Queda de energia afeta o fornecimento de água em Mogi das Cruzes
Uma nova queda de energia elétrica, ocorrida no final da manhã desta quinta-feira (27), voltou a afetar o sistema de abastecimento do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) de Mogi das Cruzes. Os problemas se estenderam até hoje, sexta-feira (28). Desta vez, 97 bairros foram afetados, provocando diversas reclamações de moradores. A proprietária de […]
28/01/2022 17h01, Atualizado há 55 meses
Uma nova queda de energia elétrica, ocorrida no final da manhã desta quinta-feira (27), voltou a afetar o sistema de abastecimento do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) de Mogi das Cruzes. Os problemas se estenderam até hoje, sexta-feira (28). Desta vez, 97 bairros foram afetados, provocando diversas reclamações de moradores.
A proprietária de um petshop na Vila Oliveira, Renata Sayuri Onishi, teve dor de cabeça por causa da falta de água em seu estabelecimento na manhã desta sexta-feira (28). A ausência de água nas torneiras fez com que ela “paralisasse” toda a rotina. “Meus agendamentos no período da manhã foram remanejados para a tarde ou outro dia. Isso ocorreu logo no horário mais cheio da semana”, lamenta em entrevista a O Diário, ao citar que sofreu com desistências, sem a água necessária para os serviços de banho e tosa.
A queda de energia danificou uma válvula na Estação de Tratamento de Água (ETA) Centro. A autarquia prometeu dar início a substituição do equipamento e precisou interromper a distribuição de água.
Aproveitando a parada, e para reduzir a possibilidade de novos problemas por queda de energia, o Semae também programou a substituição da válvula de retenção da estação de captação de água, no rio Tietê – equipamento de grande porte que já passou por manutenção esta semana, também por oscilação no fornecimento de energia.
A estabilização do abastecimento leva tempo devido à necessidade de reiniciar a captação e o tratamento da água, estabilizar a pressão, recuperar os níveis dos reservatórios e retomar a distribuição.
Os serviços foram concluídos de madrugada. E o resultado foi positivo, tanto que mesmo após uma nova queda de energia, por parte da concessionária, aproximadamente às 7h30 desta sexta-feira (28), o sistema foi retomado rapidamente. As bombas de distribuição de água foram religadas durante a manhã e a expectativa era de que a normalização do abastecimento ocorresse de forma gradativa, ao longo do dia. Para mais informações, o telefone do Semae é o 115.
As quedas de energia têm provocado dor de cabeça para comerciantes. O problema começou a se intensificar a partir das fortes chuvas que atingiram a cidade. No último dia 18, por exemplo, boa parte do município ficou sem luz, o que fez com que até mesmo os trens da Linha Coral – 11 da CPTM fossem paralisados, gerando filas na Estação Mogi das Cruzes.
Segundo nota da EDP emitida naquele dia, “por conta das fortes chuvas com descargas atmosféricas e ventos ocorridas em Mogi, houve impacto de grande proporção na linha de subtransmissão que abastece pontos da cidade, principalmente da região de Braz Cubas, Mogi, região central e César de Souza, além de ocorrências mais pulverizadas relacionadas à queda de galhos e objetos projetados sobre as redes”.
Alguns bairros, como o Mogilar, chegaram a ficar mais de 24 horas sem eletricidade. Em César de Souza, o problema se estendeu por mais de 30 horas. E, ainda que em menor intensidade, a instabilidade no fornecimento de energia elétrica continua na cidade.
Leitora de O Diário, Morgana Stradivarius disse que, nesta quinta-feira (27), a “luz caiu do nada”, e embora não tenha ficado muito tempo no escuro, houve prejuízos. “Perdi meus arquivos”, diz ela, que também relata, em uma noite, ter percebido falta de pressão na água fornecida pelo Semae. E se isso acontece “é porque está sem água na rua, já que minha caixa é muito baixa e uso válvula e alternador”.
Outra leitora, Michelle Fernandes Silva Leite, também reclama. “Na minha residência todo dia falta água, tem dia que acaba antes das 9 horase só chega às 22 horas. A gente ligou no Semae, eles vieram olhar. Mas falam que é na rede que vão ver e nada acontece. Já tem ano que isso acontece”.
O problema também afeta a indústria da cidade. No meio do mês, a metalúrgica Rud perdeu dois turnos de trabalho devido à falta de energia. “Ficamos totalmente parados, não tem como ligar nenhuma máquina”, disse a este jornal o presidente da empresa, Daniel Knudsen. Quando concedeu esta entrevista, ele disse que “nas casas que ficam no entorno” já havia uma fase de energia, o que “não ajuda, porque as máquinas são muito grandes e funcionam em 380 volts”.
A EDP, concessionária de energia elétrica, estuda ações para evitar as constantes quedas do serviço na região do Taboão. Na última segunda-feira (24), o assunto foi discutido em reunião realizada entre a Associação Gestora do Distrito Industrial do Taboão (Agestab) com representantes da EDP a fim de buscar uma solução para o problema. O encontro contou com a participação de 21 empresários e de profissionais da concessionária ligados às áreas técnicas, de planejamento, da qualidade, e dos setores operacional e de atendimento.
Os empresários reclamam que as quedas de energia passaram a ocorrer de forma frequente nas últimas semanas, o que prejudica diretamente a produção. Outro problema apontado são os longos tempos de espera até o reparo.
Entre os dias 16 e 18 de janeiro, algumas empresas do Taboão chegaram a ficar até 24 horas sem energia, tema que O Diário já abordou no editorial publicado ontem, em que definiu como sendo “inconcebível que empresas cheguem a ficar todo este tempo sem eletricidade em suas unidades”.
A concessionária informou que uma das estratégias para que paradas tão grandes não voltem a ocorrer é o investimento em equipes multifuncionais. Os grupos que realizam atendimento comercial, por exemplo, estão sendo capacitados para se houver a necessidade, estarem aptos a realizarem reparos de menor complexidade.