Rafael Cervone assina carta de número 23 contra pedágios em Mogi
Nesta quinta-feira (3), o vice-presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Rafael Cervone, assina a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra. Diariamente, desde o dia 1º de maio, o jornal traz uma […]
02/06/2021 20h05, Atualizado há 62 meses
Nesta quinta-feira (3), o vice-presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Rafael Cervone, assina a carta publicada por O Diário endereçada ao Governo do Estado de São Paulo com argumentos contrários à instalação do pedágio na rodovia Mogi-Dutra.
Diariamente, desde o dia 1º de maio, o jornal traz uma carta escrita por liderança ou representante da sociedade civil de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê apontando os prejuízos que a praça de cobrança poderá provocar ao município e à região.
O texto não tem interferência editorial do jornal e apresenta as justificativas e defesas do próprio convidado que utiliza este espaço para expor seus argumentos contra o pedágio.
Ao Governo do Estado
A intenção do Governo do Estado de São Paulo de instalar praças de pedágio na Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga é descabida, principalmente neste momento de crise da Covid-19, na qual a prioridade, além de salvar vidas, é a sobrevivência das empresas e dos empregos. No contexto atual, todo aumento de custo é prejudicial para a indústria, os setores produtivos e a sociedade.
As duas estradas são fundamentais para Mogi das Cruzes e todo o Alto Tietê, no escoamento da produção agrícola e industrial, ligação com as rodovias Dutra e Ayrton Senna, São Paulo, Rio de Janeiro, o polo manufatureiro do Vale do Paraíba, Porto de Santos e o Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Guarulhos. Os pedágios, considerando o alto fluxo de veículos, representariam aumento significativo de custos para todas as empresas que operam nesses importantes eixos produtivos, de distribuição intensiva de bens e produtos para grandes mercados consumidores e exportações.
Tomemos como exemplo a instalação de uma praça de cobrança no km 45 da Mogi-Dutra. Seria um retrocesso imenso. É justamente nesse ponto que se encontra o Distrito Industrial do Taboão, a maior reserva para uso fabril da Região Metropolitana de São Paulo. São 15 milhões de metros quadrados, fator que já atraiu diversas empresas e deverá estimular a presença de muitas outras mais.
Além da ampla área, sua localização – considerando os eixos rodoviários e aeroportuários acima citados e a ferrovia que corta sua superfície –, é absolutamente estratégica do ponto de vista logístico.
Assim, não é lúcido e pertinente agravar os custos dos transportes nesse relevante polo industrial e econômico e no seu entorno. O Governo do Estado de São Paulo, que pouco tem feito para apoiar os setores produtivos e a economia no enfrentamento da grave crise provocada pela pandemia, tem adotado postura nociva, ao aumentar os custos, como ocorreu com a majoração do ICMS este ano. Esta é uma atitude também despropositada, pois a Fazenda estadual teve crescimento de arrecadação, e inoportuna, dada a conjuntura adversa agravada pela pandemia. Por isso, estamos questionando a medida na Justiça.
A intenção de criar as duas praças de pedágio é mais uma paulada em quem produz e trabalha. Esperamos que prevaleça o bom senso. Seria importante que as autoridades do Poder Executivo paulista refletissem melhor sobre o momento enfrentado pelo Estado, o Brasil e o mundo. Se não querem ajudar, pelo menos não deveriam atrapalhar, como têm feito, ao insistirem em onerar os setores produtivos. E, ao fim e ao cabo, as pessoas da região é que irão pagar mais uma taxa, além dos muitos impostos que já pesam no orçamento de todos.
Rafael Cervone
Vice-presidente da Federação e Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)