Ortopedista do Imot fala sobre mielopatia cervical, condição com sintomas motores, sensoriais e autonômicos
Doutor Domingos Junior explica que condição pode afetar o paciente de diversas formas; diagnóstico precoce ajuda a evitar o agravamento da doença.
01/04/2025 18h08, Atualizado há 13 meses
Paciente deve ser submetido a diferentes exames para confirmar o quadro | IA

A mielopatia cervical é uma condição neurológica progressiva causada pela compressão da medula espinhal na região do pescoço. Essa compressão pode resultar em uma série de sintomas motores, sensoriais e autonômicos, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente. A detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações permanentes.
Causas
A principal causa da mielopatia cervical é a degeneração da coluna vertebral devido ao envelhecimento. Entre as causas mais comuns, incluem-se:
- Espondilose cervical: Desgaste progressivo dos discos intervertebrais e articulações facetárias;
- Hérnia de disco cervical: Protrusão do disco intervertebral, comprimindo a medula espinhal;
- Ossificação do ligamento longitudinal posterior (OLLP): Formação óssea anormal que pode reduzir o espaço disponível para a medula;
- Traumas: Lesões cervicais podem causar deslocamento vertebral e compressão da medula;
- Tumores e infecções: Embora menos comuns, podem levar à compressão da medula espinhal.
Sintomas
Os sintomas da mielopatia cervical podem variar de acordo com a gravidade da compressão e a área afetada da medula espinhal. Os sinais mais comuns incluem:
- Fraqueza muscular: Dificuldade para segurar objetos, escrever ou realizar tarefas motoras finas;
- Alterações na marcha: Passos instáveis, dificuldade de equilíbrio e risco aumentado de quedas;
- Dormência e formigamento: Sensações anormais nos braços, mãos e, em alguns casos, nas pernas;
- Espasticidade: Rigidez muscular e reflexos exagerados;
- Disfunção autonômica: Dificuldade em controlar a bexiga e o intestino em casos mais avançados.
Diagnóstico
O diagnóstico da mielopatia cervical é feito com base no histórico clínico, exame físico e exames de imagem. A ressonância magnética (RM) é o exame padrão ouro para avaliar a compressão da medula. A tomografia computadorizada (TC) é útil para avaliar alterações ósseas. Com a eletromiografia (EMG) e estudos de condução nervosa é possível diferenciar de outras doenças neuromusculares.
Tratamento
O tratamento da mielopatia cervical pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade dos sintomas e do grau de compressão da medula espinhal.
No tratamento conservador é indicado o uso de colar cervical para limitar o movimento e reduzir a progressão da compressão. Fisioterapia para fortalecer a musculatura e melhorar a mobilidade, além de medicamentos para controle da dor e espasticidade, como anti-inflamatórios e relaxantes musculares.
Já no tratamento cirúrgico há algumas possibilidades:
- Laminectomia: Remoção de parte da vértebra para aliviar a compressão;
- Discectomia e fusão cervical: Remoção do disco afetado e fusão das vértebras para estabilização;
- Corpectomia: Remoção de parte do corpo vertebral para descompressão da medula.
Prognóstico
O prognóstico da mielopatia cervical varia conforme a rapidez do diagnóstico e a eficácia do tratamento. Pacientes submetidos à cirurgia geralmente apresentam melhora dos sintomas, embora a recuperação possa ser parcial se houver lesões permanentes na medula espinhal. O acompanhamento contínuo com ortopedista especialista em cirurgia da coluna é essencial para garantir a melhor qualidade de vida possível.
Conclusão
A mielopatia cervical é uma condição grave que pode comprometer a mobilidade e a funcionalidade do paciente. O reconhecimento precoce dos sintomas e a busca por um tratamento adequado são fundamentais para prevenir complicações irreversíveis. Com abordagens terapêuticas adequadas, muitos pacientes conseguem melhorar sua qualidade de vida e manter sua independência funcional.
Sobre o Imot
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