi estão na gaveta, diz Conselho
Com público estimado em cerca de 65 mil pessoas acima de 60 anos de idade vivendo em Mogi das Cruzes, de acordo com projeção da Fundação Seade divulgada em 2022, e diante da tendência nacional de envelhecimento da população, são cada vez mais urgentes atender as demandas do setor para garantir melhor qualidade de vida […]
04/02/2023 08h05, Atualizado há 42 meses
Com público estimado em cerca de 65 mil pessoas acima de 60 anos de idade vivendo em Mogi das Cruzes, de acordo com projeção da Fundação Seade divulgada em 2022, e diante da tendência nacional de envelhecimento da população, são cada vez mais urgentes atender as demandas do setor para garantir melhor qualidade de vida na terceira idade, com serviços, atendimentos e atividades de convivência.
No entanto, segundo o Conselho Municipal do Idosos (CMI), há projetos destinados a esta parcela de moradores da cidade que foram engavetados e não saíram do papel, além de serviços, como os centros de convivência dos Idosos Mogianos (Cecim), com 10 unidades instaladas em vários bairros da cidade desativadas há dois anos. Somam-se a isso os problemas apontados no Pró-Hiper, que concentra atividades destinadas a este público, no Mogilar.
“O Pró-Hiper está hoje em um espaço com infraestrutura deficitária. A piscina funciona um tempo e para em outros, os banheiros não são apropriados e no inverno entra muito frio e vento na área da piscina. O Conselho irá fazer uma vistoria lá, apontar os problemas e encaminhar a situação ao Ministério Público. Quem sabe a Prefeitura faz a reforma necessária”, enfatiza Juraci Fernandes de Almeida, presidente do CMI.
Da mesma forma, ela lamenta a desativação das unidades do Cecim. “Tínhamos 10 e há dois anos não temos mais nenhum. Desde o final do ano passado, a Prefeitura diz que foi feita a seleção das entidades que responderão pelo serviço em duas unidades, uma no centro e outra na praça da Juventude, mas até o momento nada começou”, aponta.
Juraci também lembra os R$ 2,6 milhões previstos no orçamento de 2022 para instalação de casas de repouso na cidade, que não foram investidos. “Estão sempre falando que vão fazer e nunca sai. O dinheiro entra no Plano Plurianual, na LOA (Lei Orçamentária Anua), mas não é gasto. A desculpa é que não tinha entidade, ninguém respondeu ao edital, e assim fica assim, com idosos morrendo na fila e sem usufruir do projeto, que não sai do papel”, lamenta.
Entre as propostas que estão engavetadas, a presidente do CMI destaca uma casa de repouso destinada a moradoras de rua, que segundo conta, já tem imóvel alugado desde setembro, mas não entrou em operação. Outro projeto é a Casa Municipal do Idoso, projeto pronto com terreno, anunciada pela Prefeitura na gestão do ex-prefeito Marcus Melo e reapresentada ao atual, Marcus Melo, mas que ainda não tem estudo orçamentário (leia mais abaixo).
“Este projeto foi feito pelo secretário Claudio (Rodrigues, Urbanismo) e atenderia 32 idosos. Se juntarmos o dinheiro que nos últimos anos entra no orçamento destinado aos idosos e não é usado, daria para construir esta casa, assim como mais unidades do Centro Dia, já que em Mogi temos apenas uma e são tão importantes como as ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos)”, considera.
Enquanto estes projetos não saem da gaveta, Juraci diz que o Conselho colocará em votação duas propostas destinadas às pessoas acima de 60 anos na cidade, que serão custeados com doações empresas feitas ao Fundo Municipal do Idoso, atualmente no valor de R$ 980 mil.
Um deles é o Bolsa Cuidador, no qual o familiar poderá receber uma bolsa para cuidar do idoso, além do serviço de alimentação a domicílio para pessoas com idade avançada, que já correm risco se fizerem sua própria alimentação e, por vezes, não têm nem mesmo alimentos para colocar na panela.
“Há cidades, como Sorocaba e Hortolândia, que já têm este projeto de alimentação a domicílio. A ideia é, por exemplo, fazer parceria com o Bom Prato, buscar as refeições lá e entregar a domicílio a estes idosos. O Conselho Municipal do Idoso vai tentar fazer isso com o dinheiro que tem hoje no fundo, assim como no caso do Bolsa Acolhedora. São dois projetos que acredito que tenham um impacto muito grande para contribuir com a qualidade de vida dos idosos”, detalha Juraci.
Prefeitura abrirá 2 núcleos e diz que serviços são reestruturados
As 10 unidades do Centro de Convivência de Idosos Mogianos (Cecim), instaladas em vários bairros da cidade e desativadas há 2 anos, segundo a Prefeitura de Mogi, fazem parte da reestruturação e qualificação do serviço. Dentro deste processo, estão em fase de implantação dois núcleos: um na Escola de Empreendedorismo e Inovação, na região central, e outro na Praça da Juventude, no Jardim dos Amarais, para atender 60 idosos cada um.
Os dois núcleos devem ofertar atividades de convivência e fortalecimento de vínculos sociais e comunitários de idosos, preferencialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social, sendo que a organização da sociedade civil selecionada, a Sefras, realizou ações de acolhida e recepção, dando início as atividades.
“Cabe ressaltar que este é um primeiro momento dentro do processo de reestruturação, porém a proposta é que o serviço seja futuramente ampliado. O serviço esteve um período sem execução devido aos editais lançados não terem apresentado Organizações Sociais candidatas à concorrência”, trouxe nota enviada pela administração municipal a O Diário.
Já a construção de casas de repouso, com reserva de R$ 2,6 milhões no orçamento de 2022, que o Conselho Municipal apontou como não gastos no setor, estão, de acordo com a Prefeitura, em fase de implantação, visando cumprir as adequações solicitadas pela Vigilância Sanitária. “Todo o valor não gasto no ano anterior foi reprogramado paraa mesma finalidade. Cada casa de acolhimento para pessoas idosas terá capacidade de atendimento para 12 usuários”, explica.
O Conselho questiona ainda a demora no início do funcionamento de uma casa de repousa destinada a idosos em situação de rua, já alugada desde setembro. A administração diz que se trata de um novo serviço para atender exclusivamente pessoas idosas nesta situação, com 20 vagas. “Este equipamento também está em fase de adequação às normas da Vigilância Sanitária”, informa
Outro projeto engavetado, que prevê a construção da Casa Municipal do Idoso, segundo a Prefeitura, iniciou a fase de estudo e possível implantação na gestão anterior, em setembro de 2018, porém não ocorreu, sendo que os detalhes do projeto foram apresentados pelo secretário municipal de Urbanismo, Cláudio Rodrigues.
O estudo previa a construção de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) com 1,5 mil metros quadrados (m2), em área localizada na rua Paulo Eduardo do Valle Pereira, em Braz Cubas. Entre os espaços previstos estavam: refeitório, sala de convivência, recepção, cozinha, dispensa, 16 dormitórios duplos com banheiro (capacidade total para 32 idosos), 2 dormitórios de emergência ou recuperação (capacidade para 2 idosos), salas para fisioterapia, medicação, cuidadores, solário e praça descoberta para atividades físicas, entre outros ambientes. “À época, não foi divulgada a estimativa de custos”, resumiu a Prefeitura sobre a continuidade do projeto.
A implantação de novas unidades do Centro-Dia do Idoso, a exemplo do serviço em funcionamento no Jardim Aracy, para 42 residentes em Mogi, depende de nova parceria com o Governo do Estado, que realizou a construção do local e a Prefeitura ficou responsável pela execução do serviço.
Por fim, sobre os problemas apontados no Pró-Hiper, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer informa que, após o período de pandemia, o retorno das atividades no Pró-Hiper precisou ser gradual, devido às condições físicas do público participante, que necessita de mais cuidados.
O equipamento, de acordo com a Prefeitura, atende 1.206 munícipes com 60 anos ou mais, em aulas de musculação terapêutica, exercício multicomponente e hidroginástica terapêutica. “A unidade recebe manutenções preventivas e, especificamente a piscina, passou algumas manutenções corretivas, mas as aulas de hidroginástica são realizadas normalmente, sem apontamentos dos usuários. Os vestiários são adequados às atividades desenvolvidas no equipamento, mas a pasta segue à disposição dos usuários para o diálogo e sugestões de melhorias”, concluiu a nota da administração.